A Dieta Paleolítica – Comendo como nossos ancestrais

A Dieta Paleolítica ou Paleo, para os íntimos, é na verdade um “template” ou modelo de alimentação, que se baseia no que nossos ancestrais comiam, ou mais precisamente, na exclusão de tudo aquilo que não consumiam, pois a disponibilidade de alimentos variava bastante de acordo com a região em que cada grupo vivia e de acordo com as estações do ano.

Mas antes de falarmos sobre a dieta, vamos falar um pouco de História!

O que foi o período Paleolítico?

Fogueira paleo

Paleolítico, do grego palaiós=”antigo”+ lithos=”pedra”, significa Velha (ou antiga) Idade da Pedra e compreende o período entre 2,5 milhões a.C. até cerca de 10000 a.C., quando houve a chamada Revolução Neolítica, com o inicio da agricultura e da domesticação de animais.

Durante o período Paleolítico, nossos ancestrais (que surgiram primeiramente no continente africano e só muito tempo depois foram migrando para outras áreas do planeta) eram nômades e se alimentavam do que conseguiam caçar (ou pescar) e coletar (frutas, nozes, etc). As caçadas eram realizadas com armas e ferramentas bem rudimentares, feitas de ossos, pedras ou madeira e como o fogo já era conhecido, os alimentos podiam ser cozidos (mais exatamente, assados numa fogueira), mas nossos ancestrais ainda não haviam desenvolvido técnicas que possibilitassem a conservação dos alimentos.

Não tendo como estocar comida, não tendo garantias de alimentos disponíveis a qualquer hora ou lugar e não possuindo nenhum conhecimento científico a respeito de como se alimentar, nossos ancestrais intuitivamente (e com base no que viam ao seu redor) buscavam comida onde fosse possível e escolhas erradas podiam levar a morte! Foi assim, que descobriram que vegetais de sabor adocicado (como as frutas) alimentavam e vegetais mais amargos (contendo alcalóides, muitas vezes tóxicos) podiam matar. Posteriormente acabaram descobrindo que alguns desses vegetais amargos poderiam ser usados como remédio, desde que usados em doses pequenas.

caverna paleo

Todos se exercitavam muito e diariamente, pois precisavam sair em busca de alimento e se mudavam com frequência, quando o alimento acabava. Isso quando não precisavam fugir de predadores ou de grupos rivais. Viviam ao ar livre e abrigavam-se em cavernas ou sob a copa de árvores, até que acabaram aprendendo a construir abrigos com galhos, palha e o que mais estivesse disponível, em outras palavras, tinham livre acesso à luz solar e produziam vitamina D continuamente. Era tanto sol, que a natureza sabiamente, tratou de garantir uma proteção extra, escurecendo a pele do pessoal. Não havia luz artificial (a não ser a fogueira, em volta da qual se reuniam para contar histórias, para se aquecer e para afugentar predadores), então acordavam com o nascer do sol e dormiam ao anoitecer… dormiam o suficiente para que houvesse um equilíbrio hormonal, para que suas células e tecidos se recuperassem do desgaste sofrido durante o dia. Não precisavam de despertador, não dirigiam, não pegavam trânsito, não tinham contas para pagar… as preocupações básicas eram com o que comer, onde se abrigar e se manter a salvo dos predadores… assim, não sofriam de estresse crônico (como nós sofremos atualmente), somente de estresse agudo, quando se viam diante de algum perigo e precisavam reagir, lutando ou fugindo.

alimentos paleo

Desta forma, não é difícil entender como se alimentavam e entender porque não adoeciam de muitas “doenças da modernidade”. Comiam o que estivesse disponível, sem qualquer tipo de preocupação com a quantidade de calorias ou de carboidratos ingeridos! Comiam porque precisavam sobreviver e escolher comida era um “luxo” que fatalmente os levaria a morte por desnutrição. Então como faziam?

Caçavam qualquer ser vivo (alguns praticavam antropofagia ou canibalismo, mas é melhor deixar de lado esse assunto um tanto indigesto) – pequenos e grandes animais, e comiam desde larvas e insetos até grandes animais, como javalis ou búfalos selvagens.

Comiam ovos, quando encontravam algum ninho desprotegido. Consumiam mel, quando estava disponível.

Consumiam qualquer tipo de vegetal que pudesse ser consumido cru (como as frutas) ou assado na fogueira (quem nunca experimentou comer batata doce assada?), e bebiam água ou água de coco.

E não, eles não bebiam leite a não ser o leite de suas mães, enquanto fossem bebês! Por que? Nossos ancestrais podiam ser valentes caçadores, mas não eram loucos a ponto de enfrentar uma fêmea disposta a tudo para proteger seu filhote. Provavelmente nem passava pela cabeça dos nossos ancestrais que o leite de outras espécies pudesse ser utilizado como alimento!

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Assim, fica fácil entender porque não consumiam pão, massas, farinhas, laticínios (sem leite, como preparar manteiga ou queijo?), refrigerantes e tantas outras coisas que tentam nos vender atualmente como alimento…

Parece pouca coisa o que nossos ancestrais consumiam?

Não se olharmos para variedade de frutas, hortaliças, nozes e animais!

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Alguns pesquisadores se debruçaram sobre o passado da humanidade e procuraram entender e resgatar a sabedoria dos nossos ancestrais a respeito do que comiam e de como viviam e como alguns povos, a despeito de toda modernização e globalização, ainda vivem, como os habitantes da ilha de Kitava (estudados pelo prof Staffan Lindeberg) ou mesmo alguns grupamentos indígenas aqui mesmo no Brasil. No estudo de Kitava (qualquer hora faço um post só sobre ele, de tanto que gosto deste estudo e de tanto que admiro o trabalho do prof Lindeberg), o que foi observado é que mais de 60% das calorias diárias ingeridas eram fornecidas por CARBOIDRATOS! É óbvio que não estamos falando de açúcar e nem de farinha… mas carboidratos presentes em frutas (bananas) e tubérculos e nem por isso, o pessoal lá estava obeso ou apresentando resistência insulinica ou diabetes. E ao contrário do que muitos adeptos modernos da Paleo Diet acreditam que é necessário (para não falar, obrigatório), nossos irmãos de Kitava consumiam muito pouca carne…

Assim, para não me estender mais, poderíamos dizer que:

A Dieta Paleo NÃO é um meio rápido de se perder peso. Também não é mais uma daquelas “dietas da moda” sem fundamentação científica (o Pubmed está aí que não me deixa mentir!). Também não é a senha para abusar de laticínios nem de embutidos (presunto salame, mortadela e afins) ou mesmo bacon- aliás, convém avisar que NADA disso é verdadeiramente Paleo!!! 

Dieta Paleo é antes de tudo, um estilo de vida, uma busca por uma vida mais saudável, com o consumo de “comida de verdade”, como carnes MAGRAS (por que nossos animais de hoje são muito mais gordos que seus ancestrais, crescem confinados, expostos a uma série de toxinas ambientais e nem sempre são alimentados da maneira correta), frutas (sim, FRUTAS, todas elas, qualquer uma delas!!!), vegetais diversos, incluindo os TUBÉRCULOS (batata sem casca, batata doce, aipim, etc).

Aliás seguir o estilo de vida Paleo, também um convite à reflexão sobre tudo de ruim que a modernidade está fazendo com a nossa saúde!

Paleo girl

Obs: Se as figuras utilizadas possuirem direitos autorais, por favor, me avisem para que possa incluir os créditos nas mesmas!

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