Eu já cortei o glúten da minha alimentação. Por que preciso de Nutricionista?

Essa é uma dúvida muito recorrente entre celíacos, sensíveis ao glúten e alérgicos ao trigo. Como a dieta livre de glúten é o único tratamento reconhecido pela comunidade científica e realmente eficaz nessas condições, é comum que as pessoas acreditem que a exclusão pura e simples dos alimentos fontes de glúten seja capaz de resolver todos os seus problemas…

Só que não…

Esse material que elaborei para a Fenacelbra, mostra que a exclusão de glúten é apenas o primeiro passo na caminhada em busca de mais saúde e qualidade de vida! http://www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/blog/2013/03/23/cartilha-10-passos-para-a-alimentacao-do-celiaco/

Infelizmente a maior parte dos diagnósticos tem sido feita tardiamente, geralmente após anos de “peregrinação”. Quanto mais tarde o diagnóstico e quanto mais tarde o início da exclusão de glúten (e da implantação de cuidados em relação a contaminação cruzada), mais lenta tende a ser a melhora no quadro clínico. Tal fato se agrava se a alimentação antes do diagnóstico era cheia de alimentos industrializados (processados e ultraprocessados), altamente calórica, cheia de aditivos químicos, sal, açúcar e gordura, porem muito pobre em nutrientes e muito pior fica, se na exclusão de glúten só lembramos dos substitutos a base de farinhas sem glúten e esquecemos da “comida de verdade”!

As Desordens Relacionadas ao Glúten (DRG) e principalmente a Doença Celíaca (DC) causam inflamação (no caso da DC, há inflamação e atrofia da mucosa intestinal, onde os nutrientes são absorvidos) e má absorção de diversos nutrientes. Quanto mais tempo de deficiência nutricional, e quanto mais graves estas deficiências, mais lenta será a recuperação e ainda assim, para que ocorra uma recuperação completa, muitas vezes é necessário, além da dieta, a suplementação de micronutrientes (vitaminas e minerais), de aminoácidos (como glutamina e/ou arginina) e de probióticos.

As deficiências nutricionais podem causar diversos tipos de anemia (dependendo do nutriente mais prejudicado – ferro ou vitamina B12 ou ácido fólico), cãibras, dores musculares, fadiga, alterações no paladar, queda da imunidade contra vírus e bactérias, prejuízos na cicatrização de feridas, infertilidade, alterações na função tireoidiana, dificuldade de concentração, diminuição da memória e até mesmo alterações neurológicas mais sérias.

O Nutricionista, é o profissional certo para avaliar essas deficiências nutricionais, seja através de exames laboratoriais, seja atraves da avaliação de sinais e sintomas (já que algumas não aparecem em exames de sangue, ou quando aparecem é porque o nível de deficiência está bem crítico) e através da análise dos hábitos alimentares. A partir daí é possível traçar estratégias para reverter tais deficiencias e prevenir que elas retornem no futuro.

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Imagem encontrada na internet

Através da alimentação / suplementação também é possível acelerar a recuperação da mucosa intestinal dos celíacos, diminuindo o risco da persistência das deficiências e diminuindo também o risco de surgirem hipersensibilidades alimentares decorrentes das alterações na permeabilidade intestinal, sempre presente na DC.

Caso as DRG venham acompanhadas de outras alergias/hipersensibilidades alimentares (alergia ao leite de vaca ou a soja ou a outros grãos, por exemplo) ou intolerâncias (intolerância a lactose ou aos Fodmaps, por exemplo), o Nutricionista também é o profissional certo para adequar o planejamento alimentar e indicar suplementação, se for necessário.

Sem falar aqueles que ainda ganham peso excessivo ou aumentam muito o acumulo de gordura abdominal após a exclusão do glúten. estas pessoas, além de possivelmente continuarem com as deficiências nutricionais, estão mais sujeitas à síndrome metabólica, com alterações na pressão arterial, resistência insulina, diabetes tipo 2, esteatose hepática, etc…

Mas é importante alertar sobre a necessidade de continuidade do tratamento! Numa única consulta é impossível fazer todas as adequações necessárias e mesmo que seja possível, é necessário acompanhar a evolução (e a melhora) de cada parâmetro avaliado e da melhora do paciente como um todo!

 

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Você realmente sabe o que está comendo?

Muitas pessoas tem o hábito de olhar a tabela de composição nutricional dos produtos industrializados antes de decidir o que comprar e geralmente compram os que apresentam alegações como “zero açúcar”, “zero gordura”, “zero lactose”, “light”, etc… acreditando que essas realmente são as melhores opções.

light

Mas será que são mesmo?

Quando um produto recebe a alegação “zero açúcar”, significa que não recebeu adição de sacarose ou açúcar de mesa… aquele nosso velho conhecido, branquinho, geralmente produzido a partir da cana de açúcar. Entretanto, pode conter outras fontes de carboidratos, como a frutose, naturalmente presente nas frutas, amido modificado, maltodextrina, etc. O mesmo acontece com os produtos “light”, que para receberem esta denominação, precisam ter uma redução de 25% das calorias em relação a versão comum. Para reduzir calorias, é necessário mexer na composição do produto e retirar parte (ou toda) a gordura e geralmente isso é feito substituindo-a por carboidratos. Esse recurso é muito usado tanto para manter a cremosidade (de um iogurte por exemplo) ou a consistencia/crocancia (de um biscoito), além da redução energética, pois enquanto cada grama de gordura possui 9 Kcal, cada grama de carboidrato possui apenas quatro. A princípio isso parece ótimo, não é mesmo? (só que não).

Muitos produtos “light” ou “zero gordura” podem ter muito mais carboidratos que a versão comum e isso para quem busca a perda de peso pode ser um “tiro no pé”, pois carboidratos nunca foram muito bons em conferir saciedade e por estimularem a liberação de insulina, em algumas pessoas, podem inclusive aumentar a fome e estimular a compulsão, principalmente se estivermos falando de alguém que apresenta hiperinsulinemia e/ou resistência insulínica! Nesses casos, muitas vezes é melhor ficar com a versão original, mas calórica, mas que em compensação, confere mais saciedade e, consequentemente, ajuda a comer menos ao longo do dia. Isso sem falar no “efeito psicológico” do “ah, se é light, então posso comer mais”…

E por falar em carboidratos, o que muita gente não sabe é que existem inúmeras formas de adicioná-los a um produto, e até mesmo em grande quantidade, porém “disfarçado” de outros nomes! Maltodextrina, xarope de milho, açúcar invertido, açúcar líquido, amido modificado… tudo isso, numa “tradução” mais popular é açúcar e podem ser bem piores que a sacarose! Piores? Como???

Começando pelo fato de estarem “escondidos” em refrescos industrializados, refrigerantes, molhos de salada, condimentos industrializados, biscoitos, pães, iogurtes e até mesmo em … batata frita!!! (ou você ainda acha que as batatas congeladas ficam mais douradinhas a toa? Tem adição de carboidrato lá (além do amido natural da batata) para caramelizar na hora da fritura (processo conhecido como Reação de Maillard) e deixar tudo bem dourado e crocante!

Carboidratos ou hidratos de carbono são os populares açúcares e a sacarose é apenas um deles. São vários os carboidratos que existem na natureza e sua classificação baseia-se no tamanho das moléculas:

Monossacarídeos são os carboidratos mais simples, como por exemplo, glicose, frutose, galactose;

Dissacarídeos são formados pela ligação de 2 monossacarídeos: glicose + galactose = lactose, glicose + frutose = sacarose; glicose + glicose = maltose;

Polissacarídeos são formados pela ligação de vários monossacarídeos: amido (várias glicoses – reserva de carboidratos dos vegetais), frutooligossacarídeos (muitas glicoses e 1 frutose), glicogenio (muitas glicoses – reserva de carboidrato dos seres humanos e animais). A quantidade de glicogênio é praticamente zero nas carnes, porém o amido é a principal fonte energética dos vegetais que ingerimos.

A maltodextrina, muito conhecida dos frequentadores de academias de ginástica, é um derivado (um subproduto da hidrólise ou quebra enzimática) do amido (geralmente do amido de milho). Possui um índice glicemico mais alto que o do amido, em função de sua rápida absorção. Isso, para quem faz exercícios e quer aumentar a massa muscular, é ótimo, pois seu consumo após o treino, em combinação com proteínas, estimula a rápida liberação de insulina e consequentemente, acelerar a captação de glicose e dos aminoácidos para nutrir o músculo “faminto”. Mas em pessoas que estão acima do peso, seu consumo frequente, acaba não sendo benéfico…

A dica, é não se prender apenas na tabela de composição nutricional dos produtos, até porque, muitas vezes a porção informada ali é uma porção um tanto irreal, já que nem sempre corresponde ao quanto será ingerido. eia sempre a lista de ingredientes, que geralmente está em letras bem pequenas… é ali que está a principal fonte de informação de um produto. É ali onde você vai saber, por exemplo, se o iogurte é só leite e fermento lácteo ou se é na verdade quase um mingau, cheio de farinha adicionada, ou se o produto “zero açúcar” não contém outros carboidratos, que precisem ser considerados.

E quanto aos “zero lactose”?

Atualmente eles foram “descobertos” e muita gente tem preferido comparar a versão “zero lactose” de leite, iogurtes e queijos. Mas será que eles são melhores? E são melhores para todo mundo? Qual a vantagem em conumi-los? E por serem zero, será que podem ser consumidos livremente?

Bom, pra começo de conversa, vamos explicar como eles são produzidos:

Seja no caso do leite, do iogurte ou dos queijos, o que se faz, é adicionar a enzima lactase ao produto, durante a fabricação, para que ela faça a quebra da lactose em glicose e galactose, antecipando a etapa que deveria contecer no intestino delgado dos consumidores. A partir do momento que essa quebra ocorre, temos glicose e galactose (que será convertida em glicose, no nosso corpo) prontamente disponíveis para serem absorvidas, sem o desconforto, o mal estar e os efeitos adversos que a versão comum de tais produtos causa em quem tem intolerancia a lactose.

Lactose e lactase

Tudo bem, que estima-se que quase 70% da população mundial tenha algum grau de IL, que tende a piorar com a idade, a medida que a enzima lactase vai deixando de ser produzida, mas mesmo para as pessoas que possuem IL diagnosticada, o consumo de pequenas quantidades de lactose (como a que está presente num queijo, por exemplo) não costuma causar nenhum problema. Mas como podem existir diferentes graus de intolerancia (muitas vezes agravados por alterações na flora/microbiota intestinal), há pessoas que se sentem melhor quando zeram o teor de lactose da dieta.

Mas se é “zero” posso consumir “a vontade”?

Claro que não! Primeiro porque não é saudável exagerar no consumo de nada e nem água em excesso é bom. Segundo pq tais produtos não são livres de calorias e se o objetivo é a perda de peso, lamento informar, mas eles também podem contribuir para o ganho de peso, principalmente pq tendo glicose e galactose prontinhas pra serem absorvidas, é um trabalho a menos pro nosso corpo!

leite

E só mais uma coisinha! convém lembrar que muitas pessoas pessoas acima do peso, apresentam um quadro de hiperinsulinemia e/ou resistência insulinica (como ja falei lá no início) e pra essas pessoas, exagerar no consumo de laticínios, só piora a coisa, pois o perfil de proteínas (e aí não há nenhuma relação com a quantidade de lactose no produto) presentes em tais produtos, com seu alto teor do aminoácido leucina, estimulam a liberação de insulina! E insulina demais aonde ja está sobrando é o mesmo que colocar mais lenha na fogueira!

E antes que eu me esqueça, há ainda pessoas que possuem hipersensibilidade às proteínas do leite, mas por algum motivo acreditam que tem intolerância a lactose. para estas pessoas, o consumo de laticínios “zero lactose”, pode ser perigoso pois pode desencadear uma reação alérgica grave, principalmente no caso das crianças!

zero lactose

Benefícios do Leite Materno

Do dia 01 ao dia 07/08 em diversos países se comemora a Semana Mundial do Aleitamento Materno.

O leite materno é o alimento mais completo que existe, pois supre 100% as necessidades nutricionais do bebê, além de mante-lo hidratado e protegido de inúmeras doenças, pois também age como uma vacina natural. Diversos estudos já demonstraram que o aleitamento materno é capaz de aumentar a proteção contra alergias alimentares, doenças autoimunes, doenças respiratórias, desnutrição e obesidade.

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A quantidade e a composição do leite materno sofre variações e vai sendo produzido de acordo com a necessidade do bebê, e não existe essa de leite fraco, como muita gente ainda acredita. Por ser um alimento de fácil digestão, é normal que o bebê mame mais vezes e nem sempre o choro é sinal de fome! Bebês não sabem falar e o choro é o meio de comunicação mais eficiente que existe! Bebês choram sim por fome, mas também por sede, sono, frio, calor… choram porque estão com a fralda molhada ou suja ou porque a roupinha está incomodando ou porque estão sentindo alguma dor e até mesmo porque tem alguém falando muito alto ou por causa da televisão! Bebês também choram de saudade da mãe e mamar várias vezes também os ajuda a se manterem mais tranquilos!

Mas para amamentar, não basta um bebê e um par de seios… é necessário um ambiente tranquilo e acolhedor tanto para a mãe, quanto para a criança. A descida do leite depende de um hormônio chamado oxitocina, o também chamado “hormônio do amor”, que é produzido quando a mãe vê o bebê, ou sente seu cheiro ou ouve seu choro ou mesmo, só de lembrar dele! Mas ambientes e situações estressantes podem inibir a liberação deste hormônio e consequentemente, interferir na descida do leite, dando uma falsa sensação de que o leite é pouco ou fraco.

Além disso, os fatores nutricionais são muito importantes! As mães necessitam de uma alimentação saudável, com muitas frutas, hortaliças e fontes de proteínas como carnes magras, peixes, frango, ovos e precisam de água, de muita água! Sal, açúcar, álcool, temperos industrializados, fast food, frituras, corantes, adoçantes artificiais e aditivos químicos devem passar longe da alimentação. Condimentos mais fortes e cafeína (café, chá preto, mate e chocolate) devem ser consumidos com muito cuidado, pois podem passar através do leite, alterando seu sabor e deixando o bebê agitado. Alimentos mais alergênicos também requerem cuidado, devido ao risco de sensibilizarem o bebê através do leite materno. Laticínios, apesar de serem uma excelente fonte de cálcio, são uma das maiores fontes de proteínas alergênicas para os bebês, e não devem ser consumidos em excesso, apesar da crença de que beber mais leite e comer canjica “aumenta a produção de leite”. O que aumenta a produção de leite, é beber bastante água e alimentar-se de forma saudável de um modo geral. Mulheres que não tem hábito de consumir laticínios, ou que possuem intolerância a lactose ou mesmo alergia as proteínas do leite, não devem ingerir estes alimentos só porque estão amamentando!

E falando em lactose, ao contrario do que muitos acreditam, de todos os mamíferos, o leite materno é o que possui maior quantidade de lactose! São 6,9g de lactose por 100 ml, enquanto que o leite de vaca contém apenas 4,6g!

Assim vale também chamar a atenção para a confusão existente entre a intolerância a lactose (IL) e a alergia às proteínas do leite de vaca (ALV ou APLV), já que muitas mães, acabam precisando excluir os laticínios da alimentação, para que possam continuar amamentando (para saber mais sobre estas duas condições, sugiro a leitura desta matéria, desta e desta. Nesses casos, o problema todo está no grande potencial alergenico das proteínas do leite de vaca, capazes de “passar” através do leite materno e sensibilizar o bebê e não na lactose, já que como vimos, o leite materno contém este carboidrato em maior proporção. E isso é muito bom! Pois o sistema digestivo do bebê, ainda não está preparado para receber outras fontes de carboidratos, como sacarose (açúcar comum) ou amido (presente nas farinhas). Durante os primeiros anos de vida, a produção da enzima lactase é altíssima, justamente para dar conta de tanta lactose vinda do leite materno e esta produção vai diminuindo com o passar dos anos, principalmente após os 5-7 anos de idade. Felizmente são poucos os casos de bebês com intolerância a lactose!

O leite materno também contém gorduras importantíssimas para o desenvolvimento do sistema nervoso do bebê, contém bactérias que o mantém protegido de muitas doenças, fibras necessárias ao bom funcionamento intestinal, além de todos os nutrientes necessários, produzidos exatamente nas quantidades que o bebê necessita!

Amamentar também aumenta o vínculo da mãe com o bebê, mantém mãe e filho mais próximos, acalma e aumenta a sensação de proteção e segurança.

Mas como a mulher também precisa sentir-se calma e segura para que consiga amamentar com tranquilidade, é importante que possa contar com uma rede de apoio familiar e de amigos próximos…. precisa de ajuda não exatamente com o bebê, mas precisa que alguém a ajude no sentido de preparar suas refeições, atender ligações, colocar a roupa para lavar, dar atenção às visitas e até mesmo com o pagamento de contas e compras de mercado. Sabendo que tem com quem contar, a mulher fica muito mais tranquila e o aleitamento materno exclusivo (pelo menos até os 6 meses) e complementar (até os 2 anos de idade), como preconizado pela Organização Mundial de Saúde, tem muito mais chances de ser bem sucedido. Mesmo precisando retornar ao trabalho, é possível continuar amamentando! Caso não seja possível levar o bebê, a mãe pode estocar leite materno em casa (pode congelá-lo) para alimentar o bebê durante a jornada de trabalho… basta que quem fique reponsavel pela criança, aqueça o leite em banho maria (leite materno não deve ser fervido!) e ofereça, de preferencia, com ajuda de um copinho ou colher.

Para auxiliar as mulheres que amamentam e incentivar o apoio dos empregadores, o Ministério da Saúde disponibiliza algumas informações em seu site.

Semana de aleitamento materno

Alergia x Intolerância alimentar

São condições distintas, mas que ainda causam muita confusão, devido à semelhança de alguns sintomas e porque muitas vezes o alimento em questão é o mesmo, como ocorre com o leite de vaca, o qual pode causar alergia em algumas pessoas e intolerância (à lactose – o açúcar do leite) em outras. É muito importante saber diferenciar as duas condições, pois o tratamento médico é diferente e as medidas dietéticas também. 

Intolerância alimentar é uma reação adversa provocada por reações tóxicas, farmacológicas, metabólicas ou por substâncias químicas presentes num determinado alimento. Geralmente nas intolerâncias há alguma deficiencia enzimática envolvida, como é o caso da intolerância a lactose (IL), mas podem ocorrer reações a aditivos químicos, como corantes e conservantes, por exemplo, presentes no alimento.As intolerâncias alimentares são reações adversas à ingestão de um determinado alimento, mas que não envolvem o sistema imunológico, ficando suas reações restritas, principalmente, ao trato gastrointestinal, apesar de em menor proporção e sempre de forma indireta, poderem afetar o sistema respiratório e a pele, o que acaba gerando muita confusão com os sintomas da alergia alimentar. As intolerâncias mais comuns estão relacionadas aos carboidratos, como a lactose (açúcar do leite), na qual o organismo acometido não produz, ou produz em pequenas quantidades a enzima lactase, responsável por sua digestão. Como a lactose não é digerida, fica intacta na luz intestinal, sendo fermentada pelas bactérias intestinais, provocando o surgimento de gases, cólicas intestinais e diarréia, por exemplo. Neste caso, o tratamento é diferente daquele preconizado para alergia ao leite de vaca, pois o paciente pode necessitar de uma suplementação da enzima lactase, além de precisar reduzir ou mesmo eliminar (nos casos mais sensíveis) da alimentação as fontes de lactose. Entretanto, na maioria dos casos, não é necessário excluir totalmente os laticínios. Além da IL, também pode ocorrer intolerância outros carboidratos, como a frutose, à sacarose (açúcar), aos frutanos, e aos galactanos.

alergias

alergia alimentar é uma reação geralmente mediada pela imunoglobulina E (IgE), em resposta a uma proteína alimentar normalmente não prejudicial, mas que em determinadas pessoas (conhecidas como atópicas) são reconhecidas como agressores. As reações alérgicas, normalmente ocorrem instantaneamente ou em até 24 horas após a ingestão do alimento, e sua gravidade varia desde efeitos suaves e quadros potencialmente fatais. A exposição a estas proteínas ocorre pela ingestão do alimento, e mais raramente, pela sua inalação (quando as proteínas entram em contato com a mucosa nasal) e por contato com a pele. Estas reações podem ser definidas com uma resposta anormal do organismo à presença de uma proteína que em indivíduos não predispostos a alergia, não correria. As alergias alimentares ocorrem com mais freqüência em indivíduos que já apresentam algum tipo de alergia, como as respiratórias, e acomete mais frequentemente crianças pequenas, principalmente as que não foram amamentadas com leite materno ou que receberam outros alimentos precocemente, e tende a desaparecer ou diminuir sua intensidade com o passar dos anos.

Diversos sintomas (cutâneos, respiratórios, cardiovasculares e gastrintestinais) podem ocorrer durante uma reação alérgica, porém as mais freqüentes são as cutâneas e respiratórias. Em casos mais graves ocorre anafilaxia, uma resposta aguda a ingestão de um alimento, que pode incluir dor abdominal, náusea, vômitos, cianose (extremidades arroxeadas), queda na pressão sangüínea, dor torácica, urticária, diarréia, choque e morte, caso o paciente não seja socorrido a tempo. Os alimentos mais relacionados à alergia alimentar são o leite de vaca (principalmente quando utilizado precocemente como substituto do leite materno), peixe, amendoim, nozes, soja entre outros, entretanto, qualquer alimento rico em proteínas pode vir a provocar alergia alimentar.

Diversos fatores, como hereditariedade, exposição ao alimento no período pré (durante a gestação) ou pós-natal (desmame precoce, por exemplo, ou através do leite materno, quando a mãe ingere um alimento potencialmente alergênico), permeabilidade intestinal aumentada (o que favorece a passagem de fragmentos de proteínas, que poderiam causar a reação alérgica) e fatores ambientais, como a exposição microbiana.

E por falar em aumento de permeabilidade intestinal, quando a mesma está presente, os riscos de desenvolver hipersensibilidade alimentar (respostas alérgicas mais tardias, de menor intensidade que a anafilaxia, geralmente associadas a alimentos consumidos em grande quantidade e/ou com muita frequência), não mediada por IgE, aumentam bastante.

E também não podemos esquecer que existem outras reações adversas aos alimentos, não mediadas nem por IgE, e nem por IgG, como é o caso da FPIES (do inglês, Food Protein Induced Entecolitis Syndrome), a Síndrome da Enterocolite Induzida Por Proteína Alimentar, uma reação alérgica que ocorre no trato gastrintestinal. A FPIES pode se manifestar logo nas primeiras horas de vida do bebê ou mais tardiamente, quando a alimentação complementar é iniciada, sendo os alérgenos mais comuns, o leite de vaca e a soja, mas qualquer alimento (mesmo aqueles supostamente hipoalergênicos, como. arroz e aveia) podem causar uma reação.

Diferentemente da maioria das Alergias Alimentares, as reações FPIES começam 2 horas após a ingestão do alimento gatilho. Se caracterizam por vômitos abundantes e diarréia, e cerca de 20% dos casos (quando a reação é muito grave) pode evoluir para choque hipovolêmico, sendo necessário precisará ser levada ao Pronto-Socorro para tratamento imediato. Por volta de 75% das crianças apresentarão episódios AGUDOS no diagnóstico, enquanto 25%, terão sintomas CRÔNICOS, que se resolvem após evitar o alimento por aproximadamente 1 semana.

O tratamento dietético consiste na exclusão total do alimento responsável pela alergia e de preparações elaboradas com este alimento. Por exemplo, no caso de alergia à proteína do leite de vaca, é necessário excluir o leite e derivados da alimentação, assim como bolos, biscoitos, purês, etc, preparados com leite e seus derivados.

Sites consultados:

http://www.fpiesbrasil.com.br/

http://www.sbai.org.br/

http://www.semlactose.com

http://www.girassolinstituto.org.br/site/

http://formsus.datasus.gov.br/novoimgarq/16061/2420660_218117.pdf

Intolerância a lactose, intolerância ao leite ou alergia às proteínas do leite?

Em muitos estudos científicos, a ALV (alergia ao leite de vaca) é também chamada de “Intolerância ao leite de vaca” (do inglês; “intolerance of cow’s milk”). Apesar de muitos autores utilizarem esta expressão nos artigos, geralmente o foco da pesquisa são as reações alérgicas. Assim, é muito importante, ao traduzirmos tais artigos, termos cuidado para erroneamente não chamarmos a intolerância ao leite de intolerância a lactose, pois tratam-se de duas condições distintas, que necessitam de cuidados em graus diferentes. Muitas vezes, os sintomas de ALV e de IL são os mesmos (diarréia, desconforto e dor abdominal, por exemplo) e o médico e os pesquisadores podem usar a expressão “intolerância ao leite” para classificar o quadro clínico que ainda não foi totalmente esclarecido. Fechar um diagnóstico não é tarefa das mais fáceis, já que muitas doenças podem se manifestar com os mesmos sinais e sintomas e que ainda podem variar de uma pessoa para outra! E nem sempre os testes para diagnóstico de alergia apresentam resultados positivos, pois avaliam somente as alergias mediadas pelas imunoglobulinas da classe IgE. Se estivermos diante de alergias não mediadas por este tipo de anticorpo, os resultados não ajudarão muito e será necessário fazer o teste clínico, com exclusão e posterior re-introdução dos alimentos.

No caso de uma suspeita de ALV, porém, antes da realização dos exames ou mesmo mediante um resultado negativo associado a um quadro clínico sugestivo de alergia, o profissional poderá classificar a doença como “intolerância ao leite”, já que ainda não dispõe de dados “concretos” para afirmar que trata-se de alergia.

E qual a diferença entre Alergia ao Leite de Vaca e Intolerância a Lactose?

A alergia ao leite de vaca (ALV) e a intolerância à lactose (IL) são duas condições diferentes, apesar de causadas por um alimento em comum ( o leite) e de apresentarem sintomas semelhantes. 

A IL ocorre porque o organismo não produz ou deixa de produzir a enzima lactase, responsável pela digestão da lactose (açúcar do leite). Em conseqüência, a lactose se acumula no intestino, para onde atrairá água, será fermentada pelas bactérias, com formação de gases, provocando diarréia, cólicas, distensão abdominal, e desconforto. Em alguns casos, não há diarréia, apesar da dor e do desconforto abdominal. Convém lembrar que o ser humano é o único mamífero que continua ingerindo leite após o período desmame, ocasião em que a produção da lactase diminui. Essa diminuição não caracteriza nenhuma doença… é o padrão do ser humano. Padrão esse que foi moldado ao longo dos milhões de anos de existência dos nossos ancestrais. Somente algumas populações, como os nórdicos, por exemplo, em função da necessidade de manter níveis adequados de cálcio e de vitamina D e em função da pouca exposição a luz solar e baixa disponibilidade de outros alimentos, é que foram se adaptando a ingestão de laticínios ao longo da vida, culminando numa mutação genética, que passou a permitir a digestão da lactose até idades mais avançadas. Porém, em todo o mundo, cerca de 65% das pessoas não possuem essa mutação, e portanto, não são capazes de digerir adequadamente a lactose na idade adulta. Mas o que caracteriza a intolerância a lactose, propriamente dita, é a presença de sintomas associados a ingestão de laticínios, pois mesmo pessoas com baixa produção da enzima, ainda são capazes de tolerar pequenas quantidades deste carboidrato diariamente.

A IL pode ser congênita, um caso raro no qual o bebê já nasce sem produzir a enzima lactase e começa a apresentar os sintomas após as primeiras mamadas, pois o leite materno é o que possui a maior quantidade de lactose, quando comparado com os leites de outras espécies.

Há também a IL secundária, que afeta indivíduos que nunca foram intolerantes, após gastroenterites, radioterapia ou quimioterapia, doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca, etc. Nesses casos, a IL pode ser transitória ou não, dependendo dos fatores genéticos, mas geralmente a IL tende a piorar com a idade.

A ALV é provocada pelas proteínas presentes no leite, identificadas pelo sistema imunológico como um agressor, um agente estranho que precisa ser combatido. A partir da ingestão destas proteínas o sistema imunológico desencadeia uma verdadeira guerra contra os “agressores”, e esta guerra é a responsável pelos sintomas – diarréia, distensão abdominal, flatulência e ainda: lesões na pele, como urticária e coceira, sintomas respiratórios, inflamação da mucosa intestinal e até pequenos sangramentos intestinais.

Ao contrário, a ALV tende a ser pior nos primeiros anos de vida e seus sintomas podem se suavizar (ou mesmo desaparecer) com o passar dos anos. Muitas vezes esta alergia é desencadeada quando o bebê menor de 6 meses recebe leite de vaca em substituição ao leite materno, principalmente se for filho de pais alérgicos. O uso de fórmulas infantis (muitas vezes dentro da própria maternidade, poucas horas após o nascimento) pode contribuir para o surgimento da alergia e por tal motivo, é importante incentivarmos o aleitamento materno, sempre que possível!

O aparelho digestivo dos bebês está preparado para digerir somente o leite materno, que é um alimento de fácil digestão, contendo proteínas que não causam alergia, mas em muitas situações a mãe não pode amamentar e acaba-se utilizando leite de vaca, no lugar de fórmulas específicas para a idade da criança. Nestes casos, como o intestino ainda não amadureceu o suficiente, ele acaba permitindo de proteínas inteiras ou fragmentos maiores de proteína sejam absorvidos, e ao entrarem na corrente sangüínea, desencadeiam o processo alérgico.

Após esse primeiro contato, toda vez que o leite for ingerido, o organismo agirá da mesma maneira, e os sintomas surgem novamente, porém, nem sempre o problema é percebido logo porque pode ser confundido com a IL ou com outras doenças ou mesmo alergia, mas a outros alimentos, como soja (ou leite de soja), trigo, aveia, etc.

Assim, é importantíssimo ser corretamente diagnosticado, porque o tratamento é diferente!

Na IL o componente que precisa ser excluído, ou pelo menos ingerido em menor quantidade (dependendo do grau de intolerância) é a lactose, enquanto que na ALV deve-se excluir totalmente a proteína e mesmo frações dela, pois até mesmo alimentos “contaminados” com proteínas do leite (os chamados “traços de leite”) podem desencadear o processo alérgico!

Referência Bibliográfica

Barbieri, D., Palma, D. “Gastroenterologia e Nutrição”. São Paulo: Editora Atheneu, 2001.
Heyman, M.B. “Lactose Intolerance in Infants, Children, and Adolescents”. Pediatrics 2006; 118; 1279-1286. Disponível em: www.pediatrics.org
Crittenden, R.G., Bennett, L.E. “Cow’s Milk Allergy: A Complex Disorder”. Journal of the American College of Nutrition. Vol. 24, Nº 6, 582S-591S.

Obs: Adaptação dos textos publicados anteriormente no site Semlactose – See more at: http://www.semlactose.com/index.php/2008/02/18/alergia-ao-leite-de-vaca-x-intolerancia-a-lactose/#sthash.rcCpti6y.dpuf