Dietas Low carb x diabetes

De um tempo pra cá a “dieta low carb” tem sido falada (e praticada) com bastante frequência e atualmente este tem sido um dos principais motivos pelos quais os pacientes me procuram, seja apenas para controlar a glicemia, para prevenir o diabetes (tipo 2) ou para perder peso.

Mas antes de começar a falar dos benefícios da dieta low carb no diabetes, é importante falarmos primeiro sobre o que seria “low carb“…

Pra inicio de conversa não há uma única dieta low carb… e esse é um dos motivos pelos quais não gosto muito de ser chamada de “Nutricionista low carb”, pois low carb pode seguir uma abordagem bastante saudável como nas dietas no estilo Paleolítico (que já falei aqui, aqui e aqui), como pode ser também algo bem “trash” e prejudicial a saúde (quando se exclui frutas e hortaliças, e a alimentação fica a base de embutidos, queijos gordurosos, adoçantes artificiais e até… refrigerantes zero e gelatina diet!).

Outra questão importante é o que se considera e qual a quantidade de carboidratos ingerida…

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Imagem encontrada na internet

Partindo das recomendações habituais de carboidratos numa dieta tradicional padrão, qualquer quantidade abaixo de 50% das calorias diárias vindo dos mesmos ja pode ser considerada low carb. Mas alguns mais radicais só consideram low carb “de verdade” quando a ingestão máxima de carboidratos/dia não passa de 20 gramas!

Eu particularmente considero 20g/dia um valor absurdamente baixo e desnecessário a grande maioria das pessoas e por vários motivos:

Como o cérebro usa preferencialmente a glicose como combustível, o próprio corpo (enquanto usa os corpos cetônicos, vindos da gordura e de alguns aminoácidos) se encarrega de gerar glicose (a partir das proteínas, sejam da alimentação, seja da massa muscular) para o cérebro e isso pode aumentar a glicemia. Além disso, para manter níveis tão baixos de carboidratos, é necessário abrir mão de muitos alimentos saudáveis, como frutas e legumes (principais fontes de compostos bioativos de ação anti-inflamatória e antioxidante; vitaminas, minerais e fibras), ao mesmo tempo em que se aumenta a ingestão de alimentos com mais proteinas e gorduras.

Não que gordura seja tão prejudicial assim (estou falando da gordura naturalmente presente nos alimentos e não há gordura hidrogenada, nem na margarina ou óleos vegetais refinados), mas muita gordura a base de embutidos e laticínios (em vez de gordura das frutas e sementes oleaginosas, por exemplo) aumenta o risco de inflamação e doenças cardiovasculares. Outro problema do excesso de proteínas, embutidos e laticínios é a grande quantidade de sódio presente nestes alimentos, que aumenta o risco de cálculos renais, perda de cálcio ósseo (aumentando o risco de osteoporose) e ainda o risco de câncer de estômago! Também é sempre bom lembrar que diabéticos estão mais propensos a problemas renais (nefropatia diabética)…

Entretanto, quando se faz uma restrição moderada de carboidratos, equilibrando carnes mais magras (e peixes, aves, etc) e ovos com frutas e hortaliças diversas (incluindo tubérculos), é possível equilibrar a glicemia, sem prejudicar o funcionamento renal, protegendo os ossos e ainda mantendo o corpo protegido da inflamação e dos radicais livres. Nesse caso, ao evitar farinhas, pães e massas já reduzimos o carboidrato de forma significativa!

E o que tudo isso tem a ver com o diabetes???

Bom, seja no DMI ou no DMII, é necessário controlar a glicemia e garantir que a insulina (exógena, tomada como medicação ou endógena, produzida pelo próprio corpo) funcione adequadamente*. Em ambas as situações, é preferível manter uma dieta moderadamente baixa em carboidratos (algo em torno de 40% das calorias diárias) de baixo índice glicêmico, bem distribuidos ao longo do dia. Assim, é possível também favorecer a perda de peso e a manutenção de um peso saudável a longo prazo, e ainda garantindo a ingestão de todos os nutrientes necessários à saúde.

Em todos os casos de diabetes, pode-se dizer que há presença inflamação, aumento da permeabilidade intestinal e endotoxemia (passagem dos LPS os dos fragmentos das bactérias intestinais – bactérias “do mal” – para o sangue) e uma dieta nos moldes da Paleo se mostra benéfica, pois diminui a inflamação, diminui a permeabilidade (ao excluir trigo, lácteos e lectinas, proteínas presentes em alguns grãos e farinhas) e ainda (por ter uma boa quantidade de fibras), melhora a microbiota intestinal.

*No DMI, a contagem de carboidratos costuma ser feita, para ajustar a dose de insulina de acordo com cada refeição. É uma boa forma de promover o controle glicêmico, porém é importante chamar a atenção que os carboidratos não são todos iguais e que mesmo que a glicemia baixe com uma dose mais alta de insulina, a formação de AGEs (compostos de glicação avançada) pode ocorrer, prejudicando a saúde, além do aumento dos níveis de colesterol, triglicerídios e esteatose hepática (acumulo de gordura no fígado). A contagem existe para permitir maior flexibilização da dieta, mas não para liberar uma “overdose” de carboidratos de alto índice glicêmico presentes em alimentos pobres em nutrientes!

 

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