Meu metabolismo é lento, não consigo emagrecer!

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi isso, dentro e fora do consultório e eu mesma já estive às voltas com esse problema, então resolvi escrever a respeito.

Primeiro vamos a algumas definições, pra facilitar o entendimento:

“Metabolismo é a soma de processos químicos e físicos que ocorrem dentro de um organismo vivo. O metabolismo divide-se em catabolismo (quebra de uma substância para obter energia) e anabolismo (capacidade que o organismo possui de transformar uma substância em outra que sirva para seu desenvolvimento e reparação)”. (fonte: www.todabiologia.com/dicionario/metabolismo.htm)

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O catabolismo pode ocorrer a partir da “quebra” de gorduras para obtenção de ácidos graxos e energia, da “quebra” de glicogênio (reserva limitada de carboidratos que temos no fígado e nos músculos, que serve como fonte de energia nos momentos de jejum – ex: entre uma refeição e outra) e da “quebra” de proteínas, a partir dos músculos (e tá dos órgãos, em caso de desnutrição extrema ou prolongada), para obtenção de glicose (para o cérebro) e de energia para o restante do corpo. Nós catabolizamos o tempo todo, mas nem percebemos porque há um constante equilíbrio entre catabolismo e anabolismo. catabolizamos inclusive para promover a renovação celular, pois as células velhas precisam ser destruídas, para dar lugar às novas! E também anabolizamos o tempo todo, quando produzimos novas células, para substituir as que morreram, quando produzimos novas fibras musculares, em resposta à atividade física e ainda, quando ganhamos peso, através do acúmulo de gordura no tecido adiposo…

O catabolismo é mais nítido quando iniciamos uma fase de muito estresse (logo compensada pelo ganho de peso, que já expliquei aqui e aqui) e quando fazemos dietas muito restritivas para perder peso (ou, mais tristemente, quando alguém está passando fome ou quando está com alguma doença disabsortiva, e não consegue absorver os nutrientes da alimentação, mesmo comendo bastante). O problema e que nesses casos, a perda de peso pode ser intensa, mas não necessariamente está relacionada (só) à perda de gordura! Geralmente há perda de muito líquido (no caso das doenças disabsortivas, a pessoa fica realmente desidratada e necessita receber soro intravenoso) e de massa muscular! E aí é que mora o perigo!

Cada vez que perdemos peso, perdemos gordura e água (facilmente recuperáveis), mas também, muita massa muscular. É justamente essa perda de massa muscular que faz o metabolismo se tornar cada vez mais lento, agravando os efeitos naturais do envelhecimento. Por volta dos 30 anos, começamos a ter uma perda (discreta, a princípio) do tônus muscular e da própria quantidade de massa muscular, que persiste até a velhice. Pessoas sedentárias e que tem uma alimentação inflamatória (baseada em açúcar, farinhas, gordura hidrogenada e produtos industrializados) e/ou pessoas que passam a vida fazendo dietas radicais e tomando medicamentos para emagrecer, são as que mais sofrem com essa perda. E é assim, que a cada nova dieta, a pessoa perde menos peso e recupera mais facilmente, sempre acrescentando alguns Kgs a mais no “pacote”.

O uso crônico de corticóides (necessário ao tratamento de doenças autoimunes, por exemplo) também promove esse catabolismo muscular e favorece o aumento da gordura corporal, mas aí estamos falando de outra situação, que pode ser amenizada por uma dieta de caráter anti-inflamatório e atividade física!

Então, resumindo a história, o tal do “metabolismo lento“, nada mais é do que o resultado da perda de massa muscular, que pode ter inúmeras causas, e muitas vezes, causas combinadas. Fazer apenas dieta, sem atividade física é outra coisa, que deixa o metabolismo mais lento! Comer muito carboidrato e/ou muita gordura, idem, pois ambos os nutrientes necessitam de pouquíssima energia para serem digeridos e metabolizados pelo corpo.

Há ainda a história dos termogênicos, a base de altas doses de cafeína e de substâncias semelhantes, que tem sido usados de forma indiscriminada (e por vezes, até irresponsável), em função do apelo de “acelerar o metabolismo”. Mas verdadeiramente o que eles fazem é estimular os receptores adrenérgicos no corpo, os receptores de adrenalina e noradrenalina, acelerando PARTE do metabolismo. A ideia, a princípio, é até muito boa! Similar o efeito da adrenalina, para estimular a quebra da gordura, liberando-a para ser usada como combustível durante a prática esportiva. Seria perfeito, se para isso, a gordura liberada fosse imediatamente usada, mas antes disso, ela precisa entrar nas mitocôndrias (que são organelas, minúsculas usinas geradoras de energia que temos em todas as células do corpo) e aí sim, entrar na brincadeira da geração de energia. O problema é que nosso estilo de vida moderno, com poucas horas de sono, consumo de muitos industrializados, uso de diversos medicamentos, exposição ambiental a uma infinidade de substâncias tóxicas, inflamação, entre outras coisas, causa DISFUNÇÃO MITOCONDRIAL, ou seja, faz com que nossas mitocôndrias percam parte da capacidade de usar toda essa energia que está liberada pelos termogênicos e como na natureza nada é desperdiçado, essa gordura, para não ser perdida, é encaminhada para o fígado, onde provavelmente acabará ficando, “sentadinha” e “quietinha” (só que não) pelo momento em que poderá virar energia para o músculo… e sabe-se lá quando isso ocorrerá… enquanto isso, o fígado fica só acumulando gordura…

Aliás, a queima de gordura, para promoção de um emgrecimento saudável, depende bastante de conseguirmos tratar essa disfunção mitocondrial, através do fornecimento de nutrientes importantes para estas organelas, como as vitaminas do complexo B, por exemplo, e através do tratamento da inflamação subclínica, causada pelo ganho de peso. Também é importante preparar o corpo para neutralizar todas as tozinas que serão despejadas na corrente sanguia, a hora que a gordura começar a “derreter”, para evitar que estas toxinas (poluentes, xenobióticos, resísuos de substâncias químicas, etc) causem problemas e estimulem o envelhecimento precoce e alterações celulares que podem gerar doenças crônicas, como o câncer.

Assim, a única (e real) maneira de acelerar o metabolismo, é sendo uma pessoa mais ativa, fazendo atividade física (melhor ainda se o exercício estimular a síntese de massa muscular e o aumento do tônus, como a musculação, o Pilates ou outra atividade que trabalhe com pesos, por exemplo), aumentando a ingestão de alimentos fontes de proteínas (acredite: nem sempre é necessário se encher de suplementos protéicos!) e diminuindo carboidratos (principalmente açúcar e os refinados) e diminuindo as gorduras (principalmente as mais inflamatórias, como as presentes nos laticínios, na gordura da carne, nos embutidos e nos produtos industrializados e priorizando as gorduras “boas”, como azeite de oliva, abacate, etc). Os músculos (depois do cérebro) são os maiores gastadores de energia que temos no corpo e mesmo durante o sono, gastam mais que os outros tecidos. Logo, se queremos acelerar o metabolismo e torná-lo mais ativo, precisamos, ao menos, preservar a massa muscular que temos. Melhor ainda, se pudermos trabalhar para aumentá-la!

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Mas aqui cabe um alerta! É importante que as quantidades e as fontes destes nutrientes estejam dentro de um planejamento alimentar individualizado, de acordo com as necessidades de cada pessoa, considerando possíveis alterações em resultados de exames laboratoriais e histórico de saúde, pois o que pode ser benéfico para uma pessoa, pode causar problemas em outra! Então, não deixe de procurar um Nutricionista!

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High Fat é mesmo uma boa estratégia para emagrecer?

Durante décadas a gordura foi considerada a grande vilã das dietas e a principal causadora da obesidade e das doenças cardiovasculares. Tradicionalmente dietas bem restritas em gorduras (ou low fat) eram recomendadas para todos que quisessem perder peso, ou estivessem com o colesterol alto ou mesmo fossem diabéticos ou hipertensos, e a industria alimentícia não poupou esforços para atender a essa demanda, oferecendo uma infinidade de produtos “light” ou “zero gordura” (produtos onde a gordura é substituída por mais carboidrato, numa troca beeeem pior, na maioria das vezes).

Aí, mais recentemente, houve uma “ressurreição” das dietas low carb/high fat, com a “reabilitação” da gordura saturada, do ovo, da manteiga e até mesmo do bacon… e o resultado foi uma busca um tanto desenfreada por este tipo de alimentação (talvez numa compensação do inconsciente por tantas décadas de privação).

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Atualmente fala-se muito em aumentar o consumo da gordura, para compensar a (grande) restrição dos carboidratos e pra muita gente tá valendo qualquer tipo de gordura…a regra tem sido, quanto mais, melhor: bacon, queijos amarelos, linguiça, presunto, carne vermelha com bastante gordura, etc… tudo isso tá valendo, além das oleaginosas (castanhas, amêndoas, etc), abacate e coco.

Eu mesma acho que não precisamos restringir tanto a gordura, mas penso que equilíbrio e bom senso nunca são demais, já que exagerar na gordura, apesar de dar mais saciedade, pode contribuir realmente para o ganho de peso (e recuperação do peso perdido) e para o aumento das doenças metabólicas, como as cardiovasculares e a diabetes tipo 2. E não, o que vou falar não tem nada a ver com o colesterol ou a gordura saturada!

Não?

Não! Tem a ver com as alterações na microbiota (ou flora) intestinal, com a passagem de toxinas para a corrente sanguínea e com a inflamação crônica de baixa intensidade (mas bastante perigosa).

Praticamente tudo no mundo em que vivemos, contribui para termos uma microbiota intestinal alterada: hábitos alimentares errados (muito açúcar, carboidratos refinados, poucas fibras, muitos aditivos químicos, muito glúten, etc), poucas horas de sono, sono de qualidade ruim, estresse, uso frequente de antibióticos e de medicamentos que diminuem a acidez do estômago, entre outras coisas. Assim, passamos a ter mais bactérias Gram negativas (bactérias “do mal”), que ao morrerem, chegam facilmente à nossa circulação, causando inflamação principalmente onde a gordura está localizada (inclusive no fígado!). Os mesmos fatores que alteram a microbiota, são os mesmos que contribuem para espalhá-las pelo nosso corpo. Mas a gordura da alimentação é outro fator que contribui pra isso! Pior ainda se for gordura do tipo inflamatório (lembra do bacon e da gordura da picanha?)!!!

Explico: depois que a gordura é digerida, os ácidos graxos resultantes precisam ser distribuídos pelo corpo e para isso, são colocados numa esfera microscópica chamada de quilomícrons. Essas pequenas “bolinhas” também transportam as tais bactérias por todo o corpo e é aí que mora o perigo! Quanto mais gordura, mais quilomícrons são formados e mais bactérias (ou LPS) são espalhadas pelo corpo, gerando mais inflamação e … adivinhem: RESISTÊNCIA INSULÍNICA (aquela que todo mundo tenta evitar quando corta os carboidratos da dieta!!!)! E se pensarmos que muitas pessoas ao amentar a gordura, cortam inclusive os carboidratos das frutas e vegetais, o corpo fica sem defesas antioxidantes e anti-inflamatórias pra combater essa inflamação. O efeito disso, acaba sendo bem parecido que o efeito de uma alimentação cheia de açúcar e carboidrato ruim… ou seja, é praticamente trocar seis por meia dúzia! Sem falar que acaba sendo também uma alimentação com excesso de sódio (que piora a inflamação, aumenta o risco de cálculos renais e perda de cálcio dos ossos) e pobre em potássio e magnésio.

Outro problema, é que geralmente os adeptos das dietas high fat, consomem muita carne vermelha, que por sua vez, contém uma boa quantidade de carnitina, fundamental para a “queima” de gordura. Poxa, mas isso é ótimo, então! Não necessariamente! Pois se a microbiota intestinal estiver ruim, essa carnitina será metabolizada em compostos tóxicos que aumentam o risco de aterosclerose (formação de placas de colesterol, aquelas, que entopem as artérias). Pior ainda se você é dos que prefere churrasco e carne bem passada, que tá cheia de substâncias cancerígenas. E como nada é tão ruim que não possa piorar… se você não ingere os fatores protetores presentes nas frutas e hortaliças, tá lascado… lamento informar…

Ué? então é pra esquecer esse papo de aumentar gordura e reduzir carboidrato? Melhor se entupir de pão, bolo e biscoito?

Não! Claro que não!!!

A dica é reduzir os carboidratos “ruins”, priorizar os carboidratos bons (como o das frutas e e tubérculos), aumentar gorduras boas (peixes, azeite de oliva, abacate, coco, oleaginosas, gema de ovo), mas pegar bem leve nas outras (bacon, queijos amarelos, carne vermelha com gordura, linguiça, etc), equilibrando as fontes de proteínas.

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Detox pra começar bem o ano!

Depois do período de festas (e dos exageros gastronômicos e etílicos), começa a preocupação e peso na consciência. Fazer Detox parece a única saída e a solução milagrosa para “resetar” o corpo, perder peso e começar um novo ciclo. Suco verde com uma infinidade de variações, chás diversos, suchás (mix de sucos e chás), etc, prometem eliminar toxinas, ajudar na perda de peso, desinchar e “dar um refresco” para o pobre coitado do fígado…

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E será que tudo isso funciona mesmo? Adianta fazer dieta Detox? Tomar suco verde?

Acertou você que pensou… DEPENDE! (tá, eu sei que essa não é a resposta que a maioria espera, mas é a única resposta honesta à maioria das perguntas que envolvem Nutrição).

E por que depende???

Bom, vamos lá… Primeiramente vamos tentar compreender o que significar detoxificar. Segundo o Dicionário Informal, detoxificar (ou destoxificar ou desintoxicar) “é a ação ou resultado de desintoxicar (-se)ou retirar as substâncias potencialmente tóxicas de dentro do organismo“.

Ok. E como isso é feito? Alguém tem idéia?

Através do suor, da urina e das fezes. Sério! Essas são as vias pelas quais nós eliminamos todo e qualquer resíduo prejudicial à nossa saúde. Mas infelizmente quase todo mundo se preocupa muito com o efeito do que pode ser ingerido pra detoxificar, mas não se preocupa com a “saída”  e com a eliminação das toxinas… e isso é um grande problema.

O suor já um problema, pois no verão, todos tendemos a transpirar demais e a “solução” apresentada pela indústria de cosméticos são desodorantes antitranspirantes que prometer controlar o suor por até 48h ou mais! Tá…eu sei que é péssimo chegar encharcado de suor em qualquer lugar… mas impedir a transpiração é também impedir a eliminação de toxinas e é também interferir (de forma ruim) no controle da temperatura corporal (o suor existe para refrescar nosso corpo e impedir o super aquecimento interno). O que? Não dá pra dispensar o desodorante? Nem é possível substituí-lo por alternativas menos agressivas (como leite de magnésia com algumas gotinhas de algum óleo essencial)? Então, que tal não usar os antitranspirantes quando estiver em casa? Já é alguma coisa!

Outro ponto importante é que para detoxificar é necessário urinar! E bastante! Mas conheço muitas pessoas que não bebem água simplesmente para não precisarem ir ao banheiro! Tremendo tiro no pé, que pode se tornar um problema bem maior no futuro! São os rins que filtram o sangue e eliminam toxinas através da urina. Urina foi feita para ser eliminada e não guardada! Pessoas que urinam pouco, principalmente porque não bebem água, estão mais sujeitas a ter cálculo renal, principalmente no verão, época e que transpiram mais e desidratam mais depressa. Não beber água favorece também o inchaço, dificulta o controle da pressão arterial, provoca dor de cabeça (por causa da desidratação e também pelo acúmulo de toxinas) e ainda prejudica o funcionamento do intestino!

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(Imagem da internet)

Ficar com o intestino preso é o mesmo que guardar lixo dentro de casa… portanto, o resultado nunca será bom! Prisão de ventre (ou constipação intestinal) também favorece o cúmulo de toxinas, o inchaço (inclusive abdominal) e faz com que as pessoas fiquem “enfezadas”… irritadas, mal humoradas, desconfortáveis… porque estão “cheias de fezes”, e portanto… intoxicadas.

Mas você ainda não se convenceu da importância de um intestino que funciona bem? Intestino preso favorece o crescimento de bactérias “do mal” no intestino, condição conhecida como disbiose, que pode evoluir para SIBO (síndrome do super crescimento bacteriano no intestino delgado). Disbiose e SIBO atrapalham um bocado a digestão! Quase tudo o que se come (e bebe) fermenta, gera gases, distensão abdominal, desconforto. Só isso já seria motivo de sobra pra cuidar bem do intestino, certo?

Mas o problema não para por aí! Bactérias “do mal” morando no intestino geram inflamação (condição conhecida como endotoxemia), que contribuem para o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), alterações no colesterol (porque o fígado fica “focado” em produzir colesterol “ruim”), resistência insulínica e pra completar… sobrepeso e obesidade! Sim… bactérias ruins podem contribuir para a obesidade e para atrapalhar todos os planos de emagrecimento! Ou seja… não adianta se matar na academia, se preocupar com as calorias e não dar atenção ao intestino!

Ok, ok… já escrevi demais pra um primeiro post do ano…

E o que tudo isso tem a ver com as dietas detox, com os sucos verdes e tudo o mais? Simplesmente tem a ver o fato deles serem excelentes fontes de fibras (desde que os sucos não seja coados e nem preparados na centrífuga), líquidos, magnésio, vitaminas e compostos de ação antioxidante, que estimulam todas as funções que mencionei acima.

Em tempo! Uma alimentação com bastante frutas e hortaliças, pouco (ou nada) de produtos industrializados e bastante água, receba o o nome que receber, terá ação detox!

Então bora detoxificar, pessoal! E Feliz Ano Novo a todos!!!

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Hipoglicemia reativa – você sabe o que é?

Hipoglicemia, vem de hipo (pouco ou baix0) + glicemia (quantidade de glicose no sangue), ou seja, níveis de glicose abaixo de 70 mg/dL no sangue (considerando que a glicemia normal deve estar entre 70 e 99 mg/dL).

Diabéticos conhecem a hipoglicemia bem de perto, e são orientados sobre o que fazer quando ela der as caras, já que níveis muito baixos de glicose podem levar ao coma e até à morte. No caso deles, a hipoglicemia ocorre em função de um desequilíbrio entre a ingestão de carboidratos e as doses de insulina e/ou de hipoglicemiantes orais (medicamentos que diminuem a glicose), ou atraso no horário das refeições ou mesmo em função de maior atividade física. Então, eles já sabem que isso pode ocorrer e são orientados a ingerir alguma fonte de glicose, que aja rapidamente, como açúcar ou mel, por exemplo (em geral, bastam 15g de carboidrato para estabilizar a glicemia).

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Os carboidratos que consumimos são convertidos em glicose, que é usada como fonte de energia e o que não é imediatamente usado, é estocado em parte como glicogênio, no fígado e músculos e o excedente, é transformado em gordura (triglicerídios), armazenada no tecido adiposo. Entre uma refeição e outra e durante as fases inicias da atividade física, esse estoque de glicose, o glicogênio é “quebrado” para liberar glicose (processo conhecido como glicogenólise), mas como é um estoque pequeno, dependendo da necessidade (principalmente do cérebro, já que o restante do corpo pode trabalhar movido a gordura e corpos cetônicos), a glicose pode ser produzida a partir dos músculos… na verdade, a partir da “queima” de músculo, para liberar aminoácidos que podem “virar” glicose, processo conhecido como gliconeogênese. Esses processos acontecem o tempo todo e nem percebemos.

Mas e a hipoglicemia reativa? O que é isso? Como o próprio nome ja diz, ela ocorre de forma reativa, em reação ou resposta a alguma coisa… no caso, a um consumo prévio exagerado de carboidratos e/ou alimentos de alto índice glicêmico ou insulinêmico, seguido de uma produção exagerada de insulina pelo pâncreas. A cada aumento nos níveis de glicose no sangue, o pâncreas produz uma quantidade x de insulina. A insulina é o “porteiro” que abre as portas das células que formam nosso corpo, para que a glicose entre e seja transformada em energia. Sem insulina (como no diabetes), a glicose não entra, permanece alta no sangue e as células ficam “famintas” e sem energia.

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Na hipoglicemia reativa, como o pâncreas produziu muita insulina, sem necessidade (porque em alguns casos ele é um cara meio exagerado), a glicemia cai rapidamente e a pessoa experimenta sintomas como cansaço, sonolência, irritabilidade, mudanças no humor, suores intensos, mal estar, confusão mental e formigamento, principalmente na ponta dos dedos e lábios. Tudo isso dispara o sinal de alerta e o corpo corre pra tentar levantar essa glicemia, pois o cérebro precisa continuamente de glicose, e aí, vários hormônios entram em ação: glucagon, cortisol, adrenalina…. Esses hormônios ativam mecanismos de compensação, que atuam no fígado e nos músculos, para liberar glicose rapidamente. Enquanto a glicose não chega, além dos sintomas da hipoglicemia, ainda podemos ter palpitações, tremores, agitação e em alguns casos, o desconforto é tal, que pode ser confundido com crise de pânico! Junto a isso, pode surgir uma fome desesperadora e/ou uma vontade louca (ou compulsão mesmo) de comer alimentos com grande quantidade de carboidratos, como doces, por exemplo.

E aí até parece fazer sentido, né? Hipoglicemia se trata com uma dose extra de carboidrato. Só que não! Não??? Não!!! Como essa hipoglicemia foi causada por um estimulo excessivo ao pâncreas, que produziu uma “overdose” de insulina, o tratamento consiste na prevenção da hipoglicemia e depende de ajustes na quantidade de carboidrato consumido ao longo do dia, que precisa ser bem distribuído em todas as refeições e depende também de uma redução no índice glicêmico e insulinêmico da alimentação.

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Alimentos de alto índice glicêmico, como a batata, o pão e a cenoura, por exemplo, quando combinados com fontes de proteínas, fibras e gorduras boas, deixam a refeição com um índice glicêmico mais baixo e podem evitar a hipoglicemia. Mas, por exemplo, quando se consome um pão ou um biscoito com geleia de frutas, a absorção dessa refeição serão tão  rápida, que a pessoa terá hipoglicemia reativa. Esse mesmo efeito (hipoglicemia reativa) pode acontecer quando a refeição contém só laticínios (queijo, leite ou iogurte, por exemplo) ou laticínio + carboidrato de alto IG (exemplo, pão francês com queijo ou iogurte + biscoito), pois os laticínios estimulam o pâncreas a produzir grande quantidade de insulina (ou seja, possuem um alto índice insulinêmico).

A hipoglicemia reativa está associada a um quadro de hiperinsulinemia (produção excessiva de insulina) e leva ao que chamamos de resistência insulínica (IR). Na IR, a insulina produzida vai perdendo o efeito (as células se tornam resistentes a ela) e o pâncreas precisa produzir cada vez mais (e enquanto isso, a hipoglicemia reativa continua acontecendo), até que ele se “cansa” e a pessoa se torna diabética (diabetes tipo 2), pois mesmo com muita insulina, a glicemia não diminui mais como antes e medicamentos se tornam necessários para forçar sua diminuição. O quadro ainda pode evoluir para uma diminuição na produção de insulina! “Detalhe”: quanto mais hipoglicemia, seguida de consumo de carboidrato de alto IG, mais a pessoa tende a engordar, a piorar da RI e a desenvolver esteatose hepática!!!

E quem está mais propenso a ter hipoglicemia reativa / hiperinsulinemia / resistência insulínica? Pessoas com tendência genética ao diabetes tipo 2, principalmente se consomem muito carboidrato/carbo de alto índice glicêmico, excesso de peso e/ou ganho de peso rápido (coisa que acontece com muitos celíacos, principalmente os que haviam perdido peso até o momento do diagnóstico) e mulheres com SOP.

O tratamento basicamente consiste em ajustar (geralmente diminuir) as quantidades e o tipo de carboidrato na alimentação e diminuir alimentos de alto índice insulinêmico, além de atividade física, e se necessário, suplementação de nutrientes e fitoterápicos que diminuem a resistência insulínica.

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Low carb é a receita infalível para todos?

Atualmente um dos assuntos que mais se vê na blogosfera, Insta, Snap e tudo o mais é a dieta low carb/high fat. Pra mim, o pior é ver esse tema sendo falado e divulgado como se fosse realmente uma “dieta” e a salvação do mundo…

Primeiro, acho importante explicar que “low” em português, significa “baixo”, e “high“, significa “alto”, dois advérbios de intensidade, que apenas traduzem que a referida “dieta” possui pouco carboidrato e muita gordura. Tá, ok. Mas quanto é muito e quanto é pouco? Qual o referencial? O ponto de partida? Tenho visto um número “cabalístico” de 50g de carbo nas dieta “low carb” e 20g de nas “very low carb“. Sendo assim, significa dizer que 60 g de carbo já seria muito? E 100g um exagero? Mas para quem? Em que contexto? Com quais objetivos?

 

Se fosse tudo tão simples como andam dizendo por aí, e os carbos e a insulina esse veneno todo, então bora rasgar tudo o que já foi publicado contrário a dietas low carb, bora rasgar tudo o que fale de individualidade bioquímica e bora rasgar o diploma de milhares de bons Nutricionistas que conseguem ótimos resultados sem chegar a certos extremismos “internetanos”, né não?

NÃO!!! Vem comigo que no caminho eu explico!

É fato que reduzir a quantidade de carboidratos da alimentação reduz os níveis circulantes de insulina, de síntese de gordura e ajuda na perda de peso. Mas vocês sabiam que se o carboidrato que tá em excesso é simplesmente trocado por proteína, essa proteína também pode aumentar a insulina e “virar gordura”? E você sabia que mesmo cortando carboidrato e mantendo baixos níveis de insulina é possível engordar? Pois é… mas quase ninguém te conta essas coisas, né?… mas felizmente nos contaram numa disciplina chamada bioquímica, lá no inicio do curso de Nutrição… e ainda bem que existem blogs sérios por aí, como o do Sérgio Veloso, com posts sérios, que me poupam de escrever demais (além do que já escrevo) e poupam meus leitores de “ouvir” minha ladainha… rsrsrs

Aliás, todo excesso, seja ele de carbo, de proteína, de gordura ou até mesmo de água é prejudicial… Ok, mas como saber onde estão os excessos? Não é só cortar carboidrato e aumentar gordura e proteína que tá tudo certo? Bom seria se assim fosse e com todas as pessoas… o mundo estaria salvo da obesidade e da chatice dos nutricionistas (que seriam totalmente desnecessários). O excesso começa quando a ingestão ultrapassa os limites de queima de cada indivíduo (pensando na questão de ganho e perda de peso)… e estes limites sofrem influência de muitos fatores: sexo, idade, peso atual, altura, quantidade de massa muscular, nível de atividade física, horas de sono, atividades diárias, nível de estresse, doenças associadas, e fatores genéticos! Ou seja, para ao menos estimar o que seria excessivo para uma pessoa, precisamos avaliar todos esses fatores antes… e o que é muito pra um, pode ser muito pouco para outros…

O fato de dizermos que o EXCESSO de carboidratos é prejudicial, não dignifica dizer que todo e qualquer carboidrato fará mal! Da mesma forma que não podemos colocar todos os carboidratos e forma como são consumidos no mesmo bolo (perdoem o trocadilho). Uma coisa é consumir algo contendo grande quantidade de farinhas refinadas e açúcar (sacarose, aquele açúcar que todo mundo evita)… outra coisa é consumir frutas e tubérculos (sim, batatas, aipim, inhame). Mas também não adianta trocar o bolo feito com farinha e açúcar por outro cheio de maltodextrina, só porque na embalagem ta dizendo que é sem adição de açúcar! É sem adição do açúcar chamado sacarose, mas maltodextrina é um tipo de açúcar!

A desculpa de evitar alimentos com alto índice glicêmico (IG) também precisa ser revista… muita gente anda evitando comer cenoura (por exemplo), porque leu em algum lugar que seu IG era alto. E aí eu pergunto: você só vai comer cenoura? Vai para um rodízio de cenoura? Ou vai comer cenoura (até que coma uma unidade inteira, que pesa cerca de 100-120g e possui aí menos de 7g de carboidrato e 30 Calorias ou Kcal)  junto com outros alimentos, como uma salada de folhas (cheia de fibras), um pedaço de carne (com proteínas e gorduras), que no fim das contas, diminuem o índice glicemico da refeição?

E qual o motivo de fugir desesperado dos tubérculos? Em 100g de batata inglesa (a “pior”, segundo alguns “especialistas” – sob o ponto de vista do índice glicêmico) temos 12g de carboidratos e apenas 52 Calorias . Muito? Segundo a tabela TACO, tem bem menos que a queridinha batata doce, que nas mesmas 100g tem 18,2 g de carboidrato e 77 Calorias! Tá achando muito? Bom… em 100g ou 4 fatias de de pão de aveia (escolhi aveia pra ninguém dizer que eu tenho implicância com o trigo e to falando mal dele…rsrsrs), temos 59,6g de carbo e 343 Kcal e macarrão instantâneo (que eu sei que vocês não comem) temos aí 62,4g de carboidrato e…436 Kcal!!!

Aí eu pergunto: dá mesmo pra dizer que numa dieta low carb não pode entrar nenhum tubérculo? É… se for nessas low carbs que andam praticando por aí, que limitam o consumo de carbo em 20 (VINTE) GRAMAS ao dia, realmente não dá. Mas por favor, me expliquem QUAL A NECESSIDADE DISSO (devo ter faltado a essa aula, só pode!)??? A meu ver, 20g só pode ser algum numero cabalístico ou numero da sorte de alguém, porque a literatura cientifica não sustenta esses radicalismos por muito tempo para a perda de peso. Pode até ajudar realmente a perder peso na balança (boa parte sendo água e massa muscular e não exatamente gordura, principalmente nos primeiros dias), mas a longo prazo, a recuperação do peso se mostra maior que em pessoas que fizeram uma restrição moderada, como bem explicado aqui nesse outro post, também do Sérgio.

De toda forma, não estou dizendo que as pessoas precisam sair dessa restrição toda de carboidrato pra se jogarem num rodízio de massas… mas acho muito importante lembrar que não existe uma “receita de bolo” que sirva igualmente a todas as pessoas. Enquanto realmente alguns indivíduos parecem se beneficiar de níveis reduzidos de carboidratos (porque em sua individualidade bioquímica metabolizam melhor as proteínas e as gorduras), existem outros que necessitam de uma dose maior de carboidratos e neste segundo grupo, está boa parte de nós mulheres, que em função das flutuações hormonais atreladas ao nosso ciclo menstrual, temos alguns momentos de menor produção de serotonina. Se a serotonina está baixa, consequentemente a melatonina também está e o cortisol encontra-se mais alto. Uma das maneiras que o corpo tem de equilibrar essa bagunça, é fazendo com que nossa vontade de comer doce aumente. Mas não é necessário que ninguém se afunde numa caixa de bombom pra reduzir cortisol (até porque aí teremos outros desequilíbrios, envolvendo insulina, hipoglicemias reativas e tudo o mais, que acabam por gerar compulsão em algumas pessoas e mal estar em muitas outras). Mas podemos facilmente equilibrar cortisol, serotonina e melatonina aumentando a quantidade de carboidratos, com a inclusão de frutas (outras, além de abacate, coco e berries) e hortaliças (lembram da cenoura e das batatas?).

E isso porque nem falei ainda sobre a quantidade de vitaminas e antioxidantes que os vegetais possuem.. e antes que alguém diga que batata “é só amido”, já vou avisando que ela é fonte de antioxidantes como luteína (um carotenóide, “primo” do betacaroteno) e zeanxatina, com importante função protetora da visão…

E ainda tem mais! Sério!

Restrições radicais de carboidratos “estressam” a glândula tireoide e diminuem a taxa metabólica basal. Conquência disso? Menor perda de peso, e maior facilidade de recuperar o peso perdido… Pessoas com hipotireoidismo também não deveriam fazer cortes radicais de carboidratos, porque isso atrapalha ainda mais a função tireoidiana e a longo prazo, favorece o ganho de peso.

Quando se pensa em perda de peso, e principalmente em não recuperar o peso perdido, é importante evitar certos radicalismos e promessas de perda rápida e pensar a longo prazo. Ao se praticar restrições grandes de carboidrato, a cada “jacada” (coisa que eu particularmente detesto e já expliquei aqui no blog o porque), o impacto de muito carboidrato de uma só vez é grande… e as pessoas invariavelmente se sentem mal, inchadas, com dor de cabeça, com problemas digestivos e com ganho de peso/dificuldade para continuar perdendo.

Aí eu pergunto novamente: QUAL A NECESSIDADE DISSO?

Não seria mais coerente buscar a orientação de um profissional e fazer uma dieta individualizada, equilibrada, elaborada a partir da analise de todos os fatores que já mencionei? As chances de dar errado seriam muito menores e as chances de sucesso, muito maiores!

Dieta Low Carb não é sinônimo de comer bacon como se não houvesse amanhã

E nem de se “entupir de carne” ou embutidos ou laticínios, como (infelizmente) muitos pensam e divulgam por aí…

Como já falei aqui, dieta low carb pode ser muita coisa (e coisas ruins, diga-se de passagem), mas o bom senso nos diz que low carb é uma redução na ingestão habitual de carbos, principalmente carbos vindos de pães, biscoitos, massas, doces, refrigerantes e produtos industrializados em geral (sucos/refrescos, gelatinas, cereais matinais, empanados, etc). E mesmo que o objetivo seja a perda de peso (e não só o controle de problemas metabólicos, como diabetes, resistência insulínica ou esteatose hepática), não há porque evitar frutas, hortaliças  ou mesmo tubérculos!

Mas há uma crença generalizada de que low carb é a senha para se tornar frequentador assíduo de churrascarias rodízio ou para se esbaldar nos embutidos e laticínios… aliás, esse é o maior erro que as pessoas cometem!

Dietas com restrição de carboidratos são usadas principalmente com a finalidade de melhorar a sensibilidade à insulina (ou seja, fazer com que o corpo otimize o uso da insulina existente e não produza demais, sem necessidade) e consequentemente, melhorar o controle glicêmico, os níveis de colesterol e triglicerídios, reverter a esteatose hepática, reduzir o peso corporal (e principalmente o percentual de gordura corporal) e ainda no tratamento e prevenção do câncer… E todas essas situações tem em comum o fato de haver  disbiose intestinal (alterações na microbiota intestinal), presença de inflamação e endotoxemia (translocação ou passagem de toxinas e restos celulares – LPS – das bactérias intestinais para a corrente sanguínea).

Tá, mas e o que isso tem a ver com não comer frutas e hortaliças e exagerar nas proteínas e gorduras???

alimentos paleo

Tem TUDO a ver, e vou explicar:

  1. A carne dos animais que temos hoje tem um perfil de gordura mais inflamatório em função da alimentação que estes animais recebem, geralmente muito diferente da alimentação que eles escolheriam se vivessem soltos por aí… sem falar que os animais criados para o abate, vivem confinados (para gastarem menos energia e engordarem mais rápido) e tomam antibióticos com frequência (porque ficam mais doentes), que por sinal, alteram sua flora microbiana natural e favorecem o ganho de peso. Além disso, os resíduos de antibioticos presentes na carne que consumimos também altera nossa microbiota…
  2. Carne e principalmente os embutidos e queijos possuem grande quantidade de sódio, que pode aumentar a pressão arterial, causa edema (inchaço), favorece a formação de cálculos renais e a perda de cálcio dos ossos e ainda estão relacionados a um risco maior de câncer de estômago;
  3. Laticínios, independente da quantidade de lactose, prossuem proteínas e aminoácidos que aumentam a produção da insulina (por isso diz-se que possuem alto índice insulinêmico) e de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina). Isso é importante e benéfico quando se trata de filhoes e bebês em fase de crescimento e pessoas desnutridas que necessitam recuperar seu estado nutricional. Mas pode ser um “tiro no pé” de pessoas com resistencia insulínica, sobrepeso e até mesmo diversos tipos de câncer;
  4. Frutas e hortaliças possuem fibras, importantíssimas para a boa função intestinal e eliminação das toxinas que necessitam ser eliminadas pelas fezes. Essas fibras também são capazes de melhorar a nossa microbiota (“flora”) intestinal, favorecem o crescimento de bactérias “do bem” e estimulam a produção de ácidos graxos de cadeia curta, substâncias importaantes para a saúde intestinal, para o controle dos níveis de colesterol (aumento do HDL e diminuição do LDL) e diminuição da inflamação relacionada à endotoxemia. Lembrando que, intestino preso é o caminho mais rápido para desenvolver SIBO ou crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, condição que causa diversos problemas e aumenta a inflamação.
  5. Além disso, frutas e hortaliças possuem vitaminas e compostos bioativos de ação anti-inflamatória e antioxidantes, que neutralizam a ação dos radicais livres e a inflamação. Também possuem magnésio e potássio, necessários ao equilíbrio do pH do corpo (evitando acidez excessiva que “rouba” o cálcio dos ossos para ser neutralizada), estes minerais também são importantes para a manutenção de níveis mais baixos de pressão arterial e prevenção de cálculos renais;
  6. Muita gente foge das frutas com medo da frutose. De fato, frutose demais é um perigo, pois aumenta os triglicerídios, o ácido úrico, causa gota e piora o quadro da síndrome metabólica. Mas é importante dizer que não é a frutose naturalmente presente nas frutas! A frutose “do mal” é a que está no xarope de milho, presente numa infinidade de produtos industrializados (muitas vezes disfarçada com o nome de açúcar invertido ou açúcar líquido), como refrigerantes, sucos “de caixinha”, biscoitos, pães, barrinhas e cereais matinais, achocolatados e iogurtes. Frutose também está presente na sacarose, o açúcar de cana (ou açúcar de mesa), que muitos usam com exagero e que também esta presente (em alguns casos, junto com o xarope de milho) em muitos produtos industrializados:
  7. Solidos de xarope de milhorotulo_barra-cereais_022
  8. E por último, há estudos mostrando que o consumo de frutas é mais eficaz para a perda de peso que sua exclusão da dieta:
  9. Frutose
    Post do prof Marcelo Carvalho no FB

Nutricionista é parceiro e não carrasco!

Frequentemente recebemos perguntas do tipo “Posso comer isso?”, “Por que não posso comer aquilo?”, “Estou proibida de comer…?”, “Quando poderei sair da dieta?”, “Não há um dia do lixo?”, “Por quanto tempo tenho que fazer essa dieta?”, etc…

Apesar de comum, sinceramente não consigo achar esse tipo de questionamento normal, a começar pelo “dia do lixo” ou “dia livre”. Primeiro que ninguém come (ou pelo menos não deveria comer) LIXO! Comida é comida e mesmo produtos industrializados nada saudáveis, não deveriam ser chamados de lixo… ok, não podem de forma alguma serem chamados de comida, mas comer lixo é algo muito triste, que infelizmente em pleno século XXI algumas pessoas ainda fazem pra sobreviver:

Comida no lixo
Imagem da internet

Então, por favor… não deseje ter um “dia do lixo”! Seja grato (a) por tudo o que há em sua mesa! Aproveite a oportunidade para pensar sobre desperdício e sobre racionalizar a compra de alimentos/produtos alimentícios…

Mas se você deseja desesperadamente “sair da dieta” ou “comer livremente”, tá na hora de parar, pensar e ser honesto (a) consigo mesmo (a). Se há necessidade de “sair” é por que não está bom do jeito que está. E por que não está bom? Talvez porque exista um desejo um tanto irreal de plantar maçãs e colher amoras… quer dizer, de comer livremente produtos pouco saudáveis e ainda assim manter a saúde e não engordar… Talvez porque a comida esteja sendo usada como válvula de escape para aliviar o estresse ou os descontentamentos do dia a dia ou esteja sendo usada como “prêmio”…

Infelizmente terei de bancar a chata e dizer que não é possível ter tudo o que queremos e do jeito que queremos. Não estou dizendo que “dieta” seja sinônimo de sofrimento e privação, porque também não é isso! Muito pelo contrario! Mas acredito que durante décadas as pessoas se acostumaram a “fechar a boca” e “passar fome” para perder peso rapidamente e em seguida, tomam o caminho oposto de “comer tudo livremente”, recuperando todo o peso perdido e ganhando outros tantos, de brinde… Aliás, muita gente só procura o Nutricionista quando não sabe mais o que fazer, ou quando estão “desesperados” ou quando fazem tudo o que já sabem e não conseguem mais emagrecer. Há ainda quem acredite que Nutricionista só atende e só cuida de pessoas acima do peso. Isso é o resultado de conceitos um tanto distorcidos sobre o que é dieta, sobre as funções do Nutricionista e sobre o que é alimentação saudável…

De um modo geral, todo mundo tem noção de que comer frutas, legumes e verduras é saudável e que comer doces e tomar refrigerante não é. Mas ainda assim, há grande resistência e dificuldade em agir de acordo com o que se sabe ser melhor, e os motivos são vários…

Outra questão importante é a ilusão com as informações destacadas em rótulos de produtos industrializados e em propagandas na TV/jornais/revistas/internet. Essas propagandas nos levam a crer que comer um biscoito “integral, rico em fibras e enriquecido com vitaminas e minerais”, por exemplo, é mais saudável que comer uma fruta. Não importa que as frutas tenham naturalmente muito mais fibras, vitaminas e minerais… vale o que está no rótulo. Será? Eu, provavelmente contrariando muitos especialistas em marketing, acredito que o que é bom, nem precisaria de propaganda ou de rótulo, mas nossa sociedade, de um modo geral, parece necessitar de algo por escrito. Talvez por isso, uma empresa que venda bananas tenha apelado e colocado rótulo em seu produto…

bananalightweb
Foto da internet

Ok, se o produto é orgânico e tem certificação, tem q vir escrito mesmo. Mas péra… banana light? Pra que isso, minha gente? Será que é porque ta cheio de gente com medo de comer banana, já que andam “proibindo” frutas nas dietas de emagrecimento? Vai saber…

Enfim, voltando ao início da conversa… o papel do Nutricionista não é proibir, não é bancar o carrasco e brigar ou penalizar o “paciente rebelde”. Isso JAMAIS!!! Estamos aqui pra dar a mão, pra ajudar com escolhas mais saudáveis, mais condizentes com os resultados desejados e com as necessidades de saúde de cada um. Também estamos aqui pra respeitar o livre arbítrio, porque sim, as pessoas tem o direito de escolher não cuidar da própria saúde, por mais que isso nos doa e nos preocupe. Não podemos impor um tratamento a quem não quer se tratar ou a quem diz que quer mas age como se não quisesse.

Mas para quem quer uma orientação, nós podemos indicar o caminho e ajudar a traçar o roteiro da “viagem”. Por exemplo, se a pessoa está no RJ e precisa chegar em SP, há diversas formas de chegar… pode ir de carro (dirigindo ou de carona), pode ir de ônibus, de avião ou mesmo de bicicleta ou pé (vai demorar, vai se cansar, mas uma hora chega lá). Pode parar no meio do caminho pra descansar, pode pedir ajuda e informação, etc. Mas se essa mesma pessoa, compra uma passagem pra Bahia… ela não chega a SP (pode até ser que chegue, mas demorando mais tempo, se estressando mais e gastando mais dinheiro, sem necessidade).

E o que isso tem a ver com alimentação e com Nutricionistas? Ficou doida?

Bom… se você quer perder peso, por exemplo, existem diversos meios de conseguir (você seguir uma abordagem em que precise comer menores porções, porem mais vezes ao dia, pode intercalar pequenos momentos de jejum, comendo só quando tem fome, pode fazer uma porção de coisas, de preferência devidamente orientadas por um Nutricionista que vai avaliar caso a caso e indicar as opções mais viáveis e mais adequadas a cada individuo)… mas não será indo na direção oposta (por exemplo, “passando fome a semana toda” pra ter “dia do lixo” nos fins de semana, e comer enlouquecidamente como “se não houvesse amanhã”, que isso será possível…

Ainda vale lembrar que é possível comer de tudo e ainda sim ser saudável. Mas quando falo “comer de tudo”, to me referindo a “comida de verdade” e não a produtos alimentícios cheios de aditivos e componentes de nomes estranhos que tentam enganar seu corpo, até porque, nosso corpo, sabiamente, não se deixa enganar! Aproveito aqui pra sugerir a leitura de 2 livros que tem tudo a ver com o que estou falando: “Em Defesa da Comida”, do jornalista Michael Pollan e “Sal, açúcar e Gordura”, de Michael Moss

E como eu ia dizendo, dá pra ser saudável e ainda assim, comer 1 fatia de bolo de chocolate no lanche de domingo. O que não dá é passar a semana inteira só comendo alface e na sexta a noite partir pra um rodízio de massas e comer de tudo o que for servido. Ou chegar na festinha de sábado e comer todos os salgadinhos, docinhos, bolo (com muito açúcar e cheio de gordura hidrogenada na cobertura) e se encher de refrigerante/cerveja… faz algum sentido viver assim? Alternar privação com excesso? Pra mim, sinceramente não faz…

equilíbrio é muito mais sensato e benéfico. Exagerou na macarronada do almoço de domingo? Pega leve no jantar e na segunda. Mas sem sofrimento e sem culpa, porém com responsabilidade sobre as próprias escolhas.

E não, não vamos brigar… eu pelo menos não brigo com meus pacientes (nem ponho de castigo… rsrsrsrsrs)… primeiro porque, como falei, não é essa a minha função. E segundo porque quando fazemos algo que não é benéfico para nós, nosso próprio corpo se encarrega de dizer que aquilo não foi ou não está sendo legal… basta aprendermos a ouvi-lo.

Você realmente sabe o que está comendo?

Muitas pessoas tem o hábito de olhar a tabela de composição nutricional dos produtos industrializados antes de decidir o que comprar e geralmente compram os que apresentam alegações como “zero açúcar”, “zero gordura”, “zero lactose”, “light”, etc… acreditando que essas realmente são as melhores opções.

light

Mas será que são mesmo?

Quando um produto recebe a alegação “zero açúcar”, significa que não recebeu adição de sacarose ou açúcar de mesa… aquele nosso velho conhecido, branquinho, geralmente produzido a partir da cana de açúcar. Entretanto, pode conter outras fontes de carboidratos, como a frutose, naturalmente presente nas frutas, amido modificado, maltodextrina, etc. O mesmo acontece com os produtos “light”, que para receberem esta denominação, precisam ter uma redução de 25% das calorias em relação a versão comum. Para reduzir calorias, é necessário mexer na composição do produto e retirar parte (ou toda) a gordura e geralmente isso é feito substituindo-a por carboidratos. Esse recurso é muito usado tanto para manter a cremosidade (de um iogurte por exemplo) ou a consistencia/crocancia (de um biscoito), além da redução energética, pois enquanto cada grama de gordura possui 9 Kcal, cada grama de carboidrato possui apenas quatro. A princípio isso parece ótimo, não é mesmo? (só que não).

Muitos produtos “light” ou “zero gordura” podem ter muito mais carboidratos que a versão comum e isso para quem busca a perda de peso pode ser um “tiro no pé”, pois carboidratos nunca foram muito bons em conferir saciedade e por estimularem a liberação de insulina, em algumas pessoas, podem inclusive aumentar a fome e estimular a compulsão, principalmente se estivermos falando de alguém que apresenta hiperinsulinemia e/ou resistência insulínica! Nesses casos, muitas vezes é melhor ficar com a versão original, mas calórica, mas que em compensação, confere mais saciedade e, consequentemente, ajuda a comer menos ao longo do dia. Isso sem falar no “efeito psicológico” do “ah, se é light, então posso comer mais”…

E por falar em carboidratos, o que muita gente não sabe é que existem inúmeras formas de adicioná-los a um produto, e até mesmo em grande quantidade, porém “disfarçado” de outros nomes! Maltodextrina, xarope de milho, açúcar invertido, açúcar líquido, amido modificado… tudo isso, numa “tradução” mais popular é açúcar e podem ser bem piores que a sacarose! Piores? Como???

Começando pelo fato de estarem “escondidos” em refrescos industrializados, refrigerantes, molhos de salada, condimentos industrializados, biscoitos, pães, iogurtes e até mesmo em … batata frita!!! (ou você ainda acha que as batatas congeladas ficam mais douradinhas a toa? Tem adição de carboidrato lá (além do amido natural da batata) para caramelizar na hora da fritura (processo conhecido como Reação de Maillard) e deixar tudo bem dourado e crocante!

Carboidratos ou hidratos de carbono são os populares açúcares e a sacarose é apenas um deles. São vários os carboidratos que existem na natureza e sua classificação baseia-se no tamanho das moléculas:

Monossacarídeos são os carboidratos mais simples, como por exemplo, glicose, frutose, galactose;

Dissacarídeos são formados pela ligação de 2 monossacarídeos: glicose + galactose = lactose, glicose + frutose = sacarose; glicose + glicose = maltose;

Polissacarídeos são formados pela ligação de vários monossacarídeos: amido (várias glicoses – reserva de carboidratos dos vegetais), frutooligossacarídeos (muitas glicoses e 1 frutose), glicogenio (muitas glicoses – reserva de carboidrato dos seres humanos e animais). A quantidade de glicogênio é praticamente zero nas carnes, porém o amido é a principal fonte energética dos vegetais que ingerimos.

A maltodextrina, muito conhecida dos frequentadores de academias de ginástica, é um derivado (um subproduto da hidrólise ou quebra enzimática) do amido (geralmente do amido de milho). Possui um índice glicemico mais alto que o do amido, em função de sua rápida absorção. Isso, para quem faz exercícios e quer aumentar a massa muscular, é ótimo, pois seu consumo após o treino, em combinação com proteínas, estimula a rápida liberação de insulina e consequentemente, acelerar a captação de glicose e dos aminoácidos para nutrir o músculo “faminto”. Mas em pessoas que estão acima do peso, seu consumo frequente, acaba não sendo benéfico…

A dica, é não se prender apenas na tabela de composição nutricional dos produtos, até porque, muitas vezes a porção informada ali é uma porção um tanto irreal, já que nem sempre corresponde ao quanto será ingerido. eia sempre a lista de ingredientes, que geralmente está em letras bem pequenas… é ali que está a principal fonte de informação de um produto. É ali onde você vai saber, por exemplo, se o iogurte é só leite e fermento lácteo ou se é na verdade quase um mingau, cheio de farinha adicionada, ou se o produto “zero açúcar” não contém outros carboidratos, que precisem ser considerados.

E quanto aos “zero lactose”?

Atualmente eles foram “descobertos” e muita gente tem preferido comparar a versão “zero lactose” de leite, iogurtes e queijos. Mas será que eles são melhores? E são melhores para todo mundo? Qual a vantagem em conumi-los? E por serem zero, será que podem ser consumidos livremente?

Bom, pra começo de conversa, vamos explicar como eles são produzidos:

Seja no caso do leite, do iogurte ou dos queijos, o que se faz, é adicionar a enzima lactase ao produto, durante a fabricação, para que ela faça a quebra da lactose em glicose e galactose, antecipando a etapa que deveria contecer no intestino delgado dos consumidores. A partir do momento que essa quebra ocorre, temos glicose e galactose (que será convertida em glicose, no nosso corpo) prontamente disponíveis para serem absorvidas, sem o desconforto, o mal estar e os efeitos adversos que a versão comum de tais produtos causa em quem tem intolerancia a lactose.

Lactose e lactase

Tudo bem, que estima-se que quase 70% da população mundial tenha algum grau de IL, que tende a piorar com a idade, a medida que a enzima lactase vai deixando de ser produzida, mas mesmo para as pessoas que possuem IL diagnosticada, o consumo de pequenas quantidades de lactose (como a que está presente num queijo, por exemplo) não costuma causar nenhum problema. Mas como podem existir diferentes graus de intolerancia (muitas vezes agravados por alterações na flora/microbiota intestinal), há pessoas que se sentem melhor quando zeram o teor de lactose da dieta.

Mas se é “zero” posso consumir “a vontade”?

Claro que não! Primeiro porque não é saudável exagerar no consumo de nada e nem água em excesso é bom. Segundo pq tais produtos não são livres de calorias e se o objetivo é a perda de peso, lamento informar, mas eles também podem contribuir para o ganho de peso, principalmente pq tendo glicose e galactose prontinhas pra serem absorvidas, é um trabalho a menos pro nosso corpo!

leite

E só mais uma coisinha! convém lembrar que muitas pessoas pessoas acima do peso, apresentam um quadro de hiperinsulinemia e/ou resistência insulinica (como ja falei lá no início) e pra essas pessoas, exagerar no consumo de laticínios, só piora a coisa, pois o perfil de proteínas (e aí não há nenhuma relação com a quantidade de lactose no produto) presentes em tais produtos, com seu alto teor do aminoácido leucina, estimulam a liberação de insulina! E insulina demais aonde ja está sobrando é o mesmo que colocar mais lenha na fogueira!

E antes que eu me esqueça, há ainda pessoas que possuem hipersensibilidade às proteínas do leite, mas por algum motivo acreditam que tem intolerância a lactose. para estas pessoas, o consumo de laticínios “zero lactose”, pode ser perigoso pois pode desencadear uma reação alérgica grave, principalmente no caso das crianças!

zero lactose

Dieta Paleo e Dietas Low Carb / High Fat – tudo farinha do mesmo saco?

Frequentemente percebo uma grande confusão entre conceitos como Dieta Paleo (ou Paleolítica) e dietas Low Carb/High Fat, como se tudo fosse exatamente a mesma coisa, então resolvi tentar explicar.

alimentos paleo

Anteriormente eu já havia falado a respeito da Dieta Paleolítica, que inclusive foi tema do meu TCC na pós de Nutrição Clínica e Funcional, nesse post aqui. Estou muito longe de me considerar uma especialista ou mesmo pesquisadora do assunto pois nunca fui a campo, como o prof Staffan Lindeberg, da Universidade de Lund na Suécia, por exemplo. Mas há pelo menos uns 3 anos que me debruço atentamente sobre este assunto e tenho procurado aprender com quem estuda o tema a sério, há mais tempo que eu. Assim, não há como falar deste tema, sem citar nomes como o do próprio Sttafan Lindeberg, que conduziu o estudo de Kitava na década de 1990 e pesquisadores não menos importantes como Tommy Jöhnsson, Linda Frassetto, Loren Cordain, Boyd Eaton, Fritz Muskiet, Bodo Melnik, Remko Kuipers, Maelan Fontes Villalba e o meu amigo, Pedro Carrera Bastos. Todos eles tem artigos publicados sobre o tema, que podem ser encontrados no Pubmed, base de dados de artigos científicos (alguns já estou disponibilizando os links aqui mesmo, ao longo do texto, para quem quiser estudar um pouco mais). Também recomendo a leitura deste texto, do Oscar Picazo: http://oscarpicazo.es/2012/10/10/busquemos-la-verdad/

É óbvio que não dá pra generalizar (até porque cada pesquisador tem uma linha de raciocínio e de trabalho e os trabalhos não são todos iguais), mas de uma forma bem geral, eu arriscaria dizer que todos eles são unânimes numa coisa …o que não era consumido durante o Paleolítico e nos benefícios à saúde deste modelo ou template alimentar. Em relação aos benefícios, os artigos apontam para melhora no controle do diabetes mellitus e reversão da resistência insulinica, melhora da inflamação em doenças autoimunes, tratamento da síndrome metabólica e prevenção de doenças cardiovasculares  e melhor controle do peso corporal, entre outros benefícios.

Por motivos pra lá de óbvios, já que estamos falando de um tempo onde o ser humano vivia da caça e da coleta, que sequer possuía uma “casa de verdade” e local onde armazenar alimentos, a alimentação consistia em tudo aquilo que não necessitasse de técnicas culinárias elaboradas ou armazenamento por tempo prolongado, já que tudo estragava bem depressa.

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Então “alimentos” como bacon e embutidos, por exemplo, não estavam na lista. Laticínios muito menos! Aliás, aqui cabe um parêntese: nossos ancestrais podiam ser valentes e habilidosos caçadores, mas eu apostaria, sem medo de errar, que nenhum deles era louco o suficiente para desafiar uma fêmea de qualquer animal selvagem com seu filhote, apenas para beber leite! Quem tem animais de estimação em casa sabe muito bem como as fêmas protegem seus filhotes… se dóceis cachorrinhas se transformam em feras quando sua cria está sob ameaça, imaginemos a cena de alguém tentando se aproximar de uma búfala selvagem e seu filhote…

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Em relação aos laticínios, infelizmente o problema não fica por aqui, principalmente se estivermos falando de pessoas com sobrepeso, resistência insulínica, diabetes, acne e SOP. Nunca é demais lembrar que o leite, antes de ser um alimento, é um verdadeiro promotor de crescimento… e sua ação nesse sentido ocorre ao estimular a liberação de insulina (por isso dizemos que leite e derivados possuem um elevado índice insulinênico), Tal fato se deve ao perfil de aminoácidos de suas proteínas, com alto teor do aminoácido leucina, capaz de estimular uma das principais vias de sinalização de crescimento celular, a via do mTOR. Se por um lado o estímulo a essa via é vantajoso para aqueles que buscam aumentar sua massa muscular, ou estão desnutridos ou mesmo em fase de crescimento, pode ser um péssimo negógio para quem tem acne, sobrepeso/obesidade ou mesmo fatores de risco para o desenvolvimento de câncer e doenças neurodegenerativas. E o que temos visto em muitas dietas low carb/high fat é um estímulo ao consumo desenfreado de laticínios, que num primeiro momento até ajuda a diminuir o peso, mas que a longo prazo, não é sustentável…

Além disso, açúcar, sal, refrigerantes, farinhas e seus derivados, como pães, bolos, biscoitos, salgadinhos e produtos industrializados, tampouco existiam. Então o que sobrava pra nossos ancestrais consumirem? Bem… isso dependia muito do local onde moravam e da estação do ano em que se encontravam, mas o fato é que nenhum deles estava preocupado com conferir calorias, quantidade de carboidratos e índice glicêmico do encontravam para comer. A regra básica era: é de comer? “Bora comer!”. É venenoso (e geralmente isso só era descoberto após alguns acidentes fatais), então não serve! Simples (talvez nem tanto), assim! E como eles podiam ao menos suspeitar se era comida ou veneno? O sabor dava pistas… se adocicado, era comida… se fosse amargo, as chances de ser venenoso, eram grandes. Hoje em dia, já não podemos mais confiar tanto nisso, já que há uma infinidade de “venenos” adocicados sendo vendidos por aí como “comida” e há diversos medicamentos amargos…

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Mas como eu estava dizendo, a questão que norteava a escolha de alimentos era a necessidade de sobrevivência, então nada podia ser desperdiçado… então, valia tudo, inclusive comer toda a gordura dos animais abatidos e todas as frutas e tubérculos encontrados, sem qualquer preocupação com níveis glicêmicos e aumento de insulina… e qualquer coisa que servisse para enriquecer as refeições, era bem vindo: ovos, mel e até mesmo larvas e insetos (ecaaaaa… vc deve estar dizendo nesse exato momento, mas lembremos que tais ingredientes continuam sendo considerados como alimento em muitas culturas!). E por falar em glicose e insulina, uma das coisas que mais me chamou a atenção nos artigos do prof Lindeberg, é que os habitantes de Kitava apresentavam um consumo elevado de carboidratos (passando dos 60% do valor energético total consumido), porém na forma de tubérculos e frutas e seu consumo de proteína animal era reduzido (só lembrando aqui que os caras moram numa ilha, distantes da civilização e sem grandes possibilidades de criarem enormes rebanhos como os que estamos habituados aqui no Brasil) e ainda assim, pareciam imunes às doenças da civilização… nada de diabetes, nem de síndrome metabólica, ou hipertensão ou doenças cardiovasculares ou mesmo câncer! E apesar de pesarem pouco mais que outras populações com padrão alimentar semelhante ao do Paleolítico, eles não apresentavam sobrepeso! No trabalho publicado por Kuipers (2010), os carboidratos forneciam entre 38-40% do VET

Já num estudo realizado por Cordain, em 2002, a ingestão de carboidratos estava na faixa de 22 a 40% do VET, mas com uma ingestão média de 42g de fibras ao dia.

Então, só a título de exemplificação, se tomarmos por base uma dieta de 2000 Kcal/dia, como as utilizadas como padrão ára muitas recomendações nutricionais atuais, em Kitava, teríamos um consumo diário de (não se assustem!) 300 g de carboidratos! Como cheguei a esse valor? Simples: cada grama de cho (ou de proteína) possui 4Kcal… em 60% de 2000 Kcal, temos 1200 Kcal vindas de CHO; Divindindo-se esse valor por 4, temos 300g.

No estudo de Cordain, a quantidade de CHOs tem uma variação maior, mas ainda assim, o consumo ficaria entre 110 e 200g de carboidratos ao dia.

O padrão alimentar em Kitava, realmente não pode ser considerado low carb, entretanto, os valores mencionados por Cordain, sim, já que para ser low carb, é necessário que a ingestão de carboidratos esteja abaixo dos percentuais recomendados para a população em geral (entre 50 e 70% do VET, se usarmos a edição anterior do Guia Alimentar da População Brasileira). Entretanto, os defensores das dietas Low Carb, praticam e recomendam valores muito mais baixos que estes, que em algumas situações, chegam a meros 20g de CHO ao dia (o que daria em torno de 4, isso mesmo QUATRO por cento do VET!). O que mais me preocupa em relação ás dietas com índices tão baixos assim de carboidratos, é a praticamente total ausência de frutas (geralmente as únicas consumidas são abacate, coco e algumas berries, quando muito) e legumes (vegetais como cenoura, abóbora, beterraba, chuchu, entre outros) e consumo (muitas vezes excessivo) de carnes gordurosas, embutidos e laticínios, no que me parece mais uma mistura (não muito boa) de conceitos vindos das Dietas do Paleolítico, com dietas cetogênicas no estilo das dietas Atkins e Dukan.

Aqui cabe outro parentese: estamos no século XXI e ninguém mais precisa sair pra caçar e podemos os dar ao luxo de manter nossa “caça” guardada e devidamente etiquetada no freezer, para aquece-la no microondas. Da mesma forma, que podemos incluir alimentos que não eram consumidos por nossos ancestrais, como um chocolate amargo por exemplo, ou um suco de fruta natural ou mesmo um cafezinho.

Mas voltando aos carboidratos, eu particularmente fico muito preocupada com taxas tão baixas praticadas por algumas pessoas que se dizem Paleo, visto que nem todos se adaptam metabolicamente a isso e principalmente nós mulheres, estamos mais sujeitas aos efeitos colaterais causados por tamanha restrição… podemos apresentar desde insônia a alterações no humor até distúrbios tireoidianos, queda de cabelo e suspensão da menstruação (com possíveis prejuízos na fertilidade, inclusive). E mesmo quando estamos falando dos homens, tanta restrição, a longo prazo, pode não ser muito benéfica, princpalmente quando pensamos no tanto de antioxidantes e compostos bioativos presentes nos vegetais, que deixam de ser consumidos, e do tanto de gordura de maior potencial inflamatório ingerido. Outra questão é que a gordura dos nossos animais modernos, além da maior concentração de ácidos graxos Ômega-6 (em função da sua alimentação baseada em grãos), torna-se carreadora de uma infinidade de toxinas ambientais, às quais estão diariamente expostos (poluição, medicamentos, derivados do petróleo, agrotóxicos, etc).

Não que eu seja contra o consumo de gorduras ou mesmo defensora de dietas low fat radicais (a não ser em casos realmente necessários, frequentemente vistos nos hospitais), mas penso que precisamos ser muito racionais na escolha das fontes de gordura consumidas! Uma coisa é ingerir coco (cuja gordura ainda possui ação anti fúngica, por exemplo), azeite de oliva e seus polifenóis, abacate e seu betasitosterol (capaz de neutralizar os efeitos do estresse crônico, diminuindo os níveis de cortisol), peixes gordos e seu Ômega-3 de ação anti-inflamatória. Outra coisa bem diferente é comer embutidos industrializados, contendo alto teor de sódio e gordura inflamatória…

Então, como eu havia começado a dizer, bem la no início do texto… Dietas Paleolíticas podem ser low carb sim (mesmo que o consumo de frutas e hortaliças seja alto) quando comparadas ao padrão alimentar ocidental, que contém entre 50 a 70% de carboidratos, fornecidos principalmente por cereais polidos, farinhas refinadas e açúcar (sacarose, xarope de milho, maltodextrina, etc). Mas o mais importante de tudo é a fonte dos carboidratos consumidos e o que mais, além de CHO os alimentos estão fornecendo (e nem vou falar de glúten hoje! Prometo! rsrs).

Mas não é só isso! O foco não pode ser apenas os macronutrientes! As Dietas do Paleolítico continham pouco sódio e cloro e possuiam grande quantidade de potássio e magnésio e nas dietas ocidentais modernas, essas taxas se inverteram… consumimos muito sódio e cloro e pouco potássio e magnésio… os efeitos dessa inversão podem ser vistos nos impactos negativos que causam a saúde, como formação de cálculos renais e desmineralização óssea (e maior risco de osteoporose, mesmo com o elevado consumo de cálcio, vindo dos laticínios), por exemplo. Vale lembrar que quando falamos de sódio, não estamos falando apenas do sal de cozinha, mas também de produtos industrializados de um modo geral, principalmente aqueles que possuem aditivos contendo sódio, como sacarina de sódio, ciclamato de sódio, propionato de sódio, entre tantos outros… e já que vc chegou até aqui, que tal um exercício? Vá até sua despensa e geladeira/freezer e leia atentamente a lista de ingredientes dos produtos que vc tem em casa… tente ao menos encontrar uns 5 que não possuem sódio adicionado…

E onde está o potássio e o magnésio? Exatamente em tudo o que não tem (e não precisa de) rótulo, a começar pelas frutas, que muita gente anda deixando de lado com medo de ingerir carboidratos…

Cortei o glúten e não consigo emagrecer!

Com tanta gente cortando o glúten da alimentação,pensando justamente em emagrecer, muitos celíacos se assustam ao começarem a engordar após o diagnóstico da Doença Celíaca (DC) e inicio da dieta sem glúten e não conseguem entender os motivos. Decidi então escrever pra tentar explicar porque isso acontece.

Imagem encontrada na internet
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  1. Uma das consequências da DC (antes do diagnóstico) é a atrofia da mucosa intestinal e má absorção de nutrientes. Logo, ao excluirmos o glúten (tirando assim o agente agressor), nosso intestino desinflama, se recupera e voltamos a absorver os nutrientes da maneira adequada.
  2. Após períodos de desnutrição (ou de má absorção), o corpo tenta “correr atrás do prejuízo” e otimiza os mecanismos de absorção, pra tentar tirar o máximo de proveito possível de tudo o que é ingerido;
  3. O glúten, apesar de estar presente na farinha de trigo (e em muitas preparações feitas com ela) é uma proteína. As farinhas usadas para substituir o trigo, contém uma quantidade muito menor de proteínas e mais carboidratos, logo, ao fazermos as substituições, passamos a consumir mais carboidratos (e na forma de farinha refinada, de alto índice glicêmico), o que contribui para o aumento de peso;
  4. Além disso, muitas preparações sem glúten, contém maior quantidade de sal, açúcar e/ou gordura, como forma de “copmpensar” a  falta do gluten na consistencia e textura, o que as torna mais “engordativas” que a versão original.
  5. O sódio, além de favorecer a retenção de líquidos (que pode aumentar o peso,por inchaço), também aumenta a absorção dos carboidratos ingeridos… ou seja, tudo o que contém grande quantidade de sódio também acaba engordando mais!
  6. O fato de lidarmos com uma restrição alimentar, que sabemos que será PRA SEMPRE, nos leva a pensar mais vezes no que vamos comer e aumenta nossa preocupação com o risco de privação alimentar. Isso acaba por nos levar, mesmo que involuntariamente, a buscar mais comida e a comer quantidades maiores ou com maior frequência;
  7. A consciência da privação alimentar também aumenta nosso foco sobre os alimentos substitutos dos que estávamos habituados a consumir e nos faz esquecer de todos aqueles naturalmente isentos de glúten (e geralmente os mais nutritivos e menos calóricos) como frutas, legumes, verduras, carnes magras, arroz, feijão, etc;
  8. Ao prepararmos nossas receitas com ingredientes sem glúten, nem sempre temos com quem dividir os pratos ( e muitas vezes nem queremos dividir… rsrs), e consequentemente acabamos comendo mais;
  9. Ao encontrarmos algo que podemos comer e que seja gostoso, também acabamos comendo mais.
  10. Muitos celíacos não se exercitavam antes do diagnóstico, devido a falta de disposição e energia e continuam sem se exercitar após iniciar a dieta, só que absorvendo melhor tudo o que é ingerido.
  11. Muitos celíacos também apresentam disfunção tireoidiana (hipotireoidismo, Tireoidite de Hashimoto), que favorecem a retenção de líquidos e o ganho de peso, já que o metabolismo se torna mais lento.
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Os fatores que contribuem para o sobrepeso em celíacos são muitos e estes são só alguns exemplos. Mas de um jeito ou de outro, celíacos necessitam de acompanhamento nutricional, realizado por um profissional que entenda do assunto, para que todos estes fatores sejam avaliados, para que deficiências nutricionais sejam avaliadas e tratadas e para promover a adequação do peso e prevenir as complicações do sobrepeso, como o aumento dos níveis de colesterol e de triglicerídios, para tratar a resistência insulínica e para evitar a síndrome metabólica.