99% sem glúten, mas aquele 1%…

Muitas pessoas (incluindo alguns profissionais de saúde, infelizmente) acreditam que celíacos / alérgicos / sensíveis ao glúten podem eventualmente sair da dieta, por exemplo, naqueles dias em que a vontade de comer um pãozinho ou um salgadinho ou uma fatia daquela torta. Só que não!

Aliás, esse é um grande erro que muitos cometem, por falta de informação, a começar por acharem que trata-se apenas de uma “intolerância”, coisa que já falamos aqui que não é bem assim. A coisa complica ainda mais porque tá cheio de gente por aí, que excluiu o glúten, sabe o quanto esta proteína lhe faz mal, mas por ter iniciado a dieta antes dos exames, não tem um diagnóstico fechado. E eu confesso, já fui dessas! Já fiz essa besteira antes de ter conseguido fechar meu diagnóstico… mesmo já sabendo que glúten não era legal pra mim, enquanto não achava um bom médico e não fazia os exames necessários, eu cedia sempre que o olho grande falava mais alto. E por já ter passado pela experiência (e saber como é ruim ficar com vontade de comer alguma coisa a qual antes tínhamos livre acesso) é que me sinto no dever de fazer esse alerta!

Os objetivos da dieta sem glúten são zerar a inflamação (em todos os casos), controlar os mecanismos da autoimunidade, zerar a contagem de anticorpos (antitransglutaminase) e recuperar a mucosa do duodeno (intestino delgado) (no caso da DC) e controlar os sintomas alérgicos (no caso da alergia ao trigo).

Aqui é importante mencionar que a inflamação não fica restrita ao intestino… ela pode afetar o corpo todo e justamente por isso, as contaminações por glúten podem não alterar a contagem do antitransglutaminase. Por exemplo, a inflamação causada pelo glúten pode afetar as articulações, piorando as dores, pode afetar a tireoide, aumentando os anticorpos tireoidianos, na tireoidite de Hashimoto ou aumentando os riscos de coagulação e trombose em doenças que já favoreçam esse tipo de problema, como nas trombofilias…

Essas escapulidas da dieta, vão gerando danos que se acumulam no organismo e a longo prazo podem levar a sérias complicações, como a doença celíaca refratária e até mesmo o linfoma intestinal! E aí, minha gente, a coisa fica pra lá de complicada, porque o tratamento destas condições é bem mais complexo, com restrições alimentares beeeem maiores…

Enquanto estamos livres de glúten (lembrando que não é só exclui-lo e pronto! É necessário cuidar do que se coloca no lugar), a inflamação fica sob controle. Basta uma exposição a esse sujeitinho e a inflamação dá as caras e põe dias e até meses de cuidado a perder!

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Há também quem acredite que se consumir uma daquelas enzimas que falei nesse post aqui, que dá pra encarar umas fatias de pizza numa boa, mas não dá. As enzimas podem até inibir os sintomas, mas até se prove o contrário (e por provar o contrário estou me referindo a termos vários estudos randomizados, controlados, duplo cego, com um numero grande de participantes) não inibem a inflamação como um anestésico. É um raciocínio semelhante ao que ocorre quando temos uma infecção e febre… ao tomarmos um remédio para a febre, a mesma cede e fica controlada, mas a infecção não desaparece!

Enzimas gluten

Ou seja, a única forma de tratar as desordens relacionadas ao glúten, é fazendo a dieta 100% sem glúten e sem contaminação, como já falei tantas vezes aqui (e aqui e aqui) no blog!

Vida sem gluten

 

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Infertilidade x Doença Celíaca

A relação entre glúten/DC e infertilidade é uma dúvida recorrente nos grupos de celíacos, e realmente doença celíaca (DC) TEM que ser investigada em mulheres com dificuldade para engravidar ou que engravidam, mas mas não conseguem levar a gestação adiante.

Infelizmente a DC é pouco lembrada nos consultórios de ginecologia, apesar de ser uma causa tratável de infertilidade. O triste é que esse “esquecimento” dos profissionais tem um alto custo (emocional, principalmente, mas também financeiro, por conta dos muitos tratamentos para engravidar) para as mulheres que desejam ter um bebê.

É sempre importante lembrar que a DC nem sempre aparece com sintomas típicos (diarreia e perda de peso) e seus sintomas (dor de cabeça, desconforto abdominal, inchaço, aftas, queda de cabelo, cansaço, anemia, depressão, irritabilidade, intestino preso, etc) se confundem facilmente com muitas outras condições clínicas e pode vir associada a outras doenças autoimunes como Tireoidite de Hashimoto, Diabetes Tipo I, etc.

A DC pode causar infertilidade de várias maneiras e vou tentar explica-las:

Deficiências nutricionais – a DC causa má absorção, portanto, celíacos estão em risco de deficiências nutricionais diversas. Para que um bebê se desenvolva no útero materno, são necessários diversos nutrientes: proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais e para isso, as necessidades nutricionais da gestante aumentam. Com a má absorção, fica inviável pro corpo manter todas as suas funções e ainda dar conta de um bebê em desenvolvimento. Então, a natureza, sabiamente, para preservar a mãe, impede a gestação. Em outros casos, o embrião pode apresentar má formações graves por causa do deficit nutricional  e mais uma vez, a natureza entra em ação e não deixa a gestação prosseguir. A deficiência de nutrientes também pode afetar os homens celíacos e dificultar a gestação da parceira! Os espermatozóides dependem de diversos nutrientes para serem capazes de fecundar o óvulo e sem nutrientes, a coisa complica…

  1. A DC é uma doença autoimune, logo, significa que o glúten estimula a autodestruição do nosso corpo, através da produção dos autoanticorpos (o antitransglutaminase e o antiendomísio). A transglutaminase é uma enzima que está presente em todo o corpo e o endomísio é uma estrutura que recobre a camada muscular dos tecidos… os anticorpos que produzimos contra essas estruturas podem atacar o embrião em formação e a placenta, impedindo que a gestação evolua. Mesmo em celíacas diagnosticadas e que fazem a dieta, é importante lembrar que contaminações frequentes e o consumo voluntário de glúten também são prejudiciais!
  2. Outro ponto importante é que em função do ataque autoimune à mucosa do intestino, o corpo todo fica sob o efeito da inflamação e do excesso de radicais livres produzidos. Na tentativa de neutralizar esses efeitos, o deficit nutricional aumenta, pois é como tentar apagar um incêndio de grandes proporções usando um copo… a água (os nutrientes) acaba e o incendio continua lá…
  3. Há ainda as celíacas que também apresentam disfunção tireoidiana. O hipotireoidismo.  é uma causa conhecida de dificuldade para engravidar e de riscos à saúde do bebê, principalmente sob o aspecto neurológico e cognitivo (casos graves de hipotireoidismo não tratado podem causar cretinismo, uma condição em que o bebê nasce com retardo no desenvolvimento cerebral)

Infelizmente não são poucos os relatos de mulheres que tentaram engravidar durante anos e que acabaram entrando na menopausa (muitas vezes precocemente) sem terem conseguido ter um bebê, justamente porque não saberem da DC e por não terem tido a oportunidade de se tratarem. Esse é um dos motivos que me preocupam quando alguma paciente se queixa da dificuldade de engravidar, pois a celíaca pode estar ali, mesmo sem sintomas típicos.

Mas a NOTÍCIA BOA (!!!) é que a DC diagnosticada e tratada (dieta sem glúten e sem contaminação) não impede a gestação e nem a torna mais arriscada ou complicada. Com uma alimentação saudável e variada e com o tratamento correto das deficiências nutricionais (reposição dos nutrientes em falta), sem esquecer de cuidar do intestino e da suplementação com probióticos é possível gerar bebês saudáveis e ter uma gestação tranquila!

Bebe e cegonha
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Mas NÃO EXCLUA O GLÚTEN ANTES DE FAZER EXAMES PARA DIAGNOSTICAR A DC!!! Se você está tentando ou planejando engravidar, converse com seu médico e peça para que ele inclua os exames (a dosagem do anticorpo antitransglutaminase no sangue e a endoscopia com biopsia de 6 a 8 fragmentos do duodeno) na listagem de exames pre-natais e não deixe de procurar um Nutricionista para garantir uma alimentação saudável durante toda a gestação e depois, durante a fase de amamentação!

Bebe amamentado
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Dieta Low Carb não é sinônimo de comer bacon como se não houvesse amanhã

E nem de se “entupir de carne” ou embutidos ou laticínios, como (infelizmente) muitos pensam e divulgam por aí…

Como já falei aqui, dieta low carb pode ser muita coisa (e coisas ruins, diga-se de passagem), mas o bom senso nos diz que low carb é uma redução na ingestão habitual de carbos, principalmente carbos vindos de pães, biscoitos, massas, doces, refrigerantes e produtos industrializados em geral (sucos/refrescos, gelatinas, cereais matinais, empanados, etc). E mesmo que o objetivo seja a perda de peso (e não só o controle de problemas metabólicos, como diabetes, resistência insulínica ou esteatose hepática), não há porque evitar frutas, hortaliças  ou mesmo tubérculos!

Mas há uma crença generalizada de que low carb é a senha para se tornar frequentador assíduo de churrascarias rodízio ou para se esbaldar nos embutidos e laticínios… aliás, esse é o maior erro que as pessoas cometem!

Dietas com restrição de carboidratos são usadas principalmente com a finalidade de melhorar a sensibilidade à insulina (ou seja, fazer com que o corpo otimize o uso da insulina existente e não produza demais, sem necessidade) e consequentemente, melhorar o controle glicêmico, os níveis de colesterol e triglicerídios, reverter a esteatose hepática, reduzir o peso corporal (e principalmente o percentual de gordura corporal) e ainda no tratamento e prevenção do câncer… E todas essas situações tem em comum o fato de haver  disbiose intestinal (alterações na microbiota intestinal), presença de inflamação e endotoxemia (translocação ou passagem de toxinas e restos celulares – LPS – das bactérias intestinais para a corrente sanguínea).

Tá, mas e o que isso tem a ver com não comer frutas e hortaliças e exagerar nas proteínas e gorduras???

alimentos paleo

Tem TUDO a ver, e vou explicar:

  1. A carne dos animais que temos hoje tem um perfil de gordura mais inflamatório em função da alimentação que estes animais recebem, geralmente muito diferente da alimentação que eles escolheriam se vivessem soltos por aí… sem falar que os animais criados para o abate, vivem confinados (para gastarem menos energia e engordarem mais rápido) e tomam antibióticos com frequência (porque ficam mais doentes), que por sinal, alteram sua flora microbiana natural e favorecem o ganho de peso. Além disso, os resíduos de antibioticos presentes na carne que consumimos também altera nossa microbiota…
  2. Carne e principalmente os embutidos e queijos possuem grande quantidade de sódio, que pode aumentar a pressão arterial, causa edema (inchaço), favorece a formação de cálculos renais e a perda de cálcio dos ossos e ainda estão relacionados a um risco maior de câncer de estômago;
  3. Laticínios, independente da quantidade de lactose, prossuem proteínas e aminoácidos que aumentam a produção da insulina (por isso diz-se que possuem alto índice insulinêmico) e de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina). Isso é importante e benéfico quando se trata de filhoes e bebês em fase de crescimento e pessoas desnutridas que necessitam recuperar seu estado nutricional. Mas pode ser um “tiro no pé” de pessoas com resistencia insulínica, sobrepeso e até mesmo diversos tipos de câncer;
  4. Frutas e hortaliças possuem fibras, importantíssimas para a boa função intestinal e eliminação das toxinas que necessitam ser eliminadas pelas fezes. Essas fibras também são capazes de melhorar a nossa microbiota (“flora”) intestinal, favorecem o crescimento de bactérias “do bem” e estimulam a produção de ácidos graxos de cadeia curta, substâncias importaantes para a saúde intestinal, para o controle dos níveis de colesterol (aumento do HDL e diminuição do LDL) e diminuição da inflamação relacionada à endotoxemia. Lembrando que, intestino preso é o caminho mais rápido para desenvolver SIBO ou crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, condição que causa diversos problemas e aumenta a inflamação.
  5. Além disso, frutas e hortaliças possuem vitaminas e compostos bioativos de ação anti-inflamatória e antioxidantes, que neutralizam a ação dos radicais livres e a inflamação. Também possuem magnésio e potássio, necessários ao equilíbrio do pH do corpo (evitando acidez excessiva que “rouba” o cálcio dos ossos para ser neutralizada), estes minerais também são importantes para a manutenção de níveis mais baixos de pressão arterial e prevenção de cálculos renais;
  6. Muita gente foge das frutas com medo da frutose. De fato, frutose demais é um perigo, pois aumenta os triglicerídios, o ácido úrico, causa gota e piora o quadro da síndrome metabólica. Mas é importante dizer que não é a frutose naturalmente presente nas frutas! A frutose “do mal” é a que está no xarope de milho, presente numa infinidade de produtos industrializados (muitas vezes disfarçada com o nome de açúcar invertido ou açúcar líquido), como refrigerantes, sucos “de caixinha”, biscoitos, pães, barrinhas e cereais matinais, achocolatados e iogurtes. Frutose também está presente na sacarose, o açúcar de cana (ou açúcar de mesa), que muitos usam com exagero e que também esta presente (em alguns casos, junto com o xarope de milho) em muitos produtos industrializados:
  7. Solidos de xarope de milhorotulo_barra-cereais_022
  8. E por último, há estudos mostrando que o consumo de frutas é mais eficaz para a perda de peso que sua exclusão da dieta:
  9. Frutose
    Post do prof Marcelo Carvalho no FB

Dietas Low carb x diabetes

De um tempo pra cá a “dieta low carb” tem sido falada (e praticada) com bastante frequência e atualmente este tem sido um dos principais motivos pelos quais os pacientes me procuram, seja apenas para controlar a glicemia, para prevenir o diabetes (tipo 2) ou para perder peso.

Mas antes de começar a falar dos benefícios da dieta low carb no diabetes, é importante falarmos primeiro sobre o que seria “low carb“…

Pra inicio de conversa não há uma única dieta low carb… e esse é um dos motivos pelos quais não gosto muito de ser chamada de “Nutricionista low carb”, pois low carb pode seguir uma abordagem bastante saudável como nas dietas no estilo Paleolítico (que já falei aqui, aqui e aqui), como pode ser também algo bem “trash” e prejudicial a saúde (quando se exclui frutas e hortaliças, e a alimentação fica a base de embutidos, queijos gordurosos, adoçantes artificiais e até… refrigerantes zero e gelatina diet!).

Outra questão importante é o que se considera e qual a quantidade de carboidratos ingerida…

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Partindo das recomendações habituais de carboidratos numa dieta tradicional padrão, qualquer quantidade abaixo de 50% das calorias diárias vindo dos mesmos ja pode ser considerada low carb. Mas alguns mais radicais só consideram low carb “de verdade” quando a ingestão máxima de carboidratos/dia não passa de 20 gramas!

Eu particularmente considero 20g/dia um valor absurdamente baixo e desnecessário a grande maioria das pessoas e por vários motivos:

Como o cérebro usa preferencialmente a glicose como combustível, o próprio corpo (enquanto usa os corpos cetônicos, vindos da gordura e de alguns aminoácidos) se encarrega de gerar glicose (a partir das proteínas, sejam da alimentação, seja da massa muscular) para o cérebro e isso pode aumentar a glicemia. Além disso, para manter níveis tão baixos de carboidratos, é necessário abrir mão de muitos alimentos saudáveis, como frutas e legumes (principais fontes de compostos bioativos de ação anti-inflamatória e antioxidante; vitaminas, minerais e fibras), ao mesmo tempo em que se aumenta a ingestão de alimentos com mais proteinas e gorduras.

Não que gordura seja tão prejudicial assim (estou falando da gordura naturalmente presente nos alimentos e não há gordura hidrogenada, nem na margarina ou óleos vegetais refinados), mas muita gordura a base de embutidos e laticínios (em vez de gordura das frutas e sementes oleaginosas, por exemplo) aumenta o risco de inflamação e doenças cardiovasculares. Outro problema do excesso de proteínas, embutidos e laticínios é a grande quantidade de sódio presente nestes alimentos, que aumenta o risco de cálculos renais, perda de cálcio ósseo (aumentando o risco de osteoporose) e ainda o risco de câncer de estômago! Também é sempre bom lembrar que diabéticos estão mais propensos a problemas renais (nefropatia diabética)…

Entretanto, quando se faz uma restrição moderada de carboidratos, equilibrando carnes mais magras (e peixes, aves, etc) e ovos com frutas e hortaliças diversas (incluindo tubérculos), é possível equilibrar a glicemia, sem prejudicar o funcionamento renal, protegendo os ossos e ainda mantendo o corpo protegido da inflamação e dos radicais livres. Nesse caso, ao evitar farinhas, pães e massas já reduzimos o carboidrato de forma significativa!

E o que tudo isso tem a ver com o diabetes???

Bom, seja no DMI ou no DMII, é necessário controlar a glicemia e garantir que a insulina (exógena, tomada como medicação ou endógena, produzida pelo próprio corpo) funcione adequadamente*. Em ambas as situações, é preferível manter uma dieta moderadamente baixa em carboidratos (algo em torno de 40% das calorias diárias) de baixo índice glicêmico, bem distribuidos ao longo do dia. Assim, é possível também favorecer a perda de peso e a manutenção de um peso saudável a longo prazo, e ainda garantindo a ingestão de todos os nutrientes necessários à saúde.

Em todos os casos de diabetes, pode-se dizer que há presença inflamação, aumento da permeabilidade intestinal e endotoxemia (passagem dos LPS os dos fragmentos das bactérias intestinais – bactérias “do mal” – para o sangue) e uma dieta nos moldes da Paleo se mostra benéfica, pois diminui a inflamação, diminui a permeabilidade (ao excluir trigo, lácteos e lectinas, proteínas presentes em alguns grãos e farinhas) e ainda (por ter uma boa quantidade de fibras), melhora a microbiota intestinal.

*No DMI, a contagem de carboidratos costuma ser feita, para ajustar a dose de insulina de acordo com cada refeição. É uma boa forma de promover o controle glicêmico, porém é importante chamar a atenção que os carboidratos não são todos iguais e que mesmo que a glicemia baixe com uma dose mais alta de insulina, a formação de AGEs (compostos de glicação avançada) pode ocorrer, prejudicando a saúde, além do aumento dos níveis de colesterol, triglicerídios e esteatose hepática (acumulo de gordura no fígado). A contagem existe para permitir maior flexibilização da dieta, mas não para liberar uma “overdose” de carboidratos de alto índice glicêmico presentes em alimentos pobres em nutrientes!

 

Nutricionista é parceiro e não carrasco!

Frequentemente recebemos perguntas do tipo “Posso comer isso?”, “Por que não posso comer aquilo?”, “Estou proibida de comer…?”, “Quando poderei sair da dieta?”, “Não há um dia do lixo?”, “Por quanto tempo tenho que fazer essa dieta?”, etc…

Apesar de comum, sinceramente não consigo achar esse tipo de questionamento normal, a começar pelo “dia do lixo” ou “dia livre”. Primeiro que ninguém come (ou pelo menos não deveria comer) LIXO! Comida é comida e mesmo produtos industrializados nada saudáveis, não deveriam ser chamados de lixo… ok, não podem de forma alguma serem chamados de comida, mas comer lixo é algo muito triste, que infelizmente em pleno século XXI algumas pessoas ainda fazem pra sobreviver:

Comida no lixo
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Então, por favor… não deseje ter um “dia do lixo”! Seja grato (a) por tudo o que há em sua mesa! Aproveite a oportunidade para pensar sobre desperdício e sobre racionalizar a compra de alimentos/produtos alimentícios…

Mas se você deseja desesperadamente “sair da dieta” ou “comer livremente”, tá na hora de parar, pensar e ser honesto (a) consigo mesmo (a). Se há necessidade de “sair” é por que não está bom do jeito que está. E por que não está bom? Talvez porque exista um desejo um tanto irreal de plantar maçãs e colher amoras… quer dizer, de comer livremente produtos pouco saudáveis e ainda assim manter a saúde e não engordar… Talvez porque a comida esteja sendo usada como válvula de escape para aliviar o estresse ou os descontentamentos do dia a dia ou esteja sendo usada como “prêmio”…

Infelizmente terei de bancar a chata e dizer que não é possível ter tudo o que queremos e do jeito que queremos. Não estou dizendo que “dieta” seja sinônimo de sofrimento e privação, porque também não é isso! Muito pelo contrario! Mas acredito que durante décadas as pessoas se acostumaram a “fechar a boca” e “passar fome” para perder peso rapidamente e em seguida, tomam o caminho oposto de “comer tudo livremente”, recuperando todo o peso perdido e ganhando outros tantos, de brinde… Aliás, muita gente só procura o Nutricionista quando não sabe mais o que fazer, ou quando estão “desesperados” ou quando fazem tudo o que já sabem e não conseguem mais emagrecer. Há ainda quem acredite que Nutricionista só atende e só cuida de pessoas acima do peso. Isso é o resultado de conceitos um tanto distorcidos sobre o que é dieta, sobre as funções do Nutricionista e sobre o que é alimentação saudável…

De um modo geral, todo mundo tem noção de que comer frutas, legumes e verduras é saudável e que comer doces e tomar refrigerante não é. Mas ainda assim, há grande resistência e dificuldade em agir de acordo com o que se sabe ser melhor, e os motivos são vários…

Outra questão importante é a ilusão com as informações destacadas em rótulos de produtos industrializados e em propagandas na TV/jornais/revistas/internet. Essas propagandas nos levam a crer que comer um biscoito “integral, rico em fibras e enriquecido com vitaminas e minerais”, por exemplo, é mais saudável que comer uma fruta. Não importa que as frutas tenham naturalmente muito mais fibras, vitaminas e minerais… vale o que está no rótulo. Será? Eu, provavelmente contrariando muitos especialistas em marketing, acredito que o que é bom, nem precisaria de propaganda ou de rótulo, mas nossa sociedade, de um modo geral, parece necessitar de algo por escrito. Talvez por isso, uma empresa que venda bananas tenha apelado e colocado rótulo em seu produto…

bananalightweb
Foto da internet

Ok, se o produto é orgânico e tem certificação, tem q vir escrito mesmo. Mas péra… banana light? Pra que isso, minha gente? Será que é porque ta cheio de gente com medo de comer banana, já que andam “proibindo” frutas nas dietas de emagrecimento? Vai saber…

Enfim, voltando ao início da conversa… o papel do Nutricionista não é proibir, não é bancar o carrasco e brigar ou penalizar o “paciente rebelde”. Isso JAMAIS!!! Estamos aqui pra dar a mão, pra ajudar com escolhas mais saudáveis, mais condizentes com os resultados desejados e com as necessidades de saúde de cada um. Também estamos aqui pra respeitar o livre arbítrio, porque sim, as pessoas tem o direito de escolher não cuidar da própria saúde, por mais que isso nos doa e nos preocupe. Não podemos impor um tratamento a quem não quer se tratar ou a quem diz que quer mas age como se não quisesse.

Mas para quem quer uma orientação, nós podemos indicar o caminho e ajudar a traçar o roteiro da “viagem”. Por exemplo, se a pessoa está no RJ e precisa chegar em SP, há diversas formas de chegar… pode ir de carro (dirigindo ou de carona), pode ir de ônibus, de avião ou mesmo de bicicleta ou pé (vai demorar, vai se cansar, mas uma hora chega lá). Pode parar no meio do caminho pra descansar, pode pedir ajuda e informação, etc. Mas se essa mesma pessoa, compra uma passagem pra Bahia… ela não chega a SP (pode até ser que chegue, mas demorando mais tempo, se estressando mais e gastando mais dinheiro, sem necessidade).

E o que isso tem a ver com alimentação e com Nutricionistas? Ficou doida?

Bom… se você quer perder peso, por exemplo, existem diversos meios de conseguir (você seguir uma abordagem em que precise comer menores porções, porem mais vezes ao dia, pode intercalar pequenos momentos de jejum, comendo só quando tem fome, pode fazer uma porção de coisas, de preferência devidamente orientadas por um Nutricionista que vai avaliar caso a caso e indicar as opções mais viáveis e mais adequadas a cada individuo)… mas não será indo na direção oposta (por exemplo, “passando fome a semana toda” pra ter “dia do lixo” nos fins de semana, e comer enlouquecidamente como “se não houvesse amanhã”, que isso será possível…

Ainda vale lembrar que é possível comer de tudo e ainda sim ser saudável. Mas quando falo “comer de tudo”, to me referindo a “comida de verdade” e não a produtos alimentícios cheios de aditivos e componentes de nomes estranhos que tentam enganar seu corpo, até porque, nosso corpo, sabiamente, não se deixa enganar! Aproveito aqui pra sugerir a leitura de 2 livros que tem tudo a ver com o que estou falando: “Em Defesa da Comida”, do jornalista Michael Pollan e “Sal, açúcar e Gordura”, de Michael Moss

E como eu ia dizendo, dá pra ser saudável e ainda assim, comer 1 fatia de bolo de chocolate no lanche de domingo. O que não dá é passar a semana inteira só comendo alface e na sexta a noite partir pra um rodízio de massas e comer de tudo o que for servido. Ou chegar na festinha de sábado e comer todos os salgadinhos, docinhos, bolo (com muito açúcar e cheio de gordura hidrogenada na cobertura) e se encher de refrigerante/cerveja… faz algum sentido viver assim? Alternar privação com excesso? Pra mim, sinceramente não faz…

equilíbrio é muito mais sensato e benéfico. Exagerou na macarronada do almoço de domingo? Pega leve no jantar e na segunda. Mas sem sofrimento e sem culpa, porém com responsabilidade sobre as próprias escolhas.

E não, não vamos brigar… eu pelo menos não brigo com meus pacientes (nem ponho de castigo… rsrsrsrsrs)… primeiro porque, como falei, não é essa a minha função. E segundo porque quando fazemos algo que não é benéfico para nós, nosso próprio corpo se encarrega de dizer que aquilo não foi ou não está sendo legal… basta aprendermos a ouvi-lo.

Eu já cortei o glúten da minha alimentação. Por que preciso de Nutricionista?

Essa é uma dúvida muito recorrente entre celíacos, sensíveis ao glúten e alérgicos ao trigo. Como a dieta livre de glúten é o único tratamento reconhecido pela comunidade científica e realmente eficaz nessas condições, é comum que as pessoas acreditem que a exclusão pura e simples dos alimentos fontes de glúten seja capaz de resolver todos os seus problemas…

Só que não…

Esse material que elaborei para a Fenacelbra, mostra que a exclusão de glúten é apenas o primeiro passo na caminhada em busca de mais saúde e qualidade de vida! http://www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/blog/2013/03/23/cartilha-10-passos-para-a-alimentacao-do-celiaco/

Infelizmente a maior parte dos diagnósticos tem sido feita tardiamente, geralmente após anos de “peregrinação”. Quanto mais tarde o diagnóstico e quanto mais tarde o início da exclusão de glúten (e da implantação de cuidados em relação a contaminação cruzada), mais lenta tende a ser a melhora no quadro clínico. Tal fato se agrava se a alimentação antes do diagnóstico era cheia de alimentos industrializados (processados e ultraprocessados), altamente calórica, cheia de aditivos químicos, sal, açúcar e gordura, porem muito pobre em nutrientes e muito pior fica, se na exclusão de glúten só lembramos dos substitutos a base de farinhas sem glúten e esquecemos da “comida de verdade”!

As Desordens Relacionadas ao Glúten (DRG) e principalmente a Doença Celíaca (DC) causam inflamação (no caso da DC, há inflamação e atrofia da mucosa intestinal, onde os nutrientes são absorvidos) e má absorção de diversos nutrientes. Quanto mais tempo de deficiência nutricional, e quanto mais graves estas deficiências, mais lenta será a recuperação e ainda assim, para que ocorra uma recuperação completa, muitas vezes é necessário, além da dieta, a suplementação de micronutrientes (vitaminas e minerais), de aminoácidos (como glutamina e/ou arginina) e de probióticos.

As deficiências nutricionais podem causar diversos tipos de anemia (dependendo do nutriente mais prejudicado – ferro ou vitamina B12 ou ácido fólico), cãibras, dores musculares, fadiga, alterações no paladar, queda da imunidade contra vírus e bactérias, prejuízos na cicatrização de feridas, infertilidade, alterações na função tireoidiana, dificuldade de concentração, diminuição da memória e até mesmo alterações neurológicas mais sérias.

O Nutricionista, é o profissional certo para avaliar essas deficiências nutricionais, seja através de exames laboratoriais, seja atraves da avaliação de sinais e sintomas (já que algumas não aparecem em exames de sangue, ou quando aparecem é porque o nível de deficiência está bem crítico) e através da análise dos hábitos alimentares. A partir daí é possível traçar estratégias para reverter tais deficiencias e prevenir que elas retornem no futuro.

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Através da alimentação / suplementação também é possível acelerar a recuperação da mucosa intestinal dos celíacos, diminuindo o risco da persistência das deficiências e diminuindo também o risco de surgirem hipersensibilidades alimentares decorrentes das alterações na permeabilidade intestinal, sempre presente na DC.

Caso as DRG venham acompanhadas de outras alergias/hipersensibilidades alimentares (alergia ao leite de vaca ou a soja ou a outros grãos, por exemplo) ou intolerâncias (intolerância a lactose ou aos Fodmaps, por exemplo), o Nutricionista também é o profissional certo para adequar o planejamento alimentar e indicar suplementação, se for necessário.

Sem falar aqueles que ainda ganham peso excessivo ou aumentam muito o acumulo de gordura abdominal após a exclusão do glúten. estas pessoas, além de possivelmente continuarem com as deficiências nutricionais, estão mais sujeitas à síndrome metabólica, com alterações na pressão arterial, resistência insulina, diabetes tipo 2, esteatose hepática, etc…

Mas é importante alertar sobre a necessidade de continuidade do tratamento! Numa única consulta é impossível fazer todas as adequações necessárias e mesmo que seja possível, é necessário acompanhar a evolução (e a melhora) de cada parâmetro avaliado e da melhora do paciente como um todo!

 

Não consigo emagrecer!!!

Quantas pessoas já não se viram e estão se vendo nesta situação? Quantas dietas já não foram tentadas? Quantas novidades apresentadas pela mídia, na forma de dietas, “superalimentos”, termogênicos, exercicios, etc, que despertaram grande interesse, mas que se mostraram ineficazes?

Muitas pessoas associam emagrecimento a “fechar a boca” e “se matar na academia“, como se a perda de peso dependesse apenas de um cálculo matemático. Muitos recorrem aos produtos ao consumo de produtos “diet“, “light” ou “zero“, numa tentativa de enganar o próprio corpo com consistencias e sabores que não correspondem exatamente ao que foi ingerido. Outras pessoas aderem à dieta do momento ou pulam refeições, fazem exercicios em jejum, cortam glúten, lactose, gordura, mas raramente obtem sucesso em relação a perda de peso. E quando conseguem perder, acabam por recuperar o peso e ainda engordam mais um tanto.

E por que isso acontece? As causas podem ser muitas e variam de pessoa pra pessoa.

Há os que sofrem de compulsão alimentar associada a ansiedade, há os que sentem muita fome porque estão se alimentando da maneira errada, há os que já se privaram tanto de comida, que o corpo tenta se proteger dificultando a perda de gordura, há os que estão constantemente submetidos ao estresse, etc…

E o que fazer?

As abordagens são muitas. Orientações nutricionais e planejamentos alimentares individuais (elaborados por um profissional devidamente capacitado para isso) são importantíssimos e necessários, mas a participação em grupos de pessoas com perfil semelhante, pode ajudar muito àqueles que estão encontrando dificuldades na perda de peso.

E foi pensando nisso (e também nas pessoas que apenas estão buscando se alimentar melhor para ter mais qualidade de vida) que eu resolvi , além das consultas individuais, iniciar um trabalho com grupos, no consultório da Freguesia/Jacarepaguá (Rio de Janeiro/RJ).

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A ideia é que cada participante se sinta acolhido, se sinta menos sozinho e mais apoiado pelo próprio grupo. Durante nossas reuniões, conversaremos sobre temas importantes para uma alimentação saudável e para a perda de peso, já que durante as consultas, o tempo para abordar todos esses assuntos é pequeno e algumas duvidas acabam surgindo no dia a dia. Também haverá espaço para que todos tirem suas dúvidas. E o objetivo final é que todos saiam mais fortalecidos e sentindo-se mais capazes de fazer escolhas alimentares mais racionais e saudáveis.

Começaremos com grupos pequenos de 5 a 6 pessoas, para que todos possam interagir e as reuniões sejam mais dinâmicas. Além disso, a participação no grupo é independente das consultas individuais, ou seja, não é necessário já ser um paciente para participar do grupo.

A primeira edição começará já em fevereiro e as pré-inscrições  já estão sendo feitas, através dos seguintes canais:

Email: jujucrucinsky@gmail.com

Tel: (21) 98820-7773 (das 10 as 20h)

FB (atraves de mensagem): www.facebook.com/NutricionistaJulianaCrucinsky/

 

Por que beber água é tão importante?

Quase 70% do corpo humano é formado por água…

As reações orgânicas todas dependem de água: a digestão, que começa na boca (a partir do contato dos alimentos com a saliva) e segue no estômago, onde há contato com o suco gástrico e continua pelo intestino, onde precisamos de mais líquidos digestivos, contendo enzimas, que concluem a digestão e facilitam o transporte dos nutrientes.

Foto da internet
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Mas se a ingestão de água não é suficiente,  o corpo sabiamente recicla! Mas de onde tira essa água reciclada? Das FEZES! Oi???? Isso mesmo. .. Se não bebemos água suficiente, o corpo reabsorve água das fezes para que as reações que dependem dela não parem,  e isso pode causar constipação ou prisão de ventre. Aliás, a grande maioria das pessoas que se queixa de prisão de ventre, e que tenta de tudo para o intestino funcionar (chás, farelos integrais e até mesmo aquele iogurte da propaganda que diz que devolve o dinheiro se o produto não funcionar), simplesmente não bebe água… pelo menos não em quantidade suficiente!

(Imagem da internet)
(Imagem da internet)

Há quem não beba água por não “gostar” (água não tem gosto, mas é possível agregar sabor e valor (não estou falando de valor calórico, mas sim de valor nutricional: compostos bioativos, que auxiliam a digestão e diminuem a inflamação) ao copo d’água, adicionando uma rodela de limão, raspas de gengibre ou folhas de hortelã). Também há os que esquecem (ativar o alarme do celular ajuda a lembrar!) e há ainda os que não bebem água porque sabem que pouco tempo depois terão de levantar para urinar. Sinceramente é a pior desculpa de todas… pior pra quem se agarra a ela e continua sem beber água, pois a urina é uma das principais vias de eliminação das toxinas (além do suor e das fezes) presentes em nosso corpo. Pessoas com baixo nível de hidratação, acabam tendo prejuízos no processo de detoxificação, que ocorre no fígado (que já expliquei melhor nesse post aqui), acumulam mais toxinas e estão mais propensas aos seus efeitos prejudiciais a longo prazo, pois toxinas foram feitas pra serem eliminadas e não armazenadas! Guardar toxina em nosso corpo equivale a guardar sacos e mais sacos de lixo dentro de casa…

Além disso, a baixa ingestão de água é um dos principais fatores que contribuem para a formação de cálculos renais, principalmente no verão e em dias mais quentes, quando transpiramos mais e consequentemente perdemos mais líquido. Os cálculos renais se formam a partir de resíduos vindos da alimentação, como o oxalato (presente em alimentos como espinafre, beterraba e até chocolate), cálcio (vindo de suplementos com altas doses desse mineral, ou vindo dos nossos ossos, quando há uma grande quantidade de sódio e/ou de proteínas na alimentação), ácido úrico (geralmente produzido em excesso no organismo, quando há uma ingestão excessiva de frutose e em indivíduos portadores de síndrome metabólica, por exemplo), entre outros.

A água também é fundamental num nível mais “microscópico” ou celular, pois as mais diversas reações bioquímicas necessitam dela… cicatrização, aumento de massa muscular e até mesmo a queima de gordura fica prejudicada! Além disso, a água é nosso principal regulador de temperatura corporal! Quando o corpo superaquece (após um exercício mais intenso, por ex), é através da evaporação do suor, que a temperatura retorna a níveis normais e seguro para o corpo. Aliás, o super aquecimento é prejudicial porque muitas proteínas corporais e enzimas começam a desnaturar e perder sua função. Por isso febres muito altas são sempre preocupantes! E por isso que também é necessário tentar resfriar o corpo de quem tem febre, através de banhos frios.

Beber água é fundamental! E não adianta muito trocá-la por outros líquidos. Água de coco (natural, e não a de caixinha) é uma excelente opção, mas diabéticos e pessoas que querem perder peso, precisam ter cuidado com o exagero. Sucos, por exemplo, ajudam na hidratação, porém, praticamente não contém fibras e suas calorias e carboidratos são rapidamente absorvidos, sendo um péssimo negócio para quem quer perder peso. Chás são excelentes, mas há que se ter cuidado, pois em excesso podem ser tóxicos, podem interferir com a absorção de nutrientes e com a ação de medicamentos. Por exemplo, o famoso chá verde, diminui a absorção de ferro e ainda pode causar toxicidade no fígado! Isotônicos (bebidas hidroeletrolíticas) possuem sódio e glicose, além de corantes. E dentre as piores opções estão os refrigerantes (que contém MUITO açúcar na versão normal e além de todos os aditivos químicos, ainda contém os adoçantes artificiais, nas versões light, diet e zero. Isso pra não falar que eles promovem perda de cálcio dos ossos!) e os refrescos industrializados, cheios de corantes e toda a sorte de substancias químicas que nosso corpo nem sabe exatamente o que fazer com elas.

Exames para diagnóstico da Doença Celíaca e da Sensibilidade ao Glúten

As dúvidas em relação aos exames para diagnóstico da DC (doença celíaca), da SGNC (sensibilidade ao glúten não celíaca e da AT (alergia ao trigo) são constantes em todos os grupos que participo no Facebook, então, resolvi reunir todas as informações num único post, apesar de já ter falado sobre eles em posts anteriores sobre as Desordens Relacionadas ao Glúten.

É sempre importante lembrar que o diagnóstico deve ser feito por um médico (preferivelmente um gastroenterologista), entretanto, a título de não atrasar a vida do paciente, os anticorpos podem ser solicitados por Nutricionista (que deverá encaminhar o paciente ao médico, para que o diagnóstico seja fechado corretamente) ou por médicos de qualquer especialidade, sempre ANTES DA EXCLUSÃO DO GLÚTEN (ou na pior das hipóteses, junto com o inicio da dieta, para evitar que os resultados sejaam influenciados pela mesma)!

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Imagem do site http://www.riosemgluten.com

Doença Celíaca (sugiro a leitura do Protocolo Clínico do SUS – versão 2015 e do Consenso de Oslo)

GENÉTICO (HLA DQ2 E DQ8): Avaliam a predisposição genética para desenvolver DC, mas sozinhos não dizem se a doença esta ativa ou não. Para faze-lo não é necessário estar consumindo glúten e seu resultado nunca mudará pois não há como mudar nossos genes. Somente um pequeno percentual de celíacos não os possui. Costuma ser utilizado quando o paciente já deixou de consumir glúten há bastante tempo e não consegue levar adiante o desafio do glúten (já falei sobre isso aqui)

ANTICORPO IGA ANTITRANSGLUTAMINASE : para diagnóstico é necessario estar consumindo glúten normalmente. Mostra que o corpo está reagindo ao glúten, destruindo a mucosa intestinal e deixando de absorver nutrientes importantes. É necessário correlacionar este resultado com o IgA total, pois na deficiencia de IgA este exame vai negativar.

ENDOSCOPIA COM BIÓPSIA DE DUODENO: Mostra o grau de lesões do intestino delgado e o resultado deve vir classificado de acordo coma Escala de Marsh (figura abaixo) – o zero da escala é quando a mucosa está normal e não há nenhum tipo de lesão, os graus 3 e 4 são os estágios mais avançados de inflamação e atrofia da mucosa, com grave prejuizo na absorção dos nutrientes. É considerado o padrão ouro para o diagnóstico, mas para ter um resultado confiável, é necessario estar consumindo glúten normalmente e o material para a biopsia precisa ser colhido em pelo menos 4 locais diferentes do duodeno (se fizer de 6 ou 8, melhor ainda). Mas é importantíssimo chamar a atenção que o exame precisa ser solicitado corretamente, pois somente a endoscopia que avalia esôfago e estômago e somente a BIÓPSIA DE ESTOMAGO NÃO MOSTRAM LESÃO DE DC!

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Alergia ao Trigo:

Os testes de alergia avaliam a produção de anticorpos da classe IGE específicos para o trigo. Há os testes feitos na pele (Prick test) e o teste sorológico (Rast). Entretanto, convém lembrar que até 25% dos resultados podem apresentar resultados falso negativo, pelos mais diversos motivos. Assim, para fechar o diagnóstico, o médico precisa considerar os sintomas do paciente, bem como todo seu histórico.

Sensibilidade ao glúten Não Celíaca:

A SGNC só ganhou “status” de doença ou condição clínica a partir de 2011, quando entrou para a lista das Desordens Relcionadas ao Glúten. Entretanto, até o momento, ainda não está claro para os pesquisadores (e não há consenso sobre isso) se de fato é o glúten (ou somente ele) o responsável pelos sintomas, ou se outras proteínas presentes nos cereais, como as lectinas e as proteínas inibidoras da alfa-amilase e da tripsina também estariam envolvidas no processo. E ainda há pesquisadores que atribuem os sintomas a presença de FODMAPs (carboidratos fermentáveis) no trigo. Há casos em que os anticorpos antigliadina (anticorpos contra a prolamina existente no trigo – a gliadina) positivam, mas isso não é uma regra e apenas cerca de 50% dos sensiveis ao glúten possuem a genetica compatível com a DC (nesses casos, há uma forte suspeita de que essas pessoas, se continuarem consumindo trigo, a despeito de seus sintomas, podem se tornar celíacos).

Assim, é praticamente impossível estabelcer um único exame capaz de avaliar tantas variaveis envolvendo o trigo/glúten e até o momento, o diagnóstico por exclusão das outras desordens (DC e AT) continua sendo o método preconizado pelos pesquisadores. Nesse caso o que se faz é:

Exames com resultados negativos ou inconclusivos + sintomas associados a ingestão de trigo/glúten + melhora com a dieta de exclusão + piora com a re-introdução = SGNC.

Mas aqui chamamos a atenção para o seguinte: a dieta precisa ser feita corretamente, e devidamente orientada por um Nutricionista, para que o resultado da avaliação seja confiável.

Comer sem glúten não é frescura!

Comer sem glúten para muita gente é caso de primeira necessidade, é a única opção para recuperar e manter a saúde e viver com qualidade de vida!

Depois que a dieta sem glúten passou a ser divulgada pela mídia, como a “nova moda entre as celebridades“, comer sem glúten parece que tornou a nova “frescura alimentar” e quem depende desta dieta pra sobreviver acaba sendo visto como “chato”, “fresco”, “enjoado” e coisas piores. Não quero aqui fazer nenhum tipo de julgamente àqueles que deixaram o glúten por opção! Muito pelo contrário, acho que as pessoas devem ter liberdade de escolher o que e como querem se alimentar! tanta gente por aí que optou por ser deixar se comer açúcar ou carne e nem por isso é tão julgado quanto os que optaram por deixar o glúten. Mas o que quero chamar a atenção neste post são as necessidades alimentares de quem NÃO PODE sob nenhum pretexto consumir aliementos contendo glúten.

Photo © 2012 The Grosby Group - Feb 7, 2012- Greedy Arctic Squirrel-
Photo © 2012 The Grosby Group – Feb 7, 2012- Greedy Arctic Squirrel-

A gente acaba acostumando e se adaptando bem, mas uma coisa que tenho reparado é que sempre que sou “nova” em algum lugar, grupo ou situação, rapidamente ou me torno o “ET“, que desperta a curiosidade de todos (e aí me sinto como um ratinho de laboratório, cujos menores movimentos são monitorados o tempo todo), como se o fato de viver 100% livre de glúten fosse provocar o nascimento de um chifre de unicórnio bem no meio da minha testa ou como seu eu fosse mudar de cor, ou sei lá o que… isso quando alguém não vem com aquela famigerada pergunta: “mas como é que você consegueeee?” Afffff… (pausa pra respirar e contar até 10 antes de responder, pra saia uma resposta minimamente educada).

Ou então, me sinto ser olhada com um certo desdém ou com aquele ar desconfiado de “ela está exagerando… glúten não faz tão mal assim“, ou “lá vem a chata que não come glúten“…

Mas nada disso consegue ser pior do que aquele ar de comiseração seguido de comentários do tipo: “que pena! tanta coisa gostosa e você não vai poder comer nada, né?“… juro que com esses me dá vontade de esquecer toda a educação que mamãe me deu e dizer o que acho que a pessoa deve fazer com tanta “coisa gostosa”, mas como geralmente não quero me aborrecer, apenas respiro fundo e faço cara de paisagem, fingindo que não ouvi…

Mas é chato, muito chato!

E por isso, resolvi desta vez fazer um post com cara de desabafo, mas não menos informativo que os posts anteriores.. Desabafo, porque ao contrário do que algumas pessoas podem pensar, Nutricionistas não se alimentam apenas de nutrientes ou de cápsulas! Nutricionistas comem comida (sentimos fome, sabiam?), confraternizam, compartilham refeições, tem lá suas preferências e até mesmo suas aversões alimentares, sentem saudade dos sabores da infância e quando se trata de uma Nutricionista celíaca, talvez essa saudade se intensifique, pois muitas vezes o prato do qual sentimos saudade, é exatamente aquele que está bem diante dos nossos olhos (e narizes) nas reuniões de família: é o bolo de cenoura da tia, o pudim de leite feito pela mãe (é… esqueci de dizer que além de celíaca eu também tenho intolerância a lactose e se não bastasse, tenho também alergia às proteínas do leite de vaca), o frango empanado da avó, entre tantas outras coisas…

Comer não é apenas um ato fisiológico de saciar a fome… isso qualquer animal é capaz de fazer.

Mas se alimentar, nutrir-se também de momentos, da cultura e da história por trás de cada prato, nutrir-se da companhia da família e dos amigos, celebrar acontecimentos… tudo isso envolve comida… CO-ME -MO-RAR …

Imagem da internet
Imagem da internet

E quando descobrimos que nossa alimentação não poderá mais ser como antes, não estamos falando apenas uma troca de ingredientes… estamos falando de mudanças profundas em hábitos arraigados, que terão seu impacto na nossa vida familiar, social e até mesmo profissional…

Mas não queremos que o mundo se torne celíaco ou sensível ao glúten só por nossa causa. Queremos sim, que as pessoas se tornem sensíveis à nossa causa e as nossas (novas) necessidades.

Não! Não fazemos questão de um bolo só pra gente que custou “os olhos da cara” ou de um tapete vermelho, convite especial ou de um jantar preparado pelo chef Claude Troigros (seria super bem vindo, pois sou fã assumida dele, mas confesso que nem assim eu arriscaria sem antes ter certeza de que ele tomou todos os cuidados em relação à contaminação cruzada)… fazemos questão sim, de não sermos excluídos das comemorações, de não termos que ouvir piadinhas, nem aturar olhares tortos, de desaprovação ou mesmo de pena. Pena, então, é terrível!

Queremos nos sentir incluídos, queremos saber que gostam tanto de nós, e que nossa companhia é mais importante que qualquer salgadinho ou fatia de bolo. Até porque, muitas vezes tentando agradar, algumas pessoas bem intencionadas nos prejudicam e ainda ficam chateadas se falamos isso abertamente… mas é fato que nós (celíacos, sensíveis ao glúten e alérgicos ao trigo), não podemos comer um bolo que foi batido por uma batedeira usada para fazer bolos de trigo, não podemos comprar nada numa padaria, onde há farinha de trigo por todos os lados, nem podemos comer algo preparado num ambiente onde se manipula farinha de trigo (como é a casa de quase todas as pessoas, principalmente de quem costuma fazer bolos).

A farinha de trigo é um pó muito fino, que pode permanecer em suspensão, no ar, por mais de 24 horas! E ao se depositar nas superfícies, contamina tudo, podendo desencadear sintomas e pior, ativar nosso sistema imunológico que estava adormecido. Pior ainda acontece com os alérgicos, que podem ter um choque anafilático só de entrar numa padaria pra pedir uma informação! Simplesmente porque a inalação da farinha em suspensão no ar é detectada por seu sistema imune, desencadeando uma grave crise alérgica, que sim, pode matar!

Também não podemos nos dar ao luxo de comer em utensílios mal lavados (ou lavados com a mesma esponja que está cheia de residuos de trigo), nem em comer em restaurantes cuja comida foi temperada com condimentos industrializados, que levam trigo na composição. Também não podemos comer a farofa que foi feita com a manteiga do mesmo pote onde todos que comem pão se servem. Nem podemos comer feijão com caldo engrossado com farinha, ou o hamburguer que levou farinha de rosca pra “dar liga” ou mesmo comer o arroz ou a farinha de mandioca guardados no mesmo pote onde a vovó guardou o “pãozinho de Santo Antonio”… aquele pãozinho que muitas famílias católicas tem em casa, pra que nunca falte comida!

Precisamos de comida segura e gostosa. Só isso. Geralmente preparada por nós mesmos ou por alguém que passa pela mesma situação ou compreende as mais suaves nuances de todo o problema, já que conseguir comida segura na rua é quase uma missão impossível! E quando alguém que entende estas nuances prepara nossa comida, tomando todos os cuidados necessários e tempera com carinho… aí é algo que não tem preço!

Eu sei, é complicado e muita gente se sente desmotivada a seguir a dieta e se permite cometer uns deslizes, principalmente se o emocional não está lá muito bom. Pra esses casos (do emocional fragilizado), buscar ajuda terapêutica é a melhor opção… nada como ter alguém pra nos ajudar a segurar a barra de tantas mudanças em tão pouco tempo e para nos ajudar a encontrar soluções e força dentro de nós mesmos.

E qual a vantagem de tanto cuidado com a alimentação? A vantagem e até mesmo ironia, é que aí apesar de termos uma doença crônica, que os acompanhará pro resto da vida, seremos mais saudáveis do que nunca! E nada paga a sensação de estar se sentindo bem, de ter energia, de não sentir dores e de saber que nosso risco de adoecer gravemente foi reduzido drasticamente, porque ter doença celíaca e não tratar, é o caminho mais curto para desenvolver complicações como outras doenças autoimunes mais difíceis de serem tratadas, infertilidade, anemia, osteoporose e o pior de tudo: linfoma intestinal (o risco é 10 vezes maior que o das outras pessoas).

Imagem do site www.riosemgluten.com
Imagem do site http://www.riosemgluten.com

Então, a vida segue… quando percebemos o quanto temos a ganhar com a dieta, os olhares tortos, os comentários desagradáveis, as caras feias perdem importância. Deixamos pra lá, porque nada paga a nossa qualidade de vida.

E aqueles que conseguem compreender nossas necessidades e dificuldades, aqueles que não nos julgam, e que ainda se esforçam pra ajudar de alguma forma, esses, sobem no nosso conceito e terão nossa gratidão eterna!