Serviços oferecidos

Além das consultas (sempre presenciais, que devem ser agendadas por mensagem de Whatsapp no 21 988207773) eu também trabalho como Consultora (presencial e online).

Os serviços de consultoria são destinados a:

1) Nutricionistas que atuam ou pretendem atuar no tratamento das Desordens Relacionadas ao Glúten – discussão de casos clínicos, treinamento individual ou em grupo;

2) Profissionais e empresas que atuam no ramo da alimentação sem glúten ou que pretendem atuar;

3) Pessoas que precisam excluir o glúten da alimentação e precisam de orientações a respeito dos cuidados diários, contaminação cruzada, etc (obs: não se trata de consulta, pois nesse tipo de serviço, não há como avaliar exames, prescrever dieta nem prescrever suplementação!).

Maiores informações podem ser obtidas através do email: ju.crucinsky@gmail.com

Ou pelo Whatsapp: 21 988207773

10 coisas que os gastroenterologistas devem saber sobre a Doença Celíaca

Tradução do texto publicado em 22/03/2016 no site: https://celiac.org/blog/2016/03/10-things-gastroenterologists-should-know-about-celiac-disease/?utm_content=bufferf852d&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer#3kUeK0rxKJ9DxMzG.99

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Gastroenterologistas desempenham frequentemente um papel importante no diagnóstico e tratamento de doença celíaca. O artigo de 2015, a doença celíaca: Dez coisas que cada gastroenterologista deve saber, co-escrito por Joseph Murray, MD , membro do Conselho Consultivo Médico da doença celíaca Foundation , apresenta um esboço de perguntas e respostas que seu gastroenterologista não deveria se sentir descnfortavel de responder e que você, como paciente, deve estar ciente.

  1. Como a sorologia pode ser usada para diagnosticar a doença celíaca?

O anticorpo  antitransglutaminase tecidual, da série IgA (IgA TTG) é o melhor teste sorológico  para a detecção de doença celíaca, para pessoas com mais de dois anos de idade que consomem glúten e não são IgA deficientes. Os testes baseados em IgG devem ser feitos apenas para quem possui deficiencia de IgA.

  1. A doença celíaca pode ser reconhecida Endoscopicamente?

Embora existam marcadores endoscópicos para a doença celíaca, incluindo a perda das pregas da mucosa, as biópsias devem sempre ser feitas para confirmar o diagnóstico. (Obs minha: isso significa que mesmo que o endoscopista veja a mucosa e “ache” que está tudo normal, ele PRECISA colher material para a a biópsia, para confirmar ou descartar a doença)

  1. Quais Biópsias devem ser feitas para avaliar a doença celíaca?

A distribuição das lesões na doença celíaca pode ser irregular, então, no mínimo quatro biópsias devem ser feitas a partir da segunda parte do duodeno, e duas biópsias de bulbo duodenal .

  1. Que em Situação de Risco os pacientes devem ser testados para a doença celíaca?

Devido ao risco aumentado de ter doença celíaca, parentes de primeiro grau devem ser testados, bem como pacientes sintomáticos com diabetes mellitus tipo 1 e aqueles com síndrome de Down, Turner, e síndromes de Williams. (Obs minha: é importante lembrar que nem todos os celíacos apresentam os sintomas da DC clássica, como diarreia e perda de peso! muitos possuem a forma oligossintomatica!)

  1. Como avaliar para a doença celíaca em um paciente em dieta sem glúten?

Os testes genéticos podem ser uma alternativa para pacientes em uma dieta livre de glúten para descartar a o desafio do glúten, quando o mesmo está contra-indicado por algum motivo.  Em pacientes positivos para HLA DQ2 ou DQ8, uma provocação com glúten é recomendada de 3 g de glúten por dia , durante um mínimo de seis semanas para aqueles que toleram bem o desafio. Um desafio de duas semanas deve ser seguido por testes de sorologia e da biópsia duodenal. Um desafio de seis semanas deve ser seguido por testes de sorologia em oito semanas, e biópsia duodenal se a sorologia é positiva. Se soronegativa, testes de sorologia devem ser repetidos após mais 2-6 semanas, pois pode haver um aumento atrasado nos títulos sorológicos. (Obs minha: pessoas que apresentam ALERGIA AO TRIGO ou ALERGIA AOS CEREAIS, NÃO DEVEM SER SUBMETIDAS AO DESAFIO DO GLÚTEN devido ao risco de ANAFILAXIA!!!)

  1. Como “gerenciar” a doença celíaca?

Todos os pacientes devem seguir uma dieta totalmente livre de glúten, ao longo da vida, eliminando trigo, centeio e cevada (obs minha: e aveia contaminada). Os pacientes devem ser orientados sobre a dieta livre de glúten por um nutricionista especialista, e um farmacêutico deve rever todos os medicamentos e suplementos. Os pacientes com má absorção grave devem eliminar aveia para o primeiro ano, mas pode consumir a aveia sem glúten com moderação a partir daí, se não apresentar sintomas.

  1. O que deve ser avaliado em um paciente com doença celíaca recém-diagnosticada?

Os pacientes com doença celíaca diagnosticada recentemente deve ter uma avaliação completa de exames de sangue, como ferritina, vitamina B 12 , folato, cobre, zinco, cálcio e vitamina D 25-hidroxi. Em caso de deficiencia grave de B12 (com sintomas de neuropatia e problemas neurológicos, ou má absorção contínua), pode ser necessario administra-la na forma injetavel. Também se recomenda densitometria óssea para a avliar a densidade óssea em adultos.

  1. Como avaliar a aderência e a resposta a uma dieta isenta de glúten?

A consulta de acompanhamento deve ser agendada 3-6 meses após o diagnóstico da doença celíaca, para abordar melhora clínica e sorológica. Posteriormente, se recomenda visitas anuais com repetição da sorologia (*antitransglutaminase tecidual IgA). A consulta de acompanhamento com um nutricionista também deve ser agendada para confirmar a adesão estrita à dieta isenta de glúten. Recomenda-se que a biópsia não deve ser repetido até dois anos em uma dieta livre de glúten. (Obs minha: trata-se apenas de uma recomendação genérica. É importante que cada paciente seja avaliado de forma individualizada, de acordo com seu quadro clínico e gravidade dos sintomas e das lesões intestinais)

  1. Qual é a abordagem do paciente celíaco que não responde ao tratamento?

A doença celíaca não responsiva (NRCD) é definida como a falta de resposta a seis meses em uma dieta (totalmente) livre de glúten (e de contaminação) ou de reincidência de sintomas relacionadas com a doença celíaca apesar da dieta. Este é o caso para 10-19% de pacientes com doença celíaca. Procedimentos de acompanhamento devem incluir retomar os testes originais e verificação de exposição ao glúten. Se todos estes testes ainda apontarem para doença celíaca, uma outra biopsia pode ser feita olhando especificamente para a doença celíaca refratária e colite microscópica.

  1. O que vamos fazer com a doença celíaca refratária?

A doença celíaca refratária (RCD) é caracterizada pela atrofia das vilosidades devido à má absorção após 12 meses de uma dieta livre de glúten (e de contaminação). Os pacientes devem ser verificados para transformação maligna como eles têm um alto risco de linfoma. (Obs minha: a DC refratária também pode ser causada pela contaminação cruzada contante e pelas “escapulidas” da dieta, em função dos vários momentos em que o paciente ingere algo contendo glúten porque “não resistiu”).

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Já fui numa consulta… por que preciso voltar?

Hábitos alimentares não são formados da noite para o dia. São fruto de uma contínua interação de fatores de começou muito antes de cada um de nós de nascer, com os hábitos de nossos pais, avós, bisavós, etc, mas que vai sendo modificado dia a dia de acordo com nossa rotina, tempo (ou falta dele) para preparar as refeições, preferências alimentares, entre tantas outras coisas…

Quando alguém resolve procurar um Nutricionista, geralmente:

  1. Está em busca de hábitos mais saudáveis (e já está consciente de que há algo que precisa mudar);
  2. Quer emagrecer (e consequentemente, percebe que a forma como está se alimentando não está ajudando muito);
  3. Está com algum problema de saúde e precisa se alimentar de forma mais condizente com sua situação atual;
  4. Está grávida (ou tentando engravidar) e sabe que precisa de uma alimentação saudável desse momento em diante..

A motivação pode ser outra, mas dificilmente varia muito dessas que eu falei. Em todo caso, é o HÁBITO alimentar que está em jogo, que necessita de uma avaliação e necessita de modificações.

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Mas como falei, hábitos não se formam de uma hora pra outra e muito menos se modificam apenas pela nossa vontade (seria ótimo se fosse assim!). Há quem diga que precisamos de pelo menos 21 dias treinando o novo hábito para que o mesmo se incorpore naturalmente a nossa rotina.

Assim, ao procurarmos um Nutricionista, precisamos fornecer o máximo possível de informações, que o auxiliem a nos ajudar. Sim, porque informações incompletas podem gerar uma ajuda incompleta ou parcial, não por vontade ou falta de competência do profissional e sim porque toda e qualquer informação pode mudar os rumos da conduta pensada inicialmente.

O nutricionista, após avaliar e juntar varias informações sobre cada paciente, traça uma conduta para ajudá-lo a alcançar seus objetivos, mas geralmente esta conduta (e os resultados almejados) vai depender de uma mudança de hábitos.

Além disso, muitas pessoas apresentam déficits nutricionais ou alterações metabólicas, que necessitam de reposição ou de uma ajuda extra (como fitoterápicos) e nem sempre num primeiro momento só a alimentação é capaz de dar conta e aí entra a necessidade de suplementação e/ou prescrição fitoterápica.

Quando o Nutricionista faz uma prescrição complementar, contendo vitaminas e/ou minerais e/ou probióticos e/ou fitoterápicos e/ou óleos (ômegas, óleo de prímula, de coco, etc), tem em mente uma linha de raciocínio e sabe que precisará de um tempo para que o resultado dessa prescrição apareça, já que corrigir desequilíbrios relacionados com a alimentação e o metabolismo leva tempo e depende de muitos fatores (a começar pelo próprio paciente iniciar logo a suplementação e toma-la nos horários e da forma indicada, sem esquecimentos). Muitas vezes, pode ser necessário ajustar as dosagens ou mesmo substituir um item por outro ou mudar as combinações… e isso, só mesmo durante as consultas é que o profissional pode avaliar. A interrupção do tratamento equivale a jogar dinheiro fora e principalmente, a não ter os benefícios desejados. E repetir indefinidamente a prescrição, sem a supervisão do profissional e sem a devida monitorização através de exames, leva ao risco de toxicidade (principalmente relacionada a determinadas vitaminas e minerais) e problemas hepáticos (quando falamos de fitoterapia, principalmente).

Assim, toda prescrição complementar, tem um tempo a ser seguido e necessita de avaliação posterior, o que é feito nas consultas seguintes e até mesmo em novos exames, dependendo da necessidade de cada paciente.

Para que o tratamento nutricional (mesmo que seja “apenas” a melhora de hábitos alimentares) funcione, é necessário continuidade, até porque uma única consulta é muito pouco tempo para o profissional dar conta de passar todas as informações necessárias, acumuladas ao longo dos seus anos de estudos e atualizações constantes e para fazer todas as adequações necessárias na rotina do paciente.

Então, para um resultados satisfatórios, seja qual for o motivo para ter procurado o Nutricionista, recomenda-se pelo menos 3 consultas, para possibilitar o inicio, o meio e o fim de um ciclo de tratamento. Só lembrando que isso não é uma regra… é apenas uma sugestão para otimizar resultados e não desperdiçar recursos e tempo…

Eu já cortei o glúten da minha alimentação. Por que preciso de Nutricionista?

Essa é uma dúvida muito recorrente entre celíacos, sensíveis ao glúten e alérgicos ao trigo. Como a dieta livre de glúten é o único tratamento reconhecido pela comunidade científica e realmente eficaz nessas condições, é comum que as pessoas acreditem que a exclusão pura e simples dos alimentos fontes de glúten seja capaz de resolver todos os seus problemas…

Só que não…

Esse material que elaborei para a Fenacelbra, mostra que a exclusão de glúten é apenas o primeiro passo na caminhada em busca de mais saúde e qualidade de vida! http://www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/blog/2013/03/23/cartilha-10-passos-para-a-alimentacao-do-celiaco/

Infelizmente a maior parte dos diagnósticos tem sido feita tardiamente, geralmente após anos de “peregrinação”. Quanto mais tarde o diagnóstico e quanto mais tarde o início da exclusão de glúten (e da implantação de cuidados em relação a contaminação cruzada), mais lenta tende a ser a melhora no quadro clínico. Tal fato se agrava se a alimentação antes do diagnóstico era cheia de alimentos industrializados (processados e ultraprocessados), altamente calórica, cheia de aditivos químicos, sal, açúcar e gordura, porem muito pobre em nutrientes e muito pior fica, se na exclusão de glúten só lembramos dos substitutos a base de farinhas sem glúten e esquecemos da “comida de verdade”!

As Desordens Relacionadas ao Glúten (DRG) e principalmente a Doença Celíaca (DC) causam inflamação (no caso da DC, há inflamação e atrofia da mucosa intestinal, onde os nutrientes são absorvidos) e má absorção de diversos nutrientes. Quanto mais tempo de deficiência nutricional, e quanto mais graves estas deficiências, mais lenta será a recuperação e ainda assim, para que ocorra uma recuperação completa, muitas vezes é necessário, além da dieta, a suplementação de micronutrientes (vitaminas e minerais), de aminoácidos (como glutamina e/ou arginina) e de probióticos.

As deficiências nutricionais podem causar diversos tipos de anemia (dependendo do nutriente mais prejudicado – ferro ou vitamina B12 ou ácido fólico), cãibras, dores musculares, fadiga, alterações no paladar, queda da imunidade contra vírus e bactérias, prejuízos na cicatrização de feridas, infertilidade, alterações na função tireoidiana, dificuldade de concentração, diminuição da memória e até mesmo alterações neurológicas mais sérias.

O Nutricionista, é o profissional certo para avaliar essas deficiências nutricionais, seja através de exames laboratoriais, seja atraves da avaliação de sinais e sintomas (já que algumas não aparecem em exames de sangue, ou quando aparecem é porque o nível de deficiência está bem crítico) e através da análise dos hábitos alimentares. A partir daí é possível traçar estratégias para reverter tais deficiencias e prevenir que elas retornem no futuro.

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Imagem encontrada na internet

Através da alimentação / suplementação também é possível acelerar a recuperação da mucosa intestinal dos celíacos, diminuindo o risco da persistência das deficiências e diminuindo também o risco de surgirem hipersensibilidades alimentares decorrentes das alterações na permeabilidade intestinal, sempre presente na DC.

Caso as DRG venham acompanhadas de outras alergias/hipersensibilidades alimentares (alergia ao leite de vaca ou a soja ou a outros grãos, por exemplo) ou intolerâncias (intolerância a lactose ou aos Fodmaps, por exemplo), o Nutricionista também é o profissional certo para adequar o planejamento alimentar e indicar suplementação, se for necessário.

Sem falar aqueles que ainda ganham peso excessivo ou aumentam muito o acumulo de gordura abdominal após a exclusão do glúten. estas pessoas, além de possivelmente continuarem com as deficiências nutricionais, estão mais sujeitas à síndrome metabólica, com alterações na pressão arterial, resistência insulina, diabetes tipo 2, esteatose hepática, etc…

Mas é importante alertar sobre a necessidade de continuidade do tratamento! Numa única consulta é impossível fazer todas as adequações necessárias e mesmo que seja possível, é necessário acompanhar a evolução (e a melhora) de cada parâmetro avaliado e da melhora do paciente como um todo!

 

Pra que serve o desafio do glúten?

O desafio do glúten é feito com o objetivo de inflamar o intestino, a ponto de causar lesões e atrofia da mucosa no duodeno (a primeira parte do intestino delgado), depois de “acordar” o sistema imune para que ele volte a agredir o próprio corpo. Em outras palavras, o desafio do glúten estimula a auto-destruição.

É, é “punk”, é puxado, é difícil… e falo isso pq eu mesma não quis faze-lo, principalmente por saber exatamente o que me aconteceria a cada fatia de pão ingerido, pois quando me foi sugerido faze-lo eu ja sabia o tanto q o glúten me deixava mal e já estava há uns 6 meses sem ele e me sentindo muito bem.

Mas em alguns casos ele é necessário, pois pode ser a unica maneira de fechar o diagnóstico de Doença Celíaca ou para descartá-la e ajudar o médico a pensar em outras hipóteses, como a sensibilidade ao glúten não celíaca ou mesmo outras doenças que não tem nada a ver com o glúten.

dor de barriga

Esse desafio (o qual ja falamos aqui) nem deveria ser necessário e eu particularmente acho-o extremamente agressivo ao corpo e é um “tiro no pé” no sentido de diminuir a qualidade de vida e o bem estar, que a essa altura, certamente já estava bem melhor.

E se é tão ruim assim, pq ele é indicado pelos médicos e pela literatura cientifica?

Bom, ele não seria necessário se as pessoas não estivessem cortando o glúten indiscriminadamente por conta propria e se muitos profissionais de sapude tivessem o cuidado de solicitar os exames na mesma ocasião em que pedem ao paciente para iniciar a dieta sem glúten, quando avaliam que a mesma é necessária.

Mas qual o problema de não consumir glúten? Nenhum! Isso é fato. Ninguém depende do glúten para ter uma boa nutrição e aquela história de que cortar o glúten pode causar deficiencias nutricionais é besteira! Somente uma pessoa com uma alimentação extremamente pobre e dependente de trigo (o que não é nada saudável) poderia se prejudicar desta exclusão “sem necessidade”, mas mesmo assim, o problema estaria nos hábitos alimentares errados e não na exclusão das fontes de glúten…

Mas comer sem glúten é muito diferente de “viver sem glúten”, como já expliquei nesse post aqui e é aí que mora o perigo!

Muitas pessoas não ingerem glúten porque se sentem melhor assim, mas por não terem um diagnóstico “formal”, se permitem sair da dieta quando tem vontade, descuidam da contaminação cruzada e a própria família acaba não levando o caso a sério e isso é o caminho mais curto para diversas complicações, como o surgimento de outras doenças autoimunes, alergias alimentares diversas, osteoporose, infertilidade, problemas neurológicos decorrentes de deficiencias nutricionais e o pior de tudo: um risco 10 vezes maior de linfoma e de outros tipos de câncer no aparelho digestivo.

A grande questão é: enfrentar o desfio do glúten para ter um diagnóstico? Ou “assumir” que possui alguma desordem relacionada a esta proteína (considerando toda a melhora já observada e a própria dificuldade em conseguir manter o desafio do glúten, além de outros exames que possam fornecer algumas pistas sobre o paciente, como o teste genético para Doença Celíaca) e passar a “viver sem glúten” para sempre? Essa é uma decisão que cabe a cada um e deve ser conversada com o médico, já que cada caso é um caso.

Mas acho importante alertar do que se trata o desafio e alertar as pessoas que evitem excluir o glúten sem fazer exames antes, justamente pela dificuldade de se fazer o caminho inveso, na busca por um diagnóstico.

Intolerância ao Glúten existe mesmo?

A resposta é SIM e NÃO…

Perdi a conta de quantas vezes tentei explicar o porque não se falar mais em “intolerância ao glúten”, então, como sempre, resolvi escrever um post…

Durante muitos anos, desde que o glúten foi identificado com o agente “causador” (ou gatilho) que a Doença Celíaca (DC) foi chamada de “Intolerância ao Glúten” e (infelizmente) ainda é assim que o Ministério da Saúde a chama na segunda edição do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para DC, publicado esse ano. No Consenso de Oslo, publicado em 2012, já havia uma recomendação para que nenhuma das Desordens Relacionadas ao glúten fosse chamadas apenas de intolerância.

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Imagem do site http://www.riosemgluten.com

E por que essa preocupação? Não de trata de uma intolerância???

Sim e Não. Confuso? Um pouco, mas explico melhor.

Uma das primeiras hipóteses para explicar a DC era a de que celíacos possuíam uma deficiencia enzimática, logo o glúten não era digerido e isso provocava os sintomas. Mas posteriormente, outras pesquisas demonstraram que esse era um raciocínio simplista demais para explicar o quadro clínico e as lesões na mucosa intestinal. A medida que as técnicas avançaram, que os anticorpos (antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase) foram descobertos e com o uso da endoscopia com biópsia de duodeno, os pesquisadores viram que na verdade a DC era uma doença autoimune, na qual, a tentativa do sistema imunológico de destruir o glúten (com a produção do anticorpo antigliadina) gerava mais dano ao organismo, que passo a passo ia se autodestruindo, literalmente, ao produzir os anticorpos antiendomisio e antitransglutaminase, que atacam diretamente as estruturas presentes no intestino (e podem afetar outros órgãos, como acontece na ataxia do glúten, na qual os anticorpos antitransglutaminase atacam estruturas cerebrais).

Chamar a DC e outras DRG de “intolerância” leva a uma grande confusão e faz com que as pessoas minimizem a gravidade do problema e não se cuidem corretamente. Não são raros aqueles que já chegam dizendo “eu SÓ tenho intolerância ao glúten, e não preciso de tantos cuidados com a dieta”, pois pensam que é uma condição semelhante à intolerância a lactose (IL), por exemplo e é aí que a coisa complica e os riscos aumentam. Na DC já se sabe que se a dieta não é feita corretamente, há um risco muito maior da doença evoluir para a forma refratária (que necessita não só da dieta como também de medicamentos imunosupressores), do surgimento de outras doenças autoimunes como Diabetes tipo I, Tireoidite de Hashimoto, Lupus, Artrite, etc e câncer de intestino. Já dentre os riscos da alergia ao trigo, o mais grave e que pode levar à morte em questão de minutos é a anafilaxia. E como ainda não se sabe quais os riscos associados a SGNC, os pesquisadores recomendam que se tenha o mesmo cuidado que com a DC.

Na IL há uma intolerância do organismo a esse carboidrato (a lactose) porque a produção da enzima (lactase) necessária a sua digestão está sendo insuficiente. Com isso, a lactose não é digerida e fica na luz intestinal, onde é fermentada por bactérias, gerando gases, desconforto e (nem sempre), diarréia. Mas passado o mal estar, e desde que não se volte a consumir lactose, as coisas voltam a um certo grau de normalidade (não vou entrar aqui em detalhes a respeito das alterações na microbiota ou flora intestinal – isso fica pra outro post) e o mal estar passa.

Lactose e lactase

Mas quando estamos falando de uma proteína complexa como o glúten (que de fato, não é bem digerida por NINGUÉM), a intolerância ocorre num nivel muito maior de complexidade, pois trata-de se intolerância IMUNOLÓGICA. Ou seja, aqui é o sistema imune (nosso sistema de defesa) que dá o alarme após detectar que há algo errado e é ele mesmo que parte com tudo pra cima do “inimigo” ( glúten). Na IL, o sistema imune nem tem ciência do que está acontecendo e por isso, os sintomas e suas consequencias, apesar de bem desagradáveis, em geral não costumam ser graves (a não ser quando a diarreia chega ao ponto de causar desidratação, por exemplo).

Já nas Desordens Relacionadas ao Glúten (DRG), principalmente na DC, se o sistema imune é chamado, as reações serão graves e imprevisíveis. Mal comparando, seria como se tentássemos matar um mosquito usando uma granada… obviamente, numa situação hipótetica dessas, o mosquisto até seria morto, mas tudo a sua volta seria destruído (e provavelmente quem detonou a granada, também!). E é bem assim que as coisas funcionam em nosso corpo… se temos DC e ingerimos glúten, nosso corpo tenta “matar o mosquito” (o glúten) usando uma granada e é aí que a coisa complica pro nosso lado, pois nosso intestino vai sendo destruído junto (os anticorpos antitransglutaminase, que pedimos pra dosar no sangue, são os marcadores da granada que foi detonada).

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Essa figura demonstra como as lesões intestinais progridem, desde o início do processo inflamatório (1) até a completa atrofia da mucosa (4)

Mesmo nas “intolerâncias” mediadas por IgG, que algumas pessoas consideram mais leves, há reações imunológicas, que não podem, nem devem ser menosprezadas! Quando estes exames positivam, significa que está ocorrendo um aumento de permeabilidade no intestino e que proteinas alimentares não digeridas estão entrando em contato com o sangue e com o sistema imune, logo, o mesmo reage produzindo anticorpos, avisando que já detectou o “invasor” e estão tentando destruí-lo. Nesse caso, sem o resultado da biópsia duodenal, não há como saber se está ocorrendo lesões no intestino e muitas vezes, os anticorpos positivam antes que tais lesões ocorram… se excluimos o glúten nesse momento, podemos prevenir o surgimento de tais lesões.

A Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca (SGNC) muitas vezes também é chamada de “intolerância ao glúten” e aqui, definir se é ou se não é fica um pouco mais complicado, pois as evidenciacis científicas mostram que pode ser o glúten o agente causal dos sintomas (e da positivação de anticorpos) na SGNC, mas também outras proteínas existentes no trigo e em outros cereais (como as proteínas inibidoras da alfa amilase e da tripsina), ou mesmo os frutanos (um tipo de fibra) presentes nos cereais (e em outros alimentos). Aqui, se pudessemos ter certeza absoluta (coisa praticamente impossível até o momento) de que os frutanos do trigo estão por trás dos sintomas, aí sim, poderíamos falar em intolerância (pensando no exemplo da IL), pois como fibras são carboidratos e como o trato gastrointestinal humano não produz enzimas capazes de digeri-las, logo estamos diante de uma situação semelhante a que ocorre na Intolerancia a lactose: ausencia de uma enzima, dificuldade em digerir um carboidrato e sintomas decorrentes disso tudo.

Entretanto, muitas vezes os sintomas não costumam ser um bom parâmetro para avaliar a extensão das lesões (voltando a questão da produção de autoanticorpos)… é só lembrar que existe a DC ASSINTOMÁTICA, com as mesmas lesões (ou até mais graves) que a DC sintomática…

Na IL, a ingestão de pequenas doses de lactose (como as que estão presentes num comprimido, por exemplo), não causam reação na maior parte das pessoas (geralmente os sintomas percebidos estão relacionados ao medicamento em si e não a lactose do comprimido, que é usada apenas para “dar peso”). Já nas DRG não existe a possibilidade de ingerir “só um pouquinho”! Achar que “só um poquinho não me fará mal porque SÓ tenho intolerância” é uma grande ilusão que a longo prazo só trará problemas!

Então, minha gente, não caiam no conto da intolerância!!! E sempre que algum profissional de saúde falar em “intolerância ao glúten”, na realidade ele está se referindo a “INTOLERÂNCIA IMUNOLÓGICA AO GLÚTEN”!!!

Existe cura para a Doença Celíaca?

De tempos em tempos esse assunto (a cura da Doença Celíaca) volta à tona, então achei melhor escrever um post aqui no blog.

Imagem do site www.riosemgluten.com
Imagem do site http://www.riosemgluten.com

1) NÃO existe cura para a DC (cura no sentido de revertê-la e voltar a consumir glúten como antes do diagnóstico). A DC resulta de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, além da ingestão continua de glúten. Como não é possível mudar a genética (quem sabe numa próxima vida?), a única alternativa é mudar a alimentação;

2) A dieta isenta de glúten (e de contaminação) deve ser bem feita e levada a sério por toda a vida;

3) Não se iludam com tratamentos alternativos, Eles até podem amenizar os sintomas (da mesma forma que meditar, fazer orações, yoga ou qualquer outra coisa que ajude a controlar o estresse), mas não mudam a genética e não curam a DC. Uma vez que a autoimunidade é “acordada”, ela nunca mais volta a dormir… na melhor das hipóteses, fica apenas quietinha, mas esperando a primeira oportunidade para voltar à ativa;

4) A vontade de comer (qualquer coisa) passa. Já as (graves) consequências da DC não levada a sério nos acompanham até o túmulo e até encurtam nosso caminho até ele!

5) Evitar o glúten por opção não faz ninguém virar celíaco, alérgico, ou sensível a esta proteína! O que acontece é que muita gente tem alguma desordem relacionada ao glúten e NÃO SABE (simplesmente porque nunca pesquisou) e aí quando faz a dieta melhora e ao voltar a consumir, os sintomas ficam mais evidentes.

A dica, é fazer os exames o quanto antes!

Quer saber mais sobre a DC e as demais desordens relacionadas ao Glúten? Da uma olhada neste post, neste, neste, neste, neste, nesteneste, neste, neste, neste, neste e neste.

Em tempo: De fato, algumas equipes estão trabalhando no desenvolvimento de medicações, enzimas e vacinas, que permitam no futuro (esperamos que não seja um futuro tão distante assim) a cura ou ao menos, a minimização de sintomas em caso de exposição (acidental) ao glúten. Mas no momento, nada disso ainda está acessível e é bom desconfiar de qualquer coisa (ou profissional) que venha com esse papo de cura.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

A SOP é um distúrbio endócrino, no qual há alteração nos níveis dos hormônios sexuais (aumento dos hormônios androgenicos, como testosterona) e diminuição dos hormônios sexuais femininos (estrogênio e progesterona), levando à formação de cistos ovarianos (por inibição da ovulação – o óvulo fica “preso” no folículo, dando origem ao cisto) que contribuem para cólicas menstruais, além de aumento dos pelos corporais (inclusive no rosto e seios), condição conhecida como hirsutismo, acne, queda de cabelo e ganho de peso, principalmente na região abdominal. Por conta destas alterações, as mulheres com SOP tendem a ter ciclos menstruais irregulares e podem passar meses sem menstruar, além de estarem mais sujeitas à infertilidade.

O tratamento geralmente é feito com o uso de anticoncepcionais orais, então as mulheres que estão em uso destes medicamentos, podem não apresentar mais nenhum cisto ovariano nos exames de acompanhamento, porém os mesmos podem voltar a aparecer após a suspensão da medicação.

SOP (www.lookfordiagnosis.com)

Bom… muita gente a essa altura deve estar se perguntando por que uma Nutricionista está escrevendo sobre esse assunto e o que a Nutrição tem a ver com tudo isso…

Na SOP também ocorre um quadro de hiperinsulinemia (produção excessiva de insulina, hormônio necessário à captação da glicose pelas células de todo o corpo, para geração de energia), que evolui para resistência insulínica, semelhante ao que encontramos nos pacientes com pré-diabetes… ou seja, apesar dos níveis normais (e as vezes até baixos) da glicemia de jejum, há uma produção exagerada de insulina. Na verdade, os níveis baixos de glicemia (e a hipoglicemia após refeições e até mesmo durante o sono) ocorrem justamente porque a insulina está alta! Com o com o passar do tempo, essa insulina produzida em excesso, vai perdendo sua eficácia, ou seja, o corpo vai se tornando resistente à sua ação, podendo evoluir para o diabetes tipo II, além do ganho de peso excessivo.

A hiperinsulinemia também contribui para o desbalanço hormonal encontrado na SOP, pois estimula a proliferação das células da teca ovariana (para informações mais detalhadas, sugiro a leitura deste texto), aumento dos receptores do hormônio luteinizante (LH) e por sua vez, o LH aumentado estimula a produção de hormônios androgênicos.

A hiperinsulinemia também estimula a produção de receptores ovarianos para o IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina), que também estimularão a produção de androgênios e ainda, a diminuição dos níveis de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) e IGFBP (insulin-like growth factor binding protein) contribuem para o aumento dos níveis de IG1 e androgênios… ou seja, tudo na SOP leva a um aumento na produção de hormônios androgênios e diminuição da progesterona e estradiol (hormônios femininos).

Na SOP pode haver um aumento de até 25% dos adipócitos corporais, diminuição da atividade lipolítica (quebra de gordura) em até 40%, aumentando ainda mais as chances de obesidade e inflamação crônica.

Diante de tantos desequilíbrios hormonais, antes que o quadro evolua, o Nutricionista pode atuar precocemente, ajudando a diminuir os níveis circulantes de insulina e a melhorar o quadro de resistência insulínica, a tratar o sobrepeso (quando presente) e contribuindo para prevenir as complicações decorrentes desta alteração metabólica, que não são poucas: esteatose hepática (que já abordei nesse post), síndrome metabólica, diabetes, obesidade e até mesmo doenças cardiovasculares.

De um modo bem geral, no tratamento da resistência insulínica, é necessário associar à atividade física, uma alimentação de baixo índice e cargas glicemica e de baixo índice insulinêmico (que não sobrecarreguem tanto o pâncreas, para que a produção de insulina possa normalizar), e isso significa reduzir a ingestão de açúcar, doces, massas, carboidratos refinados, laticínios (principalmente os light ou zero, pois em sua composição, para compensar a ausência de gordura, adiciona-se amido ou maltodextrina ou ainda xarope de milho, ou frutose, que pode estar disfarçada de seus nomes comerciais, como açúcar invertido, por exemplo), além de refrigerantes e sucos industrializados.

Vale lembrar que os hormônios sexuais são produzidos a partir de matéria-prima vinda da alimentação, como o colesterol, então, a adequação dos hábitos alimentares também acaba por auxiliar em sua regulação. E como estamos diante de uma condição que gera inflamação crônica (mesmo que de baixa intensidade), não podemos esquecer da importância de incluir alimentos ricos em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios, como frutas e hortaliças. Entretanto, é sempre importante lembrar que cada prescrição necessita ser individualizada, levando em consideração todo o histórico de cada paciente, resultados de exames laboratoriais, hábitos alimentares, nível de atividade física, etc.

Viver sem glúten é o mesmo que comer sem glúten?

Num primeiro momento, pode parecer que sim, já que excluir o glúten da alimentação implica em abrir mão de muitos alimentos que fazem parte do hábito alimentar das pessoas, inclusive no Brasil, onde o trigo só chegou relativamente há pouco tempo (trazido pelos europeus, após a chegada de Cabral). Atualmente-se come trigo (a principal fonte de glúten do brasileiro, que não tem muito hábito de consumir centeio ou cevada – a não ser na forma de cerveja) em praticamente todas as refeições e por isso, ao exclui-lo da alimentação, num primeiro momento, fica a impressão de que se está vivendo sem glúten.

E por que tanta gente cortando glúten?

Os motivos são vários e talvez o de maior apelo seja a possibilidade de perder peso, como já falei nesse post aqui, inspirando-se nas celebridades que afirmam ter conseguido (e as bancas de jornal estão cheias de reportagens, cardápios e receitas que incentivam cada vez mais os leitores a tirar o glúten!). Há quem corte o glúten por ter iniciado alguma dieta detox ou por aderir à dieta Paleolítica ou a dietas low carb (como a do Atkinks ou a Dukan, que so permite aveia num dado momento), sem esquecer aqueles que fazem a dieta e adotam um estilo de vida totalmente glúten free porque sua vida depende disso, como celíacos, alérgicos ao trigo e sensíveis ao glúten.

A incidência das desordens relacionadas ao glúten (as quais já abordei aqui, aqui, aqui e aqui) parece estar aumentando cada vez mais, seja porque as pessoas estão mais atentas aos sintomas e tem procurado mais os médicos, seja porque realmente o consumo excessivo das fontes de glúten esteja desencadeando as desordens nas pessoas geneticamente predispostas, seja porque atualmente há uma tendência em colocar todos os nossos males na conta do glúten (deixando de pesquisar outras possíveis causas). Enfim, o fato que hoje em dia, muita gente come sem glúten.

Mas a questão é… será que só eliminar da dieta os alimentos que são fonte de glúten é suficiente?

Para quem tem alguma desordem relacionada ao glúten, definitivamente não é !!! E não é porque o glúten podem estar escondido nas mais diversas formas, e mesmo pequenos fragmentos já são suficientes para causar estrago nessas pessoas (eu me incluo aqui porque eu tenho doença celíaca) e eu me inspirei no post da Raquel Benati, na página Rio Sem Glúten:

Vida sem glutenViver sem glúten implica em cuidar de muitos detalhes como forma de preservar nossa saúde, pois estudos científicos, como esse aqui mostram que a exposição à contaminação por glúten continua inflamando o intestino e provocando sintomas, entretanto, a inflamação pode persistir mesmo na ausência de sintomas e este acaba sendo o maior perigo, pois sem sintomas, as pessoas tendem a se descuidar.

E qual o problema desses descuidos? O grande problema está no risco aumentado de consequências mais graves como a doença celíaca refratária e o linfoma intestinal, passando por outras doenças autoimunes, que podem “pegar uma carona” na DC, infertilidade, osteoporose, anemia crônica, deficiências nutricionais diversas, fadiga crônica, etc…

E como evitar tudo isso, já que (segundo algumas pessoas) seguir a dieta sem glúten já é difícil, que dirá viver completamente sem glúten?

A primeira coisa a fazer (e o alerta também se destina aos profissionais de saúde) é investigar se a pessoa não possui nenhuma desordem relacionada ao glúten ANTES DE INICIAR OU DE INDICAR A EXCLUSÃO DE GLÚTEN! Pois uma vez que o glúten é excluído, as chances dos exames negativarem e de não se fechar um diagnóstico, são muito grandes.

Há quem diga “pra que sofrer com exames se você simplesmente excluir o glúten e viver melhor“? E eu até concordaria com isso, se as diferenças entre excluir o glúten e viver verdadeiramente longe desta proteína não fossem tantas.

Sem um diagnóstico fechado, as pessoas acabam se sentindo mais “livres” para fazer a dieta da forma que acham mais fácil, sem grandes preocupações com a contaminação e sem grandes estresses com a família, amigos e sem tantos impactos na vida social, entretanto, os impactos no futuro podem ser muito sérios e irreparáveis…

Assim, sugerimos sempre que os exames sejam feitos antes e que as pessoas evitem cortar o gluten por conta própria, sem a devida orientação de um profissional de saúde.

Sobre Nutricionistas e Parafusos

Essa semana vi esse texto circulando pelo Facebook. Não sei que é o(a) autor(a), mas o mesmo me levou a uma série de reflexões sobre o trabalho do Nutricionista e a forma como as pessoas o enxergam.

“O sistema de computadores caríssimo de uma multinacional deu pau,todos os técnicos passaram horas tentando consertá-lo,mais de nada adiantou,ai um dos técnicos falou:
-Chama o japonês,só ele vai dar jeito.
A diretoria da impressa mais do que depressa chamou o japonês,ele chegou e examinou o equipamento por alguns minutos,pegou uma chave de fenda e apertou um parafuso.
Olhou para os diretores e disse:
-Pronto!Está funcionando perfeitamente.
Os diretores logo perguntaram:
-Quanto ficou seu serviço?
E o japonês respondeu:
-Ficou R$ 1.000,00.
-Você esta ficando louco só apertou um parafuso,
eu quero um relatório por escrito do que foi feito.

Apertar um parafuso:R$ 1,00
Saber qual parafuso apertar:R$ 999,00

Desconheço o autor da foto. Se souberem quem é, por favor, me informem para os devidos créditos.
Desconheço o autor da foto. Se souberem quem é, por favor, me informem para os devidos créditos.

Moral da historia:só você pode valorizar seu conhecimento
ou passar a vida trabalhando de graça.”

No caso, “saber qual parafuso apertar“, podemos traduzir como a “expertise” de cada profissional… seu grau de conhecimento sobre um determinado assunto, os cursos que já fez, as (incontáveis) horas de estudo dedicada a cada assunto e os anos de experiência na área.

Muita  gente (por desconhecimento) pensa que o trabalho do Nutricionista se resume a “passar uma dieta“.

E aqui cabe uma breve análise do que entendem por “dieta”: seria um papel com informações prontas, capazes de resolver um determinado problema por um curto período de tempo, como um mantra escrito, que repetido à exaustão fosse nos libertar de um determinado problema… perder peso rapidamente (essas sim, são as dietas que mais dão Ibope), baixar os níveis de colesterol, de glicose ou mesmo de ácido úrico.

Tem gente que acha que dieta é igual a receita de bolo, que será a mesma para qualquer pessoa, em qualquer circunstancia e em qualquer parte do planeta!

Seria ótimo se fosse assim… boa parte dos problemas da humanidade estariam resolvidos! Bastaria “dar um Google” ou procurar a “moda antiga”, uma revista numa banca de jornal e pronto… tudo resolvido. Mas acho que nem preciso dizer que todo mundo já percebeu que isso não funciona. pelo menos não a longo prazo e sabem por que não funciona?

Simplesmente porque cada ser humano é único! Cada um traz uma história de vida, cada um tem uma genética (e considerando que estamos no Brasil, o maior “caldeirão genético” do planeta, nunca 2+2 serão igual a 4), uma rotina. E sem falar nas diferenças fisiológicas entre homens e mulheres, nas diferentes fases da vida, nos hábitos alimentares, nas diferenças de clima entre cada região do país (e do planeta), na disponibilidade de alimentos, no quanto cada um está disposto a investir em alimentação, no tempo dedicado a preparar as refeições (ou na ausência dele). São tantas variáveis que precisam ser avaliadas só no inicio da conversa, que só por aí já dá pra perceber o porque das “dietas” não funcionarem…

Quando alguém procura o Nutricionista, partimos do princípio que esta pessoa está preocupada com sua saúde, quer mudar seus hábitos e adotar uma alimentação mais saudável… pelo menos aqueles que estão atentos à prevenção de problemas. Alguns só nos procuram quando algo já aconteceu e precisam de orientações especializadas para determinada condição clínica, seja ela a obesidade, o diabetes, o excesso de colesterol, as doenças auto imunes, alergias alimentares, etc. E ainda tem aqueles cujo objetivo é melhorar o rendimento esportivo. Para todas essas pessoas, o Nutricionista tem muito a oferecer, menos “uma dieta”!

Pode parecer um contra-senso, mas é isso mesmo! Como eu disse antes, dieta pressupõe algo que será feito por um curto período de tempo, ficando num determinado objetivo. Objetivo alcançado, adeus dieta. Isso funciona? Só funciona se for pra te ajudar a entrar no vestido de noiva daqui a 2 semanas, mas não garante que você esteja bem e em condições de aproveitar a sua festa (imagina a noiva desmaiando no mesmo da festa por má nutrição! Se ainda fosse de emoção, vá lá, mas por falta de comida ou por causa de uma “dieta”, não, né?) e muito menos a lua de mel.

Já o trabalho de um profissional responsável e estudioso, é capaz de ajuda-lo a atingir seus objetivos, e ganhando em saúde e bem estar. Dá pra chamar isso de dieta? Óbvio que não! Nutricionistas sérios, responsáveis e éticos colocam o bem estar e a saúde acima de tudo e muitas vezes precisam “desiludir” o paciente, quando seus objetivos estão além do que é possível conseguir de forma saudável e segura. Mas ao mesmo tempo que “desiludem”, são os parceiros capazes de indicar o melhor caminho e de auxiliar durante a caminhada.

Dieta? Não, obrigada!

No dia a dia, pra simplificar e poupar tempo, eu até chamo de dieta, mas quando eu uso essa palavra, no fundo quero dizer “planejamento dietético individualizado, para o qual eu precisei levar em consideração fatores genéticos, exames laboratoriais, sinais e sintomas associados a deficiências nutricionais, condições clínicas, presença de alergias ou intolerâncias alimentares, doenças crônicas em tratamento, uso de medicamentos e de suplementos, sexo, idade, estilo de vida, qualidade do sono, horas de sono, numero e qualidade das refeições diárias, habilidades culinárias, tempo que pode ser dedicado ao preparo das refeições, refeições realizadas fora de casa, ufaaaa… e objetivos“. Por isso eu chamo de dieta… rsrsrs.

Ou seja, pode até parecer fácil para olhos menos atentos… mas não é! E imagine sintetizar tudo isso em apenas 60-90 minutos de consulta? Colher todas as informações necessárias, fazer um mapa mental, correlacionando todas as informações com tudo aquilo que já foi estudado pelo profissional até aquele memento e “traduzir” o resultado destas associações ou mapa mental em alguns papéis contendo informações sobre uma conduta inicial! E quando há necessidade de suplementar com probióticos, vitaminas, minerais, fibras ou prescrever algum fitoterápico? No mapa mental ainda é necessário incluir as doses, a dose indicada para aquele paciente, naquele momento, por conta daquela condição, e ainda pensar nas possíveis interações medicamento-nutriente, nutriente-nutriente, fitoterápico-nutriente-medicamento, forma farmacêutica que será prescrita (cápsula? pó? xarope? gotas? infusão?) e possíveis efeitos colaterais! Pronto… terminado o processo, é hora de entregar ao paciente seu planejamento dietético inicial e dar todas as explicações necessárias e orientá-lo quanto ao tempo em que aquele planejamento deverá ser seguido e por quanto tempo a suplementação deverá ser tomada. Sim! Porque tal prescrição foi feita para aquele momento. Dali a um mês, nada daquilo pode estar mais servindo a mesma pessoa e so o profissional que elaborou a conduta inicial, terá as melhores condições de re-avaliar o que pode ser mantido (não há nenhuma regra pra isso… a taxa de manutenção de uma conduta num segundo momento pode variar de 0 a 100%). Então, ficar trocando de profissional todo mês, pode não ser uma boa idéia!

Ah! E eu falei que as respostas às conduta/suplementação não serão imediatas? Acho que não…

Diferentemente da ação de alguns medicamentos, como os usados pra dor ou febre, que tem ação rápida, os efeitos da suplementação e da própria mudança nos hábitos alimentares precisam de algum tempo para serem “percebidos” pelo corpo (ou metabolizados) e se tornarem “visíveis” para o paciente… por isso a importância de se manter uma constância naquilo que foi programado. Não adianta tomar hoje o probiótico e achar que só essa dose será suficiente para recolonizar todo o seu intestino (castigado por anos de alimentação errada, aditivos alimentares, antibióticos, medicamentos, noites mal dormidas, etc) e resolver problemas como constipação, diarréia, alergias, alterações de permeabilidade intestinal, etc… mas aposto que não foi isso que uma certa propaganda de iogurte te fez acreditar, não é mesmo?

Por isso muitas vezes precisamos pedir paciência aos nossos pacientes. Meio redundante isso, mas eu prefiro chamar meus clientes de pacientes, à moda antiga, porque eu não me vejo como uma “vendedora de serviços”, eu me vejo como uma “cuidadora da saúde e do bem estar“. Uma vez uma paciente muito querida me chamou de “guardiã da saúde“… achei até engraçado, porque parece coisa de desenho animado de super-herói, mas no fundo eu gostei dessa denominação, porque é bem isso fazemos… guardamos ou zelamos pela saúde e qualidade de vida daqueles que confiam em nosso trabalho… a meu ver é algo muito mais profundo (e que tem um grau muito maior de compromisso, parceria e responsabilidade) que a relação com um cliente. Mas cada profissional prefere chamar deum  jeito e não estou aqui pra julgar ninguém, nem pra dizer que um é melhor que outro!

Enfim… depois tanto papo, o que eu realmente gostaria de dizer é: busque orientação de quem sabe “qual parafuso apertar” (numa alusão ao texto cima) ou seja, de quem entende verdadeiramente do assunto! Não aceite uma mera dieta que não foi feita pra você! Procure por um profissional que te trata como indivíduo, como pessoa única que você é, mesmo que você tenha o mesmo problema de saúde que milhares de pessoas também tem. Mas tenha em mente que o custo de tanto empenho, tanto conhecimento e até mesmo tanta energia investida por um profissional não vão custar o mesmo que uma “dieta” que você encontra na banca mais próxima.

Grande abraço, pessoal!

E até a próxima!

Juliana