Detox pra começar bem o ano!

Depois do período de festas (e dos exageros gastronômicos e etílicos), começa a preocupação e peso na consciência. Fazer Detox parece a única saída e a solução milagrosa para “resetar” o corpo, perder peso e começar um novo ciclo. Suco verde com uma infinidade de variações, chás diversos, suchás (mix de sucos e chás), etc, prometem eliminar toxinas, ajudar na perda de peso, desinchar e “dar um refresco” para o pobre coitado do fígado…

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E será que tudo isso funciona mesmo? Adianta fazer dieta Detox? Tomar suco verde?

Acertou você que pensou… DEPENDE! (tá, eu sei que essa não é a resposta que a maioria espera, mas é a única resposta honesta à maioria das perguntas que envolvem Nutrição).

E por que depende???

Bom, vamos lá… Primeiramente vamos tentar compreender o que significar detoxificar. Segundo o Dicionário Informal, detoxificar (ou destoxificar ou desintoxicar) “é a ação ou resultado de desintoxicar (-se)ou retirar as substâncias potencialmente tóxicas de dentro do organismo“.

Ok. E como isso é feito? Alguém tem idéia?

Através do suor, da urina e das fezes. Sério! Essas são as vias pelas quais nós eliminamos todo e qualquer resíduo prejudicial à nossa saúde. Mas infelizmente quase todo mundo se preocupa muito com o efeito do que pode ser ingerido pra detoxificar, mas não se preocupa com a “saída”  e com a eliminação das toxinas… e isso é um grande problema.

O suor já um problema, pois no verão, todos tendemos a transpirar demais e a “solução” apresentada pela indústria de cosméticos são desodorantes antitranspirantes que prometer controlar o suor por até 48h ou mais! Tá…eu sei que é péssimo chegar encharcado de suor em qualquer lugar… mas impedir a transpiração é também impedir a eliminação de toxinas e é também interferir (de forma ruim) no controle da temperatura corporal (o suor existe para refrescar nosso corpo e impedir o super aquecimento interno). O que? Não dá pra dispensar o desodorante? Nem é possível substituí-lo por alternativas menos agressivas (como leite de magnésia com algumas gotinhas de algum óleo essencial)? Então, que tal não usar os antitranspirantes quando estiver em casa? Já é alguma coisa!

Outro ponto importante é que para detoxificar é necessário urinar! E bastante! Mas conheço muitas pessoas que não bebem água simplesmente para não precisarem ir ao banheiro! Tremendo tiro no pé, que pode se tornar um problema bem maior no futuro! São os rins que filtram o sangue e eliminam toxinas através da urina. Urina foi feita para ser eliminada e não guardada! Pessoas que urinam pouco, principalmente porque não bebem água, estão mais sujeitas a ter cálculo renal, principalmente no verão, época e que transpiram mais e desidratam mais depressa. Não beber água favorece também o inchaço, dificulta o controle da pressão arterial, provoca dor de cabeça (por causa da desidratação e também pelo acúmulo de toxinas) e ainda prejudica o funcionamento do intestino!

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(Imagem da internet)

Ficar com o intestino preso é o mesmo que guardar lixo dentro de casa… portanto, o resultado nunca será bom! Prisão de ventre (ou constipação intestinal) também favorece o cúmulo de toxinas, o inchaço (inclusive abdominal) e faz com que as pessoas fiquem “enfezadas”… irritadas, mal humoradas, desconfortáveis… porque estão “cheias de fezes”, e portanto… intoxicadas.

Mas você ainda não se convenceu da importância de um intestino que funciona bem? Intestino preso favorece o crescimento de bactérias “do mal” no intestino, condição conhecida como disbiose, que pode evoluir para SIBO (síndrome do super crescimento bacteriano no intestino delgado). Disbiose e SIBO atrapalham um bocado a digestão! Quase tudo o que se come (e bebe) fermenta, gera gases, distensão abdominal, desconforto. Só isso já seria motivo de sobra pra cuidar bem do intestino, certo?

Mas o problema não para por aí! Bactérias “do mal” morando no intestino geram inflamação (condição conhecida como endotoxemia), que contribuem para o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), alterações no colesterol (porque o fígado fica “focado” em produzir colesterol “ruim”), resistência insulínica e pra completar… sobrepeso e obesidade! Sim… bactérias ruins podem contribuir para a obesidade e para atrapalhar todos os planos de emagrecimento! Ou seja… não adianta se matar na academia, se preocupar com as calorias e não dar atenção ao intestino!

Ok, ok… já escrevi demais pra um primeiro post do ano…

E o que tudo isso tem a ver com as dietas detox, com os sucos verdes e tudo o mais? Simplesmente tem a ver o fato deles serem excelentes fontes de fibras (desde que os sucos não seja coados e nem preparados na centrífuga), líquidos, magnésio, vitaminas e compostos de ação antioxidante, que estimulam todas as funções que mencionei acima.

Em tempo! Uma alimentação com bastante frutas e hortaliças, pouco (ou nada) de produtos industrializados e bastante água, receba o o nome que receber, terá ação detox!

Então bora detoxificar, pessoal! E Feliz Ano Novo a todos!!!

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Imagem encontrada na internet
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Cortei o glúten e não consigo emagrecer!

Com tanta gente cortando o glúten da alimentação,pensando justamente em emagrecer, muitos celíacos se assustam ao começarem a engordar após o diagnóstico da Doença Celíaca (DC) e inicio da dieta sem glúten e não conseguem entender os motivos. Decidi então escrever pra tentar explicar porque isso acontece.

Imagem encontrada na internet
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  1. Uma das consequências da DC (antes do diagnóstico) é a atrofia da mucosa intestinal e má absorção de nutrientes. Logo, ao excluirmos o glúten (tirando assim o agente agressor), nosso intestino desinflama, se recupera e voltamos a absorver os nutrientes da maneira adequada.
  2. Após períodos de desnutrição (ou de má absorção), o corpo tenta “correr atrás do prejuízo” e otimiza os mecanismos de absorção, pra tentar tirar o máximo de proveito possível de tudo o que é ingerido;
  3. O glúten, apesar de estar presente na farinha de trigo (e em muitas preparações feitas com ela) é uma proteína. As farinhas usadas para substituir o trigo, contém uma quantidade muito menor de proteínas e mais carboidratos, logo, ao fazermos as substituições, passamos a consumir mais carboidratos (e na forma de farinha refinada, de alto índice glicêmico), o que contribui para o aumento de peso;
  4. Além disso, muitas preparações sem glúten, contém maior quantidade de sal, açúcar e/ou gordura, como forma de “copmpensar” a  falta do gluten na consistencia e textura, o que as torna mais “engordativas” que a versão original.
  5. O sódio, além de favorecer a retenção de líquidos (que pode aumentar o peso,por inchaço), também aumenta a absorção dos carboidratos ingeridos… ou seja, tudo o que contém grande quantidade de sódio também acaba engordando mais!
  6. O fato de lidarmos com uma restrição alimentar, que sabemos que será PRA SEMPRE, nos leva a pensar mais vezes no que vamos comer e aumenta nossa preocupação com o risco de privação alimentar. Isso acaba por nos levar, mesmo que involuntariamente, a buscar mais comida e a comer quantidades maiores ou com maior frequência;
  7. A consciência da privação alimentar também aumenta nosso foco sobre os alimentos substitutos dos que estávamos habituados a consumir e nos faz esquecer de todos aqueles naturalmente isentos de glúten (e geralmente os mais nutritivos e menos calóricos) como frutas, legumes, verduras, carnes magras, arroz, feijão, etc;
  8. Ao prepararmos nossas receitas com ingredientes sem glúten, nem sempre temos com quem dividir os pratos ( e muitas vezes nem queremos dividir… rsrs), e consequentemente acabamos comendo mais;
  9. Ao encontrarmos algo que podemos comer e que seja gostoso, também acabamos comendo mais.
  10. Muitos celíacos não se exercitavam antes do diagnóstico, devido a falta de disposição e energia e continuam sem se exercitar após iniciar a dieta, só que absorvendo melhor tudo o que é ingerido.
  11. Muitos celíacos também apresentam disfunção tireoidiana (hipotireoidismo, Tireoidite de Hashimoto), que favorecem a retenção de líquidos e o ganho de peso, já que o metabolismo se torna mais lento.
Imagem encontrada na internet
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Os fatores que contribuem para o sobrepeso em celíacos são muitos e estes são só alguns exemplos. Mas de um jeito ou de outro, celíacos necessitam de acompanhamento nutricional, realizado por um profissional que entenda do assunto, para que todos estes fatores sejam avaliados, para que deficiências nutricionais sejam avaliadas e tratadas e para promover a adequação do peso e prevenir as complicações do sobrepeso, como o aumento dos níveis de colesterol e de triglicerídios, para tratar a resistência insulínica e para evitar a síndrome metabólica.

Sobre Nutricionistas e Parafusos

Essa semana vi esse texto circulando pelo Facebook. Não sei que é o(a) autor(a), mas o mesmo me levou a uma série de reflexões sobre o trabalho do Nutricionista e a forma como as pessoas o enxergam.

“O sistema de computadores caríssimo de uma multinacional deu pau,todos os técnicos passaram horas tentando consertá-lo,mais de nada adiantou,ai um dos técnicos falou:
-Chama o japonês,só ele vai dar jeito.
A diretoria da impressa mais do que depressa chamou o japonês,ele chegou e examinou o equipamento por alguns minutos,pegou uma chave de fenda e apertou um parafuso.
Olhou para os diretores e disse:
-Pronto!Está funcionando perfeitamente.
Os diretores logo perguntaram:
-Quanto ficou seu serviço?
E o japonês respondeu:
-Ficou R$ 1.000,00.
-Você esta ficando louco só apertou um parafuso,
eu quero um relatório por escrito do que foi feito.

Apertar um parafuso:R$ 1,00
Saber qual parafuso apertar:R$ 999,00

Desconheço o autor da foto. Se souberem quem é, por favor, me informem para os devidos créditos.
Desconheço o autor da foto. Se souberem quem é, por favor, me informem para os devidos créditos.

Moral da historia:só você pode valorizar seu conhecimento
ou passar a vida trabalhando de graça.”

No caso, “saber qual parafuso apertar“, podemos traduzir como a “expertise” de cada profissional… seu grau de conhecimento sobre um determinado assunto, os cursos que já fez, as (incontáveis) horas de estudo dedicada a cada assunto e os anos de experiência na área.

Muita  gente (por desconhecimento) pensa que o trabalho do Nutricionista se resume a “passar uma dieta“.

E aqui cabe uma breve análise do que entendem por “dieta”: seria um papel com informações prontas, capazes de resolver um determinado problema por um curto período de tempo, como um mantra escrito, que repetido à exaustão fosse nos libertar de um determinado problema… perder peso rapidamente (essas sim, são as dietas que mais dão Ibope), baixar os níveis de colesterol, de glicose ou mesmo de ácido úrico.

Tem gente que acha que dieta é igual a receita de bolo, que será a mesma para qualquer pessoa, em qualquer circunstancia e em qualquer parte do planeta!

Seria ótimo se fosse assim… boa parte dos problemas da humanidade estariam resolvidos! Bastaria “dar um Google” ou procurar a “moda antiga”, uma revista numa banca de jornal e pronto… tudo resolvido. Mas acho que nem preciso dizer que todo mundo já percebeu que isso não funciona. pelo menos não a longo prazo e sabem por que não funciona?

Simplesmente porque cada ser humano é único! Cada um traz uma história de vida, cada um tem uma genética (e considerando que estamos no Brasil, o maior “caldeirão genético” do planeta, nunca 2+2 serão igual a 4), uma rotina. E sem falar nas diferenças fisiológicas entre homens e mulheres, nas diferentes fases da vida, nos hábitos alimentares, nas diferenças de clima entre cada região do país (e do planeta), na disponibilidade de alimentos, no quanto cada um está disposto a investir em alimentação, no tempo dedicado a preparar as refeições (ou na ausência dele). São tantas variáveis que precisam ser avaliadas só no inicio da conversa, que só por aí já dá pra perceber o porque das “dietas” não funcionarem…

Quando alguém procura o Nutricionista, partimos do princípio que esta pessoa está preocupada com sua saúde, quer mudar seus hábitos e adotar uma alimentação mais saudável… pelo menos aqueles que estão atentos à prevenção de problemas. Alguns só nos procuram quando algo já aconteceu e precisam de orientações especializadas para determinada condição clínica, seja ela a obesidade, o diabetes, o excesso de colesterol, as doenças auto imunes, alergias alimentares, etc. E ainda tem aqueles cujo objetivo é melhorar o rendimento esportivo. Para todas essas pessoas, o Nutricionista tem muito a oferecer, menos “uma dieta”!

Pode parecer um contra-senso, mas é isso mesmo! Como eu disse antes, dieta pressupõe algo que será feito por um curto período de tempo, ficando num determinado objetivo. Objetivo alcançado, adeus dieta. Isso funciona? Só funciona se for pra te ajudar a entrar no vestido de noiva daqui a 2 semanas, mas não garante que você esteja bem e em condições de aproveitar a sua festa (imagina a noiva desmaiando no mesmo da festa por má nutrição! Se ainda fosse de emoção, vá lá, mas por falta de comida ou por causa de uma “dieta”, não, né?) e muito menos a lua de mel.

Já o trabalho de um profissional responsável e estudioso, é capaz de ajuda-lo a atingir seus objetivos, e ganhando em saúde e bem estar. Dá pra chamar isso de dieta? Óbvio que não! Nutricionistas sérios, responsáveis e éticos colocam o bem estar e a saúde acima de tudo e muitas vezes precisam “desiludir” o paciente, quando seus objetivos estão além do que é possível conseguir de forma saudável e segura. Mas ao mesmo tempo que “desiludem”, são os parceiros capazes de indicar o melhor caminho e de auxiliar durante a caminhada.

Dieta? Não, obrigada!

No dia a dia, pra simplificar e poupar tempo, eu até chamo de dieta, mas quando eu uso essa palavra, no fundo quero dizer “planejamento dietético individualizado, para o qual eu precisei levar em consideração fatores genéticos, exames laboratoriais, sinais e sintomas associados a deficiências nutricionais, condições clínicas, presença de alergias ou intolerâncias alimentares, doenças crônicas em tratamento, uso de medicamentos e de suplementos, sexo, idade, estilo de vida, qualidade do sono, horas de sono, numero e qualidade das refeições diárias, habilidades culinárias, tempo que pode ser dedicado ao preparo das refeições, refeições realizadas fora de casa, ufaaaa… e objetivos“. Por isso eu chamo de dieta… rsrsrs.

Ou seja, pode até parecer fácil para olhos menos atentos… mas não é! E imagine sintetizar tudo isso em apenas 60-90 minutos de consulta? Colher todas as informações necessárias, fazer um mapa mental, correlacionando todas as informações com tudo aquilo que já foi estudado pelo profissional até aquele memento e “traduzir” o resultado destas associações ou mapa mental em alguns papéis contendo informações sobre uma conduta inicial! E quando há necessidade de suplementar com probióticos, vitaminas, minerais, fibras ou prescrever algum fitoterápico? No mapa mental ainda é necessário incluir as doses, a dose indicada para aquele paciente, naquele momento, por conta daquela condição, e ainda pensar nas possíveis interações medicamento-nutriente, nutriente-nutriente, fitoterápico-nutriente-medicamento, forma farmacêutica que será prescrita (cápsula? pó? xarope? gotas? infusão?) e possíveis efeitos colaterais! Pronto… terminado o processo, é hora de entregar ao paciente seu planejamento dietético inicial e dar todas as explicações necessárias e orientá-lo quanto ao tempo em que aquele planejamento deverá ser seguido e por quanto tempo a suplementação deverá ser tomada. Sim! Porque tal prescrição foi feita para aquele momento. Dali a um mês, nada daquilo pode estar mais servindo a mesma pessoa e so o profissional que elaborou a conduta inicial, terá as melhores condições de re-avaliar o que pode ser mantido (não há nenhuma regra pra isso… a taxa de manutenção de uma conduta num segundo momento pode variar de 0 a 100%). Então, ficar trocando de profissional todo mês, pode não ser uma boa idéia!

Ah! E eu falei que as respostas às conduta/suplementação não serão imediatas? Acho que não…

Diferentemente da ação de alguns medicamentos, como os usados pra dor ou febre, que tem ação rápida, os efeitos da suplementação e da própria mudança nos hábitos alimentares precisam de algum tempo para serem “percebidos” pelo corpo (ou metabolizados) e se tornarem “visíveis” para o paciente… por isso a importância de se manter uma constância naquilo que foi programado. Não adianta tomar hoje o probiótico e achar que só essa dose será suficiente para recolonizar todo o seu intestino (castigado por anos de alimentação errada, aditivos alimentares, antibióticos, medicamentos, noites mal dormidas, etc) e resolver problemas como constipação, diarréia, alergias, alterações de permeabilidade intestinal, etc… mas aposto que não foi isso que uma certa propaganda de iogurte te fez acreditar, não é mesmo?

Por isso muitas vezes precisamos pedir paciência aos nossos pacientes. Meio redundante isso, mas eu prefiro chamar meus clientes de pacientes, à moda antiga, porque eu não me vejo como uma “vendedora de serviços”, eu me vejo como uma “cuidadora da saúde e do bem estar“. Uma vez uma paciente muito querida me chamou de “guardiã da saúde“… achei até engraçado, porque parece coisa de desenho animado de super-herói, mas no fundo eu gostei dessa denominação, porque é bem isso fazemos… guardamos ou zelamos pela saúde e qualidade de vida daqueles que confiam em nosso trabalho… a meu ver é algo muito mais profundo (e que tem um grau muito maior de compromisso, parceria e responsabilidade) que a relação com um cliente. Mas cada profissional prefere chamar deum  jeito e não estou aqui pra julgar ninguém, nem pra dizer que um é melhor que outro!

Enfim… depois tanto papo, o que eu realmente gostaria de dizer é: busque orientação de quem sabe “qual parafuso apertar” (numa alusão ao texto cima) ou seja, de quem entende verdadeiramente do assunto! Não aceite uma mera dieta que não foi feita pra você! Procure por um profissional que te trata como indivíduo, como pessoa única que você é, mesmo que você tenha o mesmo problema de saúde que milhares de pessoas também tem. Mas tenha em mente que o custo de tanto empenho, tanto conhecimento e até mesmo tanta energia investida por um profissional não vão custar o mesmo que uma “dieta” que você encontra na banca mais próxima.

Grande abraço, pessoal!

E até a próxima!

Juliana