Intolerância aos Fodmaps

Fodmaps???

Fodmaps é a sigla em inglês para “Fermentable oligossacharides, dissacharides, monossacharides and poliols”, que significa numa tradução simplista: carboidratos fermentáveis.

FODMAPs

Oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis são tipos de carboidratos. O que os diferencia uns dos outros é sua estrutura molecular e onde estão presentes. Sacarídeo significa açúcar ou carboidrato. Oligosacarídeos – formados pela ligação entre vários açúcares, dissacarideos – formados por 2 açúcares, monossacarídeos – apenas um açúcar; polióis – álcool de açúcares.

Para explicar melhor, podemos dividi-los assim:

  1. Oligossacarídeos: 

a) Frutanos – contém uma molécula de frutose em sua estrutura. São os frutooligossacarídeos e a inulina. Podem ser extraídos da raiz da chicória (principal fnte de frutanos para a indústria alimentícia), mas também estão presentes na cebola, no alho, na alcachofra, na batata yacon;

b) Galactanos – contém uma molécula de galactose em sua estrutura. São a rafinose e a estaquiose, presentes principalmente nas leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão de bico, soja, amendoim).

2. Dissacarídeos: 

a) Lactose – formada por uma molécula de glicose ligada a uma galactose. Está presente no leite de todos os mamíferos e em seus derivados (queijos, iogurtes, soro do leite, etc);

b) Sacarose – formada por uma glicose ligada a uma frutose. A sacarose é a o açúcar de mesa e está presente em nas frutas (em pequena quantidade), na beterraba, na cana de açúcar e principalmente, como açúcar refinadoo, em diversos produtos industrializados;

3. Monossacarídeos:

a) Frutose – é o principal monossacarídeo relacionado aos sintomas da fermentação. Está presente nas frutas e no mel, mas a maior parte da frutose consumida pelos ocidentais NÃO VEM DAS FRUTAS!!! Vem da sacarose e dos produtos industrializados, contendo xarope de milho com alto teor de frutose, como refrigerantes, sucos e refrescos industrializados, iogurtes e até mesmo biscoitos e doces.

4. Polióis: Estão naturalmente presentes em alguns alimentos, como maçã, cereja, damasco, nectarina, avocado, ameixa, amora, pêra, melancia e cogumelos e podem ser produzidos artificialmente e adicionados a diversos produtos alimentícios e até mesmo a alguns medicamentos. Alguns exemplos são:

a) Xilitol;

b) Maltitol;

c) Eritritol;

d) Sorbitol, etc

Alguns destes carboidratos, como os frutanos e os polióis não são digeridos no trato gastrointestinal de humanos e são fermentados pelas bactérias presentes no intestino. Os demais Fodmaps serão mais ou menos digeridos e consequentemente mais ou menos fermentados, dependendo de alguns fatores, como a quantidade em que estão presentes na alimentação, tipo e a quantidade de bactérias (disbiose e/ou sibo) presentes no intestino e a existencia ou não de deficiencias enzimáticas, como na intolerância a lactose.

Fermentable

A frutose, por exemplo, a não ser em casos de frutosemia congênita (quando o bebê nasce sem produzir uma das enzimas necessárias ao metabolismo da frutose), é sempre bem digerida, entretanto, como a dieta ocidental moderna contém uma quantidade excessiva de frutose adicionada (os produtos industrializados e o excesso de açúcar), o trabsportador intestinal, o GLUT5, que leva a frutose para dentro das células, onde elas poderão ser usadas como fonte de energia, fica sobrecarregado. Com essa sobrecarga, a frutose começa a se acumular no intestino, onde é (literalmente) um prato cheio para as bactérias.

Essa fermentação, quando há predominância de bactérias “do bem” no intestino (e quando não há uma superpopulação de bactérias no intestino delgado ou SIBO, do inglês: small intestinal bacterial overgrowth) gera compostos benéficos, como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC – acetato, butirado e propionato) que nutrem as células intestinais e colaboram inclusive com o fígado, na hora de regular a produção de colesterol! Mas principalmente quando há um excesso de bactérias no intestino delgado (local que não comporta um numero muito grande delas), os problemas começam a acontecer – há um excesso de fermentação dos carboidratos, gerando gases, distensão abdominal, dor, desconforto, diarréia osmótica ou constipação (quando há produção de metano) e até mesmo irritação na bexiga. As bactérias “do mal” começam a produzir toxinas, que ao chegarem a corrente sanguinea, provocam outros sintomas, como fadiga, dores musculares e articulares. Todos estes sintomas podem estar presentes na Síndrome do Intestino Irritável, nas Doenças Inflamatórias Intestinais, na Fibromialgia, na Doença Celíaca e na Sensibilidade ao Glúten não Celíaca.

O tratamento consiste em cuidar da doença de base e em reduzir o teor de Fodmaps da dieta, ao menos, temporariamente. Em casos de SIBO, comprovada por exame (o teste do hidrogenio expirado, que necessita ser solicitado e interpretado por um médico), o tratamento é feito com antibióticos (prescritos pelo médico) e dieta isenta de Fodmaps por 4 semanas, prescrita por um Nutricionista. Mas como se trata de uma dieta bastante restritiva e que não deve ser seguida por muito tempo, após as 4 semanas, testa-se a re-introdução dos alimentos, um de cada vez, para avaliar o nível de tolerância individual.

Depois disso, para evitar que os sintomas retornem, é importante cuidar da alimentação, evitando uma sobrecarga de Fodmaps, principalmente de lactose (em caso de IL), sacarose e frutose presentes em alimentos industrializados. Assim, também é possível prevenir (ou pelo menos amenizar) o retorno da disbiose e da SIBO. Mas também é necessário atentar para o bom funcionamento intestinal, pois a constipação (prisão de ventre) contribui muito para a SIBO, já que as bactérias ficam “presas” por mais tempo no intestino, junto com as fezes e com isso, também favorecem os quadros de endotoxemia e inflamação. Mas isso aí já é matéria para um outro post…

 

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