High Fat é mesmo uma boa estratégia para emagrecer?

Durante décadas a gordura foi considerada a grande vilã das dietas e a principal causadora da obesidade e das doenças cardiovasculares. Tradicionalmente dietas bem restritas em gorduras (ou low fat) eram recomendadas para todos que quisessem perder peso, ou estivessem com o colesterol alto ou mesmo fossem diabéticos ou hipertensos, e a industria alimentícia não poupou esforços para atender a essa demanda, oferecendo uma infinidade de produtos “light” ou “zero gordura” (produtos onde a gordura é substituída por mais carboidrato, numa troca beeeem pior, na maioria das vezes).

Aí, mais recentemente, houve uma “ressurreição” das dietas low carb/high fat, com a “reabilitação” da gordura saturada, do ovo, da manteiga e até mesmo do bacon… e o resultado foi uma busca um tanto desenfreada por este tipo de alimentação (talvez numa compensação do inconsciente por tantas décadas de privação).

Pusheen comendo
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Atualmente fala-se muito em aumentar o consumo da gordura, para compensar a (grande) restrição dos carboidratos e pra muita gente tá valendo qualquer tipo de gordura…a regra tem sido, quanto mais, melhor: bacon, queijos amarelos, linguiça, presunto, carne vermelha com bastante gordura, etc… tudo isso tá valendo, além das oleaginosas (castanhas, amêndoas, etc), abacate e coco.

Eu mesma acho que não precisamos restringir tanto a gordura, mas penso que equilíbrio e bom senso nunca são demais, já que exagerar na gordura, apesar de dar mais saciedade, pode contribuir realmente para o ganho de peso (e recuperação do peso perdido) e para o aumento das doenças metabólicas, como as cardiovasculares e a diabetes tipo 2. E não, o que vou falar não tem nada a ver com o colesterol ou a gordura saturada!

Não?

Não! Tem a ver com as alterações na microbiota (ou flora) intestinal, com a passagem de toxinas para a corrente sanguínea e com a inflamação crônica de baixa intensidade (mas bastante perigosa).

Praticamente tudo no mundo em que vivemos, contribui para termos uma microbiota intestinal alterada: hábitos alimentares errados (muito açúcar, carboidratos refinados, poucas fibras, muitos aditivos químicos, muito glúten, etc), poucas horas de sono, sono de qualidade ruim, estresse, uso frequente de antibióticos e de medicamentos que diminuem a acidez do estômago, entre outras coisas. Assim, passamos a ter mais bactérias Gram negativas (bactérias “do mal”), que ao morrerem, chegam facilmente à nossa circulação, causando inflamação principalmente onde a gordura está localizada (inclusive no fígado!). Os mesmos fatores que alteram a microbiota, são os mesmos que contribuem para espalhá-las pelo nosso corpo. Mas a gordura da alimentação é outro fator que contribui pra isso! Pior ainda se for gordura do tipo inflamatório (lembra do bacon e da gordura da picanha?)!!!

Explico: depois que a gordura é digerida, os ácidos graxos resultantes precisam ser distribuídos pelo corpo e para isso, são colocados numa esfera microscópica chamada de quilomícrons. Essas pequenas “bolinhas” também transportam as tais bactérias por todo o corpo e é aí que mora o perigo! Quanto mais gordura, mais quilomícrons são formados e mais bactérias (ou LPS) são espalhadas pelo corpo, gerando mais inflamação e … adivinhem: RESISTÊNCIA INSULÍNICA (aquela que todo mundo tenta evitar quando corta os carboidratos da dieta!!!)! E se pensarmos que muitas pessoas ao amentar a gordura, cortam inclusive os carboidratos das frutas e vegetais, o corpo fica sem defesas antioxidantes e anti-inflamatórias pra combater essa inflamação. O efeito disso, acaba sendo bem parecido que o efeito de uma alimentação cheia de açúcar e carboidrato ruim… ou seja, é praticamente trocar seis por meia dúzia! Sem falar que acaba sendo também uma alimentação com excesso de sódio (que piora a inflamação, aumenta o risco de cálculos renais e perda de cálcio dos ossos) e pobre em potássio e magnésio.

Outro problema, é que geralmente os adeptos das dietas high fat, consomem muita carne vermelha, que por sua vez, contém uma boa quantidade de carnitina, fundamental para a “queima” de gordura. Poxa, mas isso é ótimo, então! Não necessariamente! Pois se a microbiota intestinal estiver ruim, essa carnitina será metabolizada em compostos tóxicos que aumentam o risco de aterosclerose (formação de placas de colesterol, aquelas, que entopem as artérias). Pior ainda se você é dos que prefere churrasco e carne bem passada, que tá cheia de substâncias cancerígenas. E como nada é tão ruim que não possa piorar… se você não ingere os fatores protetores presentes nas frutas e hortaliças, tá lascado… lamento informar…

Ué? então é pra esquecer esse papo de aumentar gordura e reduzir carboidrato? Melhor se entupir de pão, bolo e biscoito?

Não! Claro que não!!!

A dica é reduzir os carboidratos “ruins”, priorizar os carboidratos bons (como o das frutas e e tubérculos), aumentar gorduras boas (peixes, azeite de oliva, abacate, coco, oleaginosas, gema de ovo), mas pegar bem leve nas outras (bacon, queijos amarelos, carne vermelha com gordura, linguiça, etc), equilibrando as fontes de proteínas.

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Detox pra começar bem o ano!

Depois do período de festas (e dos exageros gastronômicos e etílicos), começa a preocupação e peso na consciência. Fazer Detox parece a única saída e a solução milagrosa para “resetar” o corpo, perder peso e começar um novo ciclo. Suco verde com uma infinidade de variações, chás diversos, suchás (mix de sucos e chás), etc, prometem eliminar toxinas, ajudar na perda de peso, desinchar e “dar um refresco” para o pobre coitado do fígado…

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E será que tudo isso funciona mesmo? Adianta fazer dieta Detox? Tomar suco verde?

Acertou você que pensou… DEPENDE! (tá, eu sei que essa não é a resposta que a maioria espera, mas é a única resposta honesta à maioria das perguntas que envolvem Nutrição).

E por que depende???

Bom, vamos lá… Primeiramente vamos tentar compreender o que significar detoxificar. Segundo o Dicionário Informal, detoxificar (ou destoxificar ou desintoxicar) “é a ação ou resultado de desintoxicar (-se)ou retirar as substâncias potencialmente tóxicas de dentro do organismo“.

Ok. E como isso é feito? Alguém tem idéia?

Através do suor, da urina e das fezes. Sério! Essas são as vias pelas quais nós eliminamos todo e qualquer resíduo prejudicial à nossa saúde. Mas infelizmente quase todo mundo se preocupa muito com o efeito do que pode ser ingerido pra detoxificar, mas não se preocupa com a “saída”  e com a eliminação das toxinas… e isso é um grande problema.

O suor já um problema, pois no verão, todos tendemos a transpirar demais e a “solução” apresentada pela indústria de cosméticos são desodorantes antitranspirantes que prometer controlar o suor por até 48h ou mais! Tá…eu sei que é péssimo chegar encharcado de suor em qualquer lugar… mas impedir a transpiração é também impedir a eliminação de toxinas e é também interferir (de forma ruim) no controle da temperatura corporal (o suor existe para refrescar nosso corpo e impedir o super aquecimento interno). O que? Não dá pra dispensar o desodorante? Nem é possível substituí-lo por alternativas menos agressivas (como leite de magnésia com algumas gotinhas de algum óleo essencial)? Então, que tal não usar os antitranspirantes quando estiver em casa? Já é alguma coisa!

Outro ponto importante é que para detoxificar é necessário urinar! E bastante! Mas conheço muitas pessoas que não bebem água simplesmente para não precisarem ir ao banheiro! Tremendo tiro no pé, que pode se tornar um problema bem maior no futuro! São os rins que filtram o sangue e eliminam toxinas através da urina. Urina foi feita para ser eliminada e não guardada! Pessoas que urinam pouco, principalmente porque não bebem água, estão mais sujeitas a ter cálculo renal, principalmente no verão, época e que transpiram mais e desidratam mais depressa. Não beber água favorece também o inchaço, dificulta o controle da pressão arterial, provoca dor de cabeça (por causa da desidratação e também pelo acúmulo de toxinas) e ainda prejudica o funcionamento do intestino!

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Ficar com o intestino preso é o mesmo que guardar lixo dentro de casa… portanto, o resultado nunca será bom! Prisão de ventre (ou constipação intestinal) também favorece o cúmulo de toxinas, o inchaço (inclusive abdominal) e faz com que as pessoas fiquem “enfezadas”… irritadas, mal humoradas, desconfortáveis… porque estão “cheias de fezes”, e portanto… intoxicadas.

Mas você ainda não se convenceu da importância de um intestino que funciona bem? Intestino preso favorece o crescimento de bactérias “do mal” no intestino, condição conhecida como disbiose, que pode evoluir para SIBO (síndrome do super crescimento bacteriano no intestino delgado). Disbiose e SIBO atrapalham um bocado a digestão! Quase tudo o que se come (e bebe) fermenta, gera gases, distensão abdominal, desconforto. Só isso já seria motivo de sobra pra cuidar bem do intestino, certo?

Mas o problema não para por aí! Bactérias “do mal” morando no intestino geram inflamação (condição conhecida como endotoxemia), que contribuem para o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), alterações no colesterol (porque o fígado fica “focado” em produzir colesterol “ruim”), resistência insulínica e pra completar… sobrepeso e obesidade! Sim… bactérias ruins podem contribuir para a obesidade e para atrapalhar todos os planos de emagrecimento! Ou seja… não adianta se matar na academia, se preocupar com as calorias e não dar atenção ao intestino!

Ok, ok… já escrevi demais pra um primeiro post do ano…

E o que tudo isso tem a ver com as dietas detox, com os sucos verdes e tudo o mais? Simplesmente tem a ver o fato deles serem excelentes fontes de fibras (desde que os sucos não seja coados e nem preparados na centrífuga), líquidos, magnésio, vitaminas e compostos de ação antioxidante, que estimulam todas as funções que mencionei acima.

Em tempo! Uma alimentação com bastante frutas e hortaliças, pouco (ou nada) de produtos industrializados e bastante água, receba o o nome que receber, terá ação detox!

Então bora detoxificar, pessoal! E Feliz Ano Novo a todos!!!

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Esteatose hepática ou “como essa gordura foi parar no meu fígado?”

Muitas pessoas se assustam quando descobrem que estão com um acúmulo de gordura no fígado, ou esteatose hepática não alcoólica, na linguagem médica. E se assustam mais ainda porque consideram baixa sua ingestão de gordura e não se cansam de perguntar, “eu não como gordura, então como essa gordura foi parar no meu fígado”?

Figura encontrada no Google (www.yuasaude.com)
Figura encontrada no Google (www.yuasaude.com)

Bom, vamos por partes…

Comer gordura não necessariamente é ruim! Precisamos de gordura, mas gorduras de fontes boas, como azeite de oliva (que SIM, pode ser usado para cozinhar! E qualquer hora vou fazer um post só sobre isso), abacate, ovo com a GEMA, oleaginosas (castanhas do Pará, de caju, amêndoas, nozes, avelã, pistache, macadâmia, baru), coco, açaí (mas esqueça o açaí cheio de xarope de guaraná! To falando do açaí “de verdade”, puro). Mas essa gordura não vai direto para o fígado!

Tá, então de onde surge a gordura no fígado?

Bem, aqui o processo é um pouco mais complexo, mas vamos tentar simplificar. Geralmente as mesmas pessoas que tem medo de consumir gordura são as que mais exageram na ingestão de carboidratos: pães, bolos, biscoitos, salgadinhos, empanados… aqui não escapa nem a brasileiríssima tapioca! Muita pessoas que excluíram o glúten da alimentação, como os celíacos, na tentativa de substituir as preparações contendo glúten, acabam exagerando nas preparações contendo farinha de arroz, polvilho, amido de milho, fubá…

E tem aquelas pessoas que estão preocupadas em manter a forma ou em perder peso e correm da gordura, evitam os doces, regulam o consumo de frutas, mas estão sempre consumindo biscoitos light, iogurtes light, requeijão light, maionese light, etc. Excelente, não? Lamento desapontá-los, mas não. Isso é péssimo! Primeiro porque nem estamos falando de comida de verdade. Segundo, porque estes produtos sempre contém grande quantidade de aditivos químicos que acabam por prejudicar o bom funcionamento do organismo, como falei no post sobre detox e terceiro porque para se adequar a legislação dos light, os fabricantes precisam reduzir a quantidade de gorduras e calorias dos produtos. A princípio nos dá a impressão de que isso é ótimo! Mas não é bem assim.

Cada grama de gordura possui 9 Calorias (Kcal), enquanto que cada grama de carboidrato e de proteína possuem apenas 4 Kcal. Proteínas são os nutrientes mais caros, portanto, para a industria é mais vantajoso economicamente substituir a gordura que foi tirada de um produto, por carboidrato (estamos falando aqui de amido de milho, de açúcar, de maltodextrina, de açúcar invertido, de xarope de milho com alto teor de frutose e não de outros carboidratos mais bacanas) e ainda com a vantagem de aumentar a cremosidade e a melhorar a consistência de alguns, como iogurtes e requeijão por exemplo. Até aí,não parece haver nada demais, certo?

E qual o problema do carboidrato?

Nosso fígado tem um limite de armazenamento do carboidrato ingerido… esse estoque chama-se glicogênio, que serve para fornecer glicose para o cérebro nos momentos de jejum. Os músculos também fazem isso, mas em menor proporção e para “consumo próprio”. Quando extrapolamos a capacidade de armazenar glicogênio, para não desperdiçar energia, o corpo começa a produzir gordura (triglicerídios) a partir do carboidrato… esses triglicerídios tem 2 caminhos: parte segue para o tecido adiposo (e se acumulam na barriga e em outras regiões do corpo… as vezes só internamente, entre os órgãos – gordura visceral, que por sinal é a mais perigosa forma de acumular gordura) e parte fica dentro do fígado, esperando a ordem de ir para outro lugar. Se o gasto energético não aumenta, o “trânsito começa a engarrafar” dentro do fígado, e esses triglicerídeos vão se acumulando, gerando o quadro de esteatose hepática.

O grande problema é que gordura no corpo (principalmente quando estão onde não deveriam estar, como no fígado) gera inflamação! E inflamação gera uma série de reações e podem terminar com fibrose, ou seja, quando falamos de fígado, fibrose significa CIRROSE hepática, uma condição na qual todo o tecido ativo do fígado vai sendo substituído por tecido fibroso, sem função.

Mas além disso, ainda existem outras causas de esteatose hepática, como o consumo frequente e/ou exagerado de bebidas alcoolicas e diabetes descompensado.

E depois que a gordura já se instalou? Tem solução?

Dependendo do grau de esteatose tem, mas é necessário adequar a alimentação (e aqui entra o nutricionista), excluir todos os excessos de carboidrato (atenção!!! Não é excluir todos os carboidratos, mas sim, os “carboidratos ruins”)  e aumentar a atividade física (devidamente supervisionada por um educador físico!). Não tem como entrar para a academia agora? Que tal então tentar andar um pouco mais, usar mais escadas que elevador? Já é algum começo pra deixar o sedentarismo!